História de pescador? Viral em todo o Brasil, circula nas redes sociais um vídeo de uma imensa sucuri vomitando outra serpente da mesma espécie, vivinha da Silva. Com a repercussão, várias páginas na web estão afirmando que as imagens foram feitas em Mato Grosso do Sul, mas será que essa informação realmente procede?

Diante dos boatos, o Jornal Midiamax contatou o pescador responsável pelo flagrante inédito de uma sucuri regurgitando outra menor. De acordo com Marcelo Parreira, responsável pela gravação, o flagra aconteceu em Goiás e não em MS.

“Esse vídeo eu gravei no Rio Verdinho, uma represa entre as cidades de Itarumã e Caçu”, disse ele à reportagem. Desse modo, o fato do município ter um rio chamado Rio Verde pode ter provocado a confusão sobre a real localidade da filmagem, já que Mato Grosso do Sul tem uma cidade com o nome Rio Verde de Mato Grosso.

Além disso, apesar de ter viralizado nos últimos dias, Marcelo esclarece que se deparou com a cena atípica no início do mês de fevereiro. Ele postou um trecho no TikTok que, desde então, não para de ser compartilhado. Para deixar claro que é o autor do vídeo, o pescador então decidiu, só em abril, publicar o momento completo, sem cortes, em seu canal no YouTube.

Veja:

Sucuri vomitando sucuri outra não é história de pescador

Acostumado a presenciar momentos preciosos da natureza, Marcelo, no entanto, ainda não consegue acreditar no que aconteceu diante de seus olhos. “Fiquei sem entender nada, apenas contemplei. Sem dúvida nenhuma é um presente de Deus e da natureza, acredito que uma cena rara de se ver”, comenta o pescador e youtuber.

As imagens são realmente impressionantes. Em fevereiro, enquanto gravava um dia simples de pescaria para seu canal, Marcelo Parreira se deparou com uma sucuri gigante vomitando uma sucuri menor, que ainda estava viva e saiu rastejando, como se nada tivesse acontecido.

“Se não filmasse, seria apenas história de pescador”, escreveu o goiano no título da gravação, prevendo que ninguém acreditaria se o vídeo não fosse a prova.

Canibalismo sexual de sucuris

Pelos tamanhos das serpentes que aparecem no vídeo, biólogos acreditam que a sucuri canibal é uma fêmea, enquanto a menor, que saiu de dentro da outra, é um macho. Além disso, ao que tudo indica, o vídeo de Marcelo pode ter registrado a prática de canibalismo sexual de sucuris.

Alvo de fascínio, curiosidade e interesse geral, sucuris também são canibais. Conforme o biólogo Daniel De Granville, conhecido por conviver com essas cobras por mais de 14 anos em Mato Grosso do Sul, este comportamento não ocorre sempre, é algo ocasional, e leva o nome de canibalismo sexual de sucuris.

O termo “canibalismo sexual”, segundo De Granville, se deve ao fato da selvageria de se alimentar da própria espécie ocorrer após o acasalamento e ser praticado, especialmente, pelas fêmeas, que matam e devoram o macho assim que a cópula termina.

Mas, por que fêmeas matam e comem os machos depois do acasalamento? A explicação é bem simples. “Durante o período de gestação (que dura entre 6 e 7 meses), as fêmeas não se alimentam, pois precisam deixar espaço em seus corpos para o desenvolvimento dos filhotes, já que elas não botam ovos. Então, após o acasalamento, a fêmea pode se alimentar de um dos machos como uma última fonte de energia antes deste longo jejum”, esclarece Daniel ao Jornal Midiamax.

Quanto ao caso do vídeo desta reportagem, não é possível afirmar, mas todas as circunstâncias apontam para um malsucedido canibalismo sexual de sucuris. No flagra viralizado, o macho teria conseguido, de alguma maneira, escapar da morte, fazendo a fêmea o regurgitar antes que fosse tarde. E ainda saiu “feliz” e “espoleta” após quase morrer devorado pela parceira.

Avessas ao amor?

Além de devorarem seus parceiros e pais de seus filhos, as sucuris fêmeas também não possuem qualquer instinto materno. “Pelo que se sabe dos estudos, não há cuidado parental. Os filhotes nascem e rapidamente já se dispersam, precisam começar a se virar logo após o nascimento”, pontua o biólogo.

Os pais, por sua vez, podendo ser assassinados, também não chegam a desenvolver laço afetivo com os filhos. “Em tese não há qualquer contato, já que os encontros entre as fêmeas e machos geralmente ocorrem apenas durante a época de reprodução. Durante a gestação, elas ficam solitárias e escondidas”, detalha o especialista em sucuris ao MidiaMAIS.

“Não existe aquele cuidado que a gente costuma ver em pássaros ou mamíferos, por exemplo, onde os pais (ou apenas a mãe, dependendo da espécie) fornecem alimento aos filhotes até que eles consigam sobreviver por conta própria. Este pode ser um dos motivos pelos quais as sucuris têm uma quantidade muito maior de filhotes (em média 30) do que um tucano ou uma onça, por exemplo, já que uma porcentagem pequena conseguirá atingir a vida adulta”, finaliza ele.

Primeira foto de canibalismo sexual de sucuris

A primeira foto que registrou o canibalismo sexual de sucuris no mundo foi feita em Mato Grosso do Sul, no ano de 2012. Imagens capturadas pelo fotógrafo Luciano Candisani, no fundo do brejo do Rio Formoso, em Bonito, são impressionantes e foram parar até na National Geographic.

O registro fantástico mostra uma sucuri-verde estrangulando o seu parceiro após a cópula — chamada popularmente de “sexo selvagem”.

Confira:

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