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Crítica: ‘Animais Fantásticos’ resgata franquia com direção frouxa mas bons personagens

Confira mais uma crítica do MidiaMAIS

Daiane Libero Publicado em 21/11/2016, às 14h52

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Confira mais uma crítica do MidiaMAIS

Muitos anos após a finalização da saga "Harry Potter", da autora J.K. Rowling nos cinemas, o universo da magia foi trazido de volta no longa "Animais Fantásticos e Onde Habitam", que estreou em todas as salas de Campo Grande na última quinta-feira (17). O longa é baseado (e ao mesmo tempo não é) no livro de mesmo nome, lançado quando a saga literária ainda estava em produção. Porém, o filme cria um universo com elementos conhecidos mas totalmente novo. O livro em si é uma obra onde existe a descrição de várias criaturas mágicas e apenas isso. Já o filme nos leva por uma Nova York dos anos 20, através da viagem do magizoologista (uma espécie de naturalista para animais mágicos) Newt Scamander, interpretado por Eddie Redmayne.

O roteiro tem assinatura da própria autora da saga e é dirigida pelo mesmo cineasta dos quatro últimos filmes de Harry Potter, David Yates. Isso poderia ser um acerto, porém, a péssima direção e alguns exageros cênicos não chegam a comprometer a história, mas incomoda os fãs da saga mais apegados aos livros, como a repórter que escreve essa crítica. 

Isso porquê David Yates não dirige bem. Ele provou isso nos filmes "Harry Potter e a Ordem da Fênix", "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" e "Harry Potter e as Relíquias da Morte I e II". O tom teatral demais na interpretação dos atores, a direção de cena um pouco frouxa, acabam por deixar tudo meio caricato. Nada soa muito natural, o que é uma perda, pois nos livros J.K. Rowling consolida a proeza de fazer um mundo inventado parecer totalmente possível e natural. 

Na história, Newt Scamander aporta em uma Nova York da década de 20 em meio a um mundo mágico político muito complicado, onde o medo da magia é latente. Dentro da sua maleta estão os animais mágicos mais interessantes do mundo. Em meio a isso, pessoas estão sendo atacadas e mortas por uma força das trevas muito destruidora, e um investigador da chamada Macusa – o congresso norte-americano bruxo – está de olho nesse poder oculto. Após uma confusão com um trouxa, Newt terá que caçar algumas criaturas em fuga por uma cidade cinza e intolerante, feita de pedra e totalmente imersa no encanto dessa década tão especial. 

Violência e pena de morte

Conforme o que a autora já divulgou sobre o cenário dessa história, se na Europa os bruxos eram vistos com alguma tolerância, isso é muito diferente na América do Norte. Newt Scamander aporta em um mundo onde as pessoas são sentenciadas à morte por suspeita de bruxaria ou, no lado oposto, por confraternizarem com os não-majs (ou trouxas, as pessoas que não são dotadas do poder da magia). J.K. Rowling tem e teve a incrível habilidade de transportar assuntos muito importantes como preconceito, abuso de poder, autoritarismo e a ideia de que o Estado é corrupto, com maestria para dentro de sua obra. 

O filme tem referências muito interessantes sobre a década onde se passa, como por exemplo a Lei Seca que existiu nos EUA, a guerra e tantas outras coisas, indo também de encontro às referências culturais da época. Tudo isso dentro do universo da existência de um mundo bruxo. 

Animais fantásticos

O filme tem muitos pontos positivos até para os fãs mais chatos, e um desses pontos é a caracterização dos animais mágicos e os escolhidos para aparecerem no filme. Destaque para uma cena muito cômica e bacana onde Newt e o trouxa Jacob precisam capturar um "Erumpente", uma espécie de rinoceronte gigante cujo chifre tem propriedades explosivas. O bicho já apareceu antes na saga Harry Potter, nos livros, o que dá um sabor especial. 

Pelúcio, um dos 'animais mágicos' / Foto: Warner/Divulgação​Outro animal fantástico de destaque é o "Pelúcio", um bichinho parecido com um ornitorrinco que é louco por objetos brilhosos e de valor, e que dá um tom de humor muito legal para o filme, já que ele causa muita confusão se esbaldando em joalherias de avenidas clássicas de Nova York. 

Porém, a produção não se decide se fica na leveza desses animais maravilhosos e na simplicidade de Newt – e seu amor pelos bichos – ou se embarca na luta entre as trevas e a luz tão bem representada pela batalha entre Harry Potter e o bruxo das trevas Voldemort anos à frente e obras à frente. Parecem querer trazer tudo ao mesmo tempo para o mesmo filme, o que deixa o roteiro meio frouxo sem tanta credibilidade. Por isso a notícia de que serão cinco filmes dessa nova "franquia" é meio desanimadora, pois é bem visível a possibilidade de eles se descuidarem ainda mais nessa "liga" que daria um pouco de força ao roteiro. 

O grande vilão da franquia é o bruxo Gerard Grindewald, que no filme ficou a cargo de Johnny Depp e uma caracterição não muito boa, na verdade bem esquisita. O destino de Grindewald nós sabemos: ele foi derrotado por Alvo Dumbledore, o notório diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Parece que a franquia "Animais Mágicos" se propõe a contar essa história desde o começo. 

Lembrando que o filme se passa um bom tempo antes do surgimento, subida ao poder e queda de Lord Voldemort e de toda a história imaginativa que conhecemos com tanto carinho. Como a ligação entre essas histórias, que perduram no imaginário de toda uma geração, será feita, resta esperar. Com ansiedade e cautela, já que é possível que a retomada e criação de uma nova franquia esteja sendo feita apenas para angariar uma bilheteria avassaladora. Vamos confiar que a própria autora saiba medir tudo isso de uma forma mais leve. 

Jornal Midiamax