Rica e com forte atuação feminina, a produção audiovisual indígena é vasta no Brasil e uma cineasta de MS ajuda a contar essa história. Graciela Guarani, da aldeia Jaguapiru, Guarani Kaiowá, integra a Katahirine, primeira rede de mulheres indígenas que se dedicam ao audiovisual no Brasil.

A rede feminina dos grupos indígenas foi lançada no último fim de semana, em uma live no canal do Instituto Catitu, com participação da Ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara.

O projeto do qual a sul-mato-grossense faz parte une 71 mulheres de 32 etnias. Graci Guarani, aliás, é diretora do Falas da Terra, da TV Globo, que deu destaque aos povos originários em uma série especial sobre os indígenas.

Sul-mato-grossense, Graci Guarani lutou muito para ter espaço na produção

Ela também é uma das diretoras da série Cidade Invisível da Netflix e este ano lança seu longa-metragem Horizonte Colorido. Para Graci, a iniciativa de criar a rede pode colaborar para ampliar a produção audiovisual das indígenas.

“Acredito que a iniciativa pode ser um pequeno passo para podermos existir estatisticamente, pois é uma das demandas, poder reverberar estas produções também em catalogações, fazendo com que as iniciativas circulem e que as pessoas possam vir a conhecer mais sobre estas produções e suas criadoras. É uma iniciativa ainda que tímida e com um fôlego ainda no início, porém única no Brasil, e espero que tome corpo”, declarou a sul-mato-grossense à Agência Brasil.

Atualmente, Graci Guarani mora em Pernambuco. Ela começou a produzir para o audiovisual há 15 anos. “Os meus projetos autorais foram por um longo tempo produzidos sem qualquer incentivo. Hoje, depois de muita luta, estou conseguindo acessar alguns lugares onde posso desenvolvê-los com um pouco mais de dignidade, porém ainda está longe de poder alcançar o que de fato é o mínimo, emplacá-los em veículos de mercado/indústria”, disse Graci na entrevista.

Origem da palavra Katahirine

Katahirine é uma palavra da etnia Manchineri que significa constelação. E, assim como o próprio nome sugere, é a pluralidade, conexão e a união de mulheres diversas que se apoiam e promovem mulheres indígenas no audiovisual brasileiro.

Dessa constelação participam mulheres de todos os biomas, de diferentes regiões e povos, mulheres indígenas que se uniram com o objetivo de fortalecer a luta dos povos originários por meio do audiovisual.

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