O sabor, definitivamente, não é comum, envolvendo uma mistura que leva batata, frango, temperos e até uvas-passas. Herança dos bolivianos, a saltenha se alastrou por diversas cidades de Mato Grosso do Sul, mas, é em Corumbá que o alimento, servido com mate chimarrão, é como se fosse o arroz com feijão do corumbaense, sendo também uma excelente opção para conquistar turistas.

“A saltenha é o nosso carro-chefe, é um alimento artesanal e corumbaense. E a combinação com o mate chimarrão eu sempre digo que é o nosso melhor produto. Estamos há 20 anos trabalhando com a saltenha, fomos aprimorando e experimentando a receita ao longo deste tempo. E é muito gratificante quando vemos uma geração que cresceu comendo saltenha, vai embora, volta nas férias e vem comer conosco. Os turistas também, é sempre isso que eles querem conhecer, experimentar”, afirmou ao MidiaMAIS a empresária Maria Teresa de Arruda, de 42 anos.

(Nathalia Alcântara/Jornal Midiamax)

Segundo Maria, que possui uma loja na região central de Corumbá e produz centenas de saltenhas ao dia, é importante frisar que, antigamente, era só os adultos que consumiam o produto. “Hoje os pais levam na loja e crianças de dois, três anos, já estão saboreando a saltenha. É uma tradição que vai seguindo. E aqui eu também fui aumentando a variedade, temos mais de 20 sabores de salgados, como pizza, enroladinho, esfirra, porém, o que é tradicional mesmo é a saltenha e a sopa paraguaia”, argumentou.

Maria, que trabalha com a sócia, Sandra Gomes, disse que também visita Campo Grande quinzenalmente e leva encomendas de saltenha. “Os clientes já pedem e, quando vou visitar minha filha que está fazendo faculdade, já levo os pedidos. Eu vendo a saltenha a R$ 7 e o mate a R$ 8, então, a combinação sai R$ 15. Assim como a saltenha, que tem uma receita nossa, a bebida também é artesanal, então, a gente sempre fala que este é o nosso melhor produto e a melhor combinação”, finalizou.

(Nathalia Alcântara/Jornal Midiamax)

Quer fazer na sua casa? Veja aqui uma receita de saltenha:

Para a massa, você vai precisar de uma colher de sopa de sal e mais uma de colorau, um ovo, 800 gramas de farinha de trigo sem fermento peneirada, uma colher de sopa de açúcar, 200 gramas de manteiga derretida, duas gemas para pincelar e água morna até dar o ponto.

Para o recheio, você vai precisar de três dentes de alho, 1/2 pimentão amarelo, três colheres de óleo para refogar, cominho a gosto, uma cebola pequena picada, 50 gramas de uvas-passas, dois ovos cozidos picados, três batatas médias cozidas e picadas em pequenos pedaços, três colheres de sopa de molho de tomate, 1/2 pimentão vermelho, 100 gramas de azeitona verde ou preta inteiras e sem caroços, um tablete de caldo de galinha, sal e pimenta calabresa a gosto.

Modo de preparo: Primeiro pegue o sal, a farinha de trigo e o açúcar, misture bem e reserve. Em seguida, derreta a manteiga e, quando ela estiver completamente derretida, acrescente o colorau e misture bem.

Despeje a manteiga com o colorau aos ingredientes e junte o ovo. Misture tudo e vá adicionando água morna aos poucos, até o ponto correto, que é quando a massa começar a soltar das mãos.

Cubra e reserve. Enquanto ela estiver descansando, vá fazer o recheio.

Inicie refogando o alho, a cebola e os pimentões. Coloque o frango em seguida e deixe dourar, colocando um pouco de água para cozinhar os ingredientes. Depois, desfie o peito de frango e coloque o tablete de frango com a pimenta, o molho de tomate e o cominho.

Acrescente as batatas, as passas, as azeitonas e, por último, quando o molho estiver pronto, adicione os ovos picados (lembrando que o molho tem que ficar bem sequinho). Deixe reservado e estique a massa enquanto o recheio está esfriando.

Com o auxílio de um prato de sobremesa ou algum objeto circular, corte a massa, recheie e feche como se fosse um pastel em meia-lua. O próximo passo é ir dobrando a borda da massa, fazendo um zigue-zague. Por último, pincele a geme e leve ao forno por cerca de 40 minutos. Bom apetite!