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Equipes abrem túneis em busca de sobreviventes do prédio que desabou em Miami

Estadão Conteúdo Publicado em 28/06/2021, às 14h19

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Foto: Divulgação/Departamento de Resgate em Incêndios de Miami-Dade

Os trabalhadores de resgate que cavaram febrilmente há cinco dias completos nesta segunda-feira, 28, acreditam na possibilidade de encontrar sobreviventes nos escombros do edifício 12 andares em Surfside, na região de Miami, na Flórida (EUA), que desmoronou parcialmente na última semana. Essa é a esperança a que os membros da família de desaparecidos se agarraram, mesmo que ninguém tenha sido retirado vivo dos escombros desde as primeiras horas de buscas após a queda da estrutura.

No domingo, 27, o número de mortes confirmadas aumentou de quatro para um total de nove. Mas mais de 150 pessoas ainda estão desaparecidas em Surfside, inclusive uma criança brasileira. Familiares dos desaparecidos viajaram até o local para acompanhar o intenso esforço de resgate, que inclui bombeiros, cães farejadores e especialistas em busca, que utilizam radares e sonares na localização.

No início desta segunda-feira, um guindaste ergueu uma grande laje de concreto da pilha de entulho, permitindo que cerca de 30 salvadores se deslocassem e transportassem pedaços menores de destroços para baldes vermelhos, que são esvaziados numa caixa maior para ser removida pelo guindaste.

As buscas têm sido complicadas por pancadas de chuva intermitentes que atingem a área, mas pelo menos os incêndios que atrapalharam a busca inicial foram extintos. Andy Alvarez, um comandante adjunto do Corpo de Bombeiros de Miami-Dade, disse ao "Good Morning America" do canal ABC que os socorristas conseguiram encontrar alguns bolsões de ar dentro dos destroços, principalmente no subsolo e nas áreas de estacionamento.

"Temos mais de 80 equipes de resgate no momento que estão rompendo as paredes que desabaram, num esforço frenético para tentar resgatar aqueles que ainda são viáveis e para chegar aos vazios que normalmente sabemos que existem nesses edifícios", disse Alvarez.

"Conseguimos fazer um túnel através dos escombros do edifício", acrescentou Alvarez. "Esta é uma busca frenética por esperança, por milagre, para ver quem podemos trazer vivo para fora deste edifício". Ele disse que os socorristas, tal como as famílias, continuam à espera de boas notícias. "É preciso ter esperança e é preciso ter fé", disse ele.

Outros que viram os destroços de perto ficaram assustados com a tarefa que se avizinhava. Alfredo Lopez, que vivia com a mulher num apartamento no 6º andar do prédio, num canto do edifício que escapou por pouco do desastre, disse que acha difícil acreditar que alguém esteja vivo nos escombros.

O ministro israelita para Assuntos da Diáspora, Nachman Shai, chefe de uma delegação humanitária de Israel que inclui vários peritos em busca e salvamento, disse que os profissionais já trabalharam em casos em que foram encontrados sobreviventes após 100 horas ou mais. "Portanto, não percam a esperança, é isso que eu diria", disse ele.

Entre as ferramentas de salvamento utilizadas está um dispositivo de radar de microondas desenvolvido pelo Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa e pelo Departamento de Segurança Interna. O equipamento "vê" até 8 polegadas (20 centímetros) de concreto sólido, segundo Adrian Garulay, CEO do Spec Ops Group. O dispositivo é capaz de detectar a respiração humana e os batimentos cardíacos e passou a ser usado no domingo por uma equipa de busca e salvamento de sete membros da comunidade judaica do México.

A prefeita do condado de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, disse que seis a oito equipas estão a procurar ativamente a pilha em qualquer momento, com centenas de membros da equipe em espera prontos para entrar em ação. Ela disse que as equipas têm trabalhado 24 horas por dia desde quinta-feira, e que não houve falta de pessoal.

Algumas famílias esperavam que a sua visita ao local das buscas lhes permitisse gritar mensagens aos entes queridos possivelmente enterrados nas profundezas da pilha de concreto. Ao regressarem a um hotel próximo, várias fizeram uma pausa para trocar abraços ao descerem do ônibus. Outros caminharam lentamente com os braços entrelaçados uns nos outros.

"Estamos apenas à espera de respostas. É isso que queremos", disse Dianne Ohayon, cujos pais, Myriam e Arnie Notkin, estavam no edifício. "É difícil passar por estes longos dias e ainda não ter qualquer resposta".

O edifício ruiu poucos dias antes de um prazo para os proprietários dos apartamentos começarem a fazer pagamentos elevados, com valor total superior a US$ 9 milhões em reparações que tinham sido recomendadas quase três anos antes, num relatório que alertava para "grandes danos estruturais".

Earl Tilton, que dirige uma empresa de consultoria de busca e salvamento na Carolina do Norte, disse que qualquer tipo de precipitação nas ações nos escombros pode ferir ou matar os salvadores e as pessoas que estão ainda podem estar com vida. "Mover errado um pedaço de destroço pode causar quedas" sobre os trabalhadores e esmagá-los, disse ele.

Mas Tilton concordou que as famílias não estavam erradas em continuar a ter esperança. Durante os resgates urbanos passados, disse ele, os socorristas encontraram sobreviventes desde uma semana após a catástrofe inicial.

O condomínio Champlain Towers fica na Collins Avenue, no canto sudeste de Surfside. A edificação foi construída em 1981 e tinha 12 andares e 136 apartamentos - estima-se que 55 deles desmoronaram. Algumas unidades de dois quartos são negociadas atualmente no mercado com preços entre US$ 600 mil e US$ 700 mil, segundo a polícia local (entre R$ 3 milhões e R$ 3,5 milhões na cotação atual).

Jornal Midiamax