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Meninas executadas: Entidade internacional denuncia violação de direitos humanos no Paraguai

Em relatório divulgado nesta quinta-feira (3), a organização de direitos humanos HRW (Human Rights Watch) acusa as autoridades paraguaias de destruírem “provas fundamentais” e de cometer outras “graves irregularidades” na investigação da morte de duas meninas argentinas, durante confrontos entre militares contra os guerrilheiro deste país. O caso aconteceu no dia 2 de setembro d...

Marcos Morandi Publicado em 03/12/2020, às 11h57

Presidente do Paraguai vitou local onde aconteceu o confronto. (Foto: Divulgação).
Presidente do Paraguai vitou local onde aconteceu o confronto. (Foto: Divulgação). - Presidente do Paraguai vitou local onde aconteceu o confronto. (Foto: Divulgação).

Em relatório divulgado nesta quinta-feira (3), a organização de direitos humanos HRW (Human Rights Watch) acusa as autoridades paraguaias de destruírem “provas fundamentais” e de cometer outras “graves irregularidades” na investigação da morte de duas meninas argentinas, durante confrontos entre militares contra os guerrilheiro deste país.

O caso aconteceu no dia 2 de setembro deste ano,  em uma fazenda em Yby Yaú, na Fronteira entre Concepcion e Amambay, que faz divisa com o Mato Grosso do Sul. Na época, o presidente do Paraguai,  Mario Abdo esteve no local onde aconteceu o confronto.

Segundo o documento da organização não governamental, as mortes das duas meninas de 11 anos foram causada por agentes das forças de segurança do Estado e que as autoridades paraguaias violaram seus próprios protocolos de investigação e as normas internacionais de direitos humanos.

“O Governo do Paraguai deve garantir uma investigação independente, imparcial, transparente e rápida dessas mortes”, afirmou a Human Rights Watch. O relatório da organização faz referências diretas aos militares paraguaios e aponta a reponsabilidade das autoridades do país vizinho na resolução do caso.

Lilian Mariana Villalba e María Carmen Villalba, eram primas e foram assassinadas em dois confrontos entre o Exército guerrilheiro do Povo Paraguaio (EPP) e a Força Tarefa Conjunta (FTC), composta por militares e policiais, no Departamento de Concepción.

Segundo o governo paraguaio, as meninas nasceram no Paraguai e cresceram na Argentina, de onde partiram em novembro de 2019 para visitar seus pais no acampamento guerrilheiro. Além disso as autoridades afirmam que as meninas participaram dos confrontos e responsabilizou o PPE pelas suas mortes por ter recrutado menores para as suas fileiras, assinalando que eram filhas de alguns dos seus líderes.

Segundo denúncias das autoridades paraguaias, O EPP é um grupo armado responsável por homicídios e vários sequestros, incluindo o sequestro do ex-vice-presidente Óscar Denis em 9 de setembro deste ano.

Por sua vez, o Governo argentino, que confirmou que os menores tinham nacionalidade argentina, solicitou uma investigação dos fatos.

“Há graves irregularidades na investigação”, disse o diretor da Divisão das Américas da Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, que exigiu que o governo de Mario Abdo autorizasse a entrada de forenses argentinos para realizar uma autópsia nos corpos das mulheres. meninas e que as famílias das vítimas tenham “pleno acesso” às provas coletadas.

Entre as irregularidades apontadas pelo relatório, a que mais chama atenção é o fato dos corpos das meninas terem sido sepultados sem que a autópsia tivesse sido feita. Além disso, segundo a Human Rights Watch, os militares paraguaios queimaram as roupas das meninas e proibiram familiares de comparecer ao exame pericial dos restos mortais das vítimas.

Jornal Midiamax