Quem viveu na década de 90 provavelmente se lembra das fitas VHS, que eram reproduzidas pelo aparelho videocassete. Nesta época, eventos familiares importantes, como aniversários, casamentos e formaturas, eram gravados no formato VHS, bem como programações de televisão, que podiam ser assistidas mais tarde.

Com o avanço da tecnologia – do DVD, passando pleo bluray e finalmente chegando às plataformas de streaming – o formato ficou obsoleto, e aparelhos de videocassete são raros de serem encontrados hoje em dia. O que fazer, então, para ter acesso aos conteúdos que foram gravados em VHS e ficaram guardados em casa, passando até entre gerações?

A boa notícia é que as relíquias que você pode ter guardado no armário podem, sim, serem assistidas, mesmo que você não tenha um aparelho de videocassete. Para isso, é preciso fazer a conversão do VHS.

Inicialmente, esse procedimento era feito para o DVD – que com o passar dos anos, também foi se tornando ultrapassado, sendo substituído por arquivos digitais. Logo, atualmente, conversão do VHS segue sendo realizada, mas os arquivos, agora, são salvos em pen drives ou na própria memória do computador.

Quem ainda executa esse serviço em é Paulo Henrique, de 50 anos. Ao Jornal Midiamax, ele conta que a atividade começou quando ganhou uma câmera importada do nos anos 80, e passou a ter como hobby filmar eventos de sua família. Na vanguarda da cinegrafia amadora, aprendeu vários truques, que permitiram, anos mais tarde, que Paulo atuasse na área de digitalizações.

A necessidade era de digitalizar seu próprio acervo de vídeo e áudio (em VHS e fita cassete, respectivamente), a fim de preservar e armazenar melhor suas fitas, que ocupavam muito espaço. Com os anos, o que era para fins pessoais, tornou-se o trabalho de Paulo.

“Após me dedicar anos ao árduo trabalho de digitalização para fins pessoais, naturalmente aprimorei as técnicas e a melhoria dos meus equipamentos utilizados nas minhas próprias conversões. Foi aí que passei a oferecer este trabalho comercialmente, algo por volta de 1997”, explica.

Paulo trabalha com conversões na Payakan Digitais. (Reprodução, arquivo pessoal)

Adaptações do VHS para novas tecnologias

Após a invenção do DVD, a procura nos anos 2000 era por profissionais que fizessem a transcrição do VHS para esse novo formato. Com o DVD ficando também obsoleto, Paulo conta que, hoje em dia, costuma entregar seus serviços em um link do Google Drive, para que o cliente faça o download do arquivo e opte por armazenar em um pen drive ou manter na própria memória do computador.

“No passado, as pessoas vinham com a fita VHS e pediam para passar para DVD, que ficou obsoleto também. Hoje eu passo o arquivo MP4 por Google Drive, e a pessoa baixa e guarda na memória do computador ou em um pen drive”, explica.

Em casos de áudio, gravados em fita cassete ou disco de vinil, Paulo conta que o procedimento é o mesmo, porém o arquivo é entregue em formato MP3.

Com a chegada das televisões de LCD e LED, os mais atuaius, o profissional teve que reinventar técnicas e processos para se manter no mercado. Isso porque as imagens gravadas em VHS, quando transmitidas em um aparelho de alta resolução, mostram imperfeições que antes não eram notadas.

“A resolução da época nas TVS de Tubo eram muito baixas (320×240 pixels), e já nas TVs de LCD ou LED eram muito altas (1920×1080 pixels), o que gerava uma sensação de estranheza de baixa qualidade das imagens”, explica.

Aliado a isso, um fato que poucos sabem é que as fitas de videocassete ou filmadoras duram em média 20 anos. Após esse período, começam a perder qualidade. Então, o trabalho de digitalização de Paulo envolve também uma recuperação do vídeo, “quase como passar um photoshop”. O processo é chamado de remasterização.

Tempos de ‘vacas gordas’ para os conversores

Trabalhando há 15 anos no ramo, o digitalizador, César Wladimir Palácios, observava o trabalho dos editores de converter o VHS para DVD, no auge do formato, e teve a ideia de comprar um aparelho de gravador portátil e começou a usar para fazer as conversões.

“Como era um valor muito caro fazer conversões, eu comprei um aparelho de gravador portátil, que na época só tinha em São Paulo. Comprei pela internet e demorou bastante para chegar, e comecei a usá-lo. No começo era conversão para DVD, hoje é por arquivo, mesmo”, conta.

Quando César começou a atuar na área, a procura era grande. Com o tempo, naturalmente, tornou-se mais raro. “Eu vivi uns 3 anos só de VHS, minha vida foi baseada nisso. Era fotografia à noite no e VHS durante a semana. Foram tempos de vaca gorda, só vivendo de conversão”, explica.

Conversões
César trabalha com conversões há 15 anos. (Reprodução, arquivo pessoal)

Com a quantidade de serviços por cliente, os valores eram mais baixos. César conta que chegou a fazer conversões por R$ 5, dependendo do total de fitas que o cliente levava. Hoje em dia, a conversão custa em torno de R$ 40 por unidade.

“A demanda era muito grande. Para ter ideia, eu colocava um ventilador perto dos videocassetes porque esquentava demais, e limpava um videocassete para deixar o outro funcionando, e os demais esfriando. Era uma média de 8 a 10 VHS por dia”, comenta.

A cada cliente, uma nova história

Os clientes que mais costumavam procurar pelo trabalho de César, no auge de sua carreira como conversor, eram pessoas que tinham fitas de eventos familiares gravados em VHS. O profissional lembra que a cada atendimento, ele presenciava uma nova história de vida.

A história que mais o marcou foi uma senhora que levou até ele as fitas que o irmão falecido guardava em sua casa. Como os entes queridos, inclusive o irmão, todos falecidos em um acidente de carro, o desejo era rever os vídeos dos eventos familiares e ‘matar a saudade’.

“Eu converti todas as fitas para ela, mais ou menos 60 fitas. Ela não chegou a assistir nem dois vídeos que eu converti, e acabou morrendo de câncer. Essa foi uma história, de várias que aconteceu. Cada convergência é uma história diferente”, finaliza.

Serviço

Payakan Digital

César Palácios

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