Moderação

Entre as medidas previstas para aumentar a carga tributária estão alterações no imposto de renda, eliminação de isenções, imposto sobre fortunas, impostos verdes, royalties sobre mineração e medidas contra a evasão fiscal. No entanto, o governo ainda não decidiu se apresenta sua reforma tributária em um único pacote ou se ela será fatiada por temas, uma estratégia legislativa para garantir algumas aprovações.

Com a receita obtida pela reforma tributária, o governo pretende manter uma dívida pública que não ultrapasse 45% do PIB até o final do mandato, algo que ainda não estava projetado no programa do então candidato. Mas a definição total de como o governo deverá conduzir essas reformas e a agenda econômica está condicionada à nomeação do gabinete, em especial a composição do Ministério da Fazenda.

Depois da reação dos mercados, Boric acelerou a formação do gabinete. O ex-líder estudantil, de 35 anos, havia prometido enterrar o modelo econômico neoliberal do , mas, durante o segundo turno, suavizou o tom em um aceno para eleitores de centro. Em outro sinal de moderação, ele realizou ontem uma visita à Convenção responsável por redigir a nova Constituição e afirmou que respeitará as decisões do órgão. “Não vou tentar pautar a Convenção”, afirmou. “Isso é um tema de Estado, de longo prazo.”

Passado

Boric foi um dos principais incentivadores do processo constituinte, que nasceu para acalmar os protestos por igualdade, em 2019, e pretendia deixar para trás a atual Constituição, herdada da de Augusto Pinochet. Convocar o referendo, assinar o texto e implementar as regras da nova Carta Magna serão alguns dos principais desafios de seu mandato, que terá início em março de 2022.

Se a nova Constituição for aprovada em referendo, ano que vem, ela será a primeira na história do Chile proveniente de um processo totalmente democrático. Reformada mais de 50 vezes desde o fim da ditadura militar, a atual Carta Magna foi inspirada pelas ideias dos chamados “Chicago Boys”, um grupo de economistas liberais e discípulos de Milton Friedman, que promoveram a privatização de serviços como água, previdência e saúde. (Com agências internacionais)

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