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Após “doar” 2 milhões de comprimidos ao Brasil, EUA suspendem uso de cloroquina

Autoridades sanitárias dos Estados Unidos anunciaram nessa segunda-feira (15) a decisão de revogar “a autorização de uso emergencial que permitia que o fosfato de cloroquina e o sulfato de hidroxicloroquina fossem utilizados para tratar certos pacientes hospitalizados com COVID-19”. Agora, a recomendação só será incluída em um protocolo do governo caso haja comprovação científic...

Matheus Maderal Publicado em 16/06/2020, às 12h47

Imagem ilustrativa. (Foto: reprodução/Agência Pará)
Imagem ilustrativa. (Foto: reprodução/Agência Pará) - Imagem ilustrativa. (Foto: reprodução/Agência Pará)

Autoridades sanitárias dos Estados Unidos anunciaram nessa segunda-feira (15) a decisão de revogar “a autorização de uso emergencial que permitia que o fosfato de cloroquina e o sulfato de hidroxicloroquina fossem utilizados para tratar certos pacientes hospitalizados com COVID-19”. Agora, a recomendação só será incluída em um protocolo do governo caso haja comprovação científica de sua eficácia contra a covid e seu uso emergencial foi rejeitado.

A notícia vem poucas semanas depois de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciar que os americanos estavam doando 2 milhões de comprimidos do medicamento para malária ao Brasil. 

Tanto Bolsonaro como o presidente americano, Donald Trump, defenderam entusiasmadamente o uso do medicamento para pacientes com covid, mesmo que sua eficácia contra o novo vírus não tenha embasamento científico, com estudos preliminares indicando, inclusive, que a cloroquina pode aumentar a mortalidade de pacientes infectados pelo coronavírus.

Nos EUA, a imprensa americana levantou suspeitas sobre as intenções de Trump ao recomendar o uso da cloroquina, uma vez que alguns de seus assessores são acionistas da Sandofi, farmacêutica francesa que produz medicamentos à base do princípio ativo.

“Deixamos claro em toda a emergência de saúde pública que nossas ações serão orientadas pela ciência e que nossas decisões podem evoluir à medida que aprendermos mais sobre o vírus SARS-CoV-2, revisarmos os dados mais recentes e considerarmos o equilíbrio entre riscos e benefícios dos tratamentos para a COVID-19”, disse Anand Shah, Comissário Adjunto para Assuntos Médicos e Científicos da Administração de Alimentos e Drogas dos EUA (FDA, na sigla em inglês).

“A FDA sempre sustenta suas decisões com as evidências mais confiáveis, de alta qualidade e atualizadas disponíveis. Continuaremos a examinar todas as autorizações de uso emergencial que a FDA emitiu e faremos mudanças, conforme apropriado, com base em evidências emergentes”, afirmou.

“Enquanto estudos clínicos adicionais continuam a avaliar o benefício potencial desses medicamentos no tratamento ou prevenção da COVID-19, nós determinamos que a autorização de uso emergencial não era mais apropriada. Esta ação foi tomada após uma avaliação rigorosa por cientistas em nosso Centro de Avaliação e Pesquisa de Medicamentos”, disse Patrizia Cavazzoni, diretora interina do Centro de Avaliação de Medicamentos do FDA.

OMS

Também nesta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que deverá tomar uma decisão sobre a manutenção ou não dos testes sobre o remédio.

No mês passado, a organização informou que o uso da hidroxicloroquina estava suspenso no ensaio clínico internacional Solidariedade (“Solidarity”). A decisão foi baseada em um estudo publicado na revista científica The Lancet. 

O estudo concluiu que o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina em pacientes com coronavírus, mesmo quando associadas a outros antibióticos, aumenta o risco de morte e de arritmia cardíaca.

Jornal Midiamax