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Explosão deixa dois mortos durante passeata no leste da Ucrânia

O artefato explosivo continha pedaços de metal

Clayton Neves Publicado em 22/02/2015, às 16h42

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O artefato explosivo continha pedaços de metal

Duas pessoas morreram neste domingo em uma explosão durante uma manifestação no leste da Ucrânia, a 200 km da zona de combate com os rebeldes pró-Rússia, em um momento em que as duas partes haviam se comprometido a retirar armamento pesado da linha de frente.

A explosão em Kharkiv aconteceu durante a “marcha pela dignidade”, que celebra o aniversário de um ano da queda do ex-presidente Viktor Yanukovich, que deixou o poder após uma revolta popular liderada pelo movimento pró-Ocidente.

O procurador Yuri Danilchenko informou à imprensa que uma das vítimas fatais era um policial. Onze pessoas ficaram feridas, incluindo quatro policiais. A polícia considera que a ação foi um “atentado terrorista”, informou o ministério do Interior em um comunicado.


O artefato explosivo, que estava em uma bolsa de plástico escondida entre a neve na avenida Jukov, continha pedaços de metal, segundo o procurador, que acredita em uma ativação por controle remoto.

O atentado aconteceu em frente a um veículo estacionado na avenida Jukov, perto do palácio dos esportes da cidade, segundo testemunhas.

“Pensei que fosse uma bomba de efeito moral, mas as pessoas começaram a cair”, disse à AFP Igor Rasoja, um dos organizadores da marcha.

A “marcha pela dignidade” aconteceu em várias localidades do país para marcar o primeiro aniversário de Maidan, a revolta pró-Ocidente que provocou a queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovich.

A cidade de Kharkiv foi cenário nos últimos meses de uma dezena de explosões, consideradas “atentados terroristas” e que deixaram vários feridos.

Ao mesmo tempo, a tensão crescia na cidade portuária de Mariupol, depois que Kiev afirmou que 20 tanques russos estavam na localidade.
Ceticismo sobre a trégua

O ataque deste domingo aconteceu no momento em que o exército da Ucrânia e os rebeldes separatistas tentam salvar a trégua estabelecida, após a troca de prisioneiros no sábado, em meio a acusações dos dois lados.

Segundo os rebeldes, a retirada das armas pesadas poderia começar na terça-feira, após dois dias de preparação, mas Kiev insistiu no início imediato da operação. 

Mas a contínua violação do cessar-fogo, que entrou em vigor na semana passada, sobretudo depois que os rebeldes assumiram o controle da cidade estratégica de Debaltseve, no leste da Ucrânia, evidencia os temores sobre o cumprimento da trégua. 

Os acordos assinados na capital de Belarus, com a participação de Ucrânia, Rússia, Alemanha e França, previam um cessar-fogo total, a retirada das armas pesadas da frente de batalha, a libertação de prisioneiros e negociações para uma autonomia maior das regiões separatistas. 

Estados Unidos e Reino Unido examinam impor sanções adicionais à Rússia, que acusam de apoiar os separatistas, afirmou no sábado o secretário de Estado americano, John Kerry.

Apesar de Moscou negar uma intervenção na Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos adotaram uma série de sanções econômicas em represália ao suposto apoio russo aos separatistas. As medidas abalaram ainda mais a economia russa, já afetada pela queda do preço do petróleo.

Jornal Midiamax