A classe artística de está em luto pela morte de Aracy Balabanian, nesta segunda-feira (7). Nascida em , sempre exaltou o Estado e retornou algumas vezes, não só para inaugurar teatros em seu nome como visitar a antiga casa, localizada na rua Barão do Rio Branco, região central da cidade.

“A Aracy foi uma pessoa muito importante na dramaturgia brasileira, com sua carreira que começou no início dos anos 60, em 62 ou 64, se eu não me engano. Filha de imigrantes armênios, que vieram trabalhar no comércio de Campo Grande, estudou ciências sociais e depois EAD [Escola de Artes Dramáticas]. Foi uma artista que se dedicou a televisão e ao , sempre levando o nome de Campo Grande para todo o país. É alguém que dedicou a vida as artes dramáticas”, afirmou ao Jornal Midiamax o ex-diretor da FCMS e aluno de doutorado em educação, arte e história da sul-mato-grossense, José Francisco Ferrari, o Zito.

A jornalista e escritora Lenilde Ramos, que foi diretora de Difusão Cultural na primeira secretaria de cultura, criada no Estado em 1986, disse que teve o prazer de conhecer Aracy pessoalmente, na época em que trabalhava com Humberto Espíndola e ele sugeriu nomear um dos teatros com o nome da artista.

Antigo Fórum foi reformado e teatro levou o nome de Aracy Balabanian

O Humberto foi o primeiro secretário e reformou o antigo Fórum, que hoje é o Centro Cultural José Octávio Guizzo, na Rua 26 de Agosto. Ele construiu o Teatro Aracy Balabanian e, na época, a Aracy veio para a inauguração.

O músico Geraldo Espíndola, ao contrário do irmão Humberto, não conheceu a artista, porém, disse que a adorava e admirava muito. “Sinto muito”, disse. Assim como ele, em poucas palavras, também resumiu a escritora, jornalista, cineasta e coordenadora do MIS-MS (Museu da Imagem e Som), Marinete Pinheiro.

“Uma atriz fenomenal, ímpar. Encarava qualquer papel com muita naturalidade, cativando o público. Uma grande perda para o Brasil”, afirmou.

Fundação de cultura emitiu nota de pesar:

Dona Armênia, Cassandra e Rainha da Sucata inesquecíveis

Personagens de Aracy são inesquecíveis. (Redes Sociais/Reprodução)

Ao falar dos personagens inesquecíveis, o produtor cultural Thiago Coutinho, de 41 anos, relembra Dona Armênia, da Rainha da Sucata, e Cassandra, do Sai de Baixo. “Ela era referência para o pessoal do teatro e sempre foi um grande ícone pra nós sul-mato-grossenses, por ser daqui da nossa terra”, opinou.

Fã da atriz, o engenheiro aposentado Danillo Cesco, de 82 anos, também foi embora da capital sul-mato-grossense na juventude e sempre acompanhou a atriz. Nas lembranças, fala de uma entrevista em que ela falou de Campo Grande para todo Brasil e comentou sobre a estação ferroviária da cidade.

“A Aracy Balabanian – pelo sobrenome terminado em ian já dá para saber que é de ascendência armênia. Sua família tinha uma sapataria, se eu não me engano, creio que ficava na rua Dom Aquino. Em 1955, mudaram-se para , assim como eu, que mudei há muitos anos, mas, sempre acompanhei o trabalho dela”, contou Cesco.

Diagnosticada com câncer no pulmão

Aos 83 anos, a atriz Aracy Balabanian morreu na manhã desta segunda-feira (7). Natural de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, foi diagnosticada com câncer no pulmão no fim do ano passado e estava internada na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro.

A atriz não era vista em um projeto inédito desde 2019, quando fez uma participação especial de fim de ano da TV Globo, “A Magia Acontece”.

Campo-grandense, Aracy Balabanian tem origem Armênia. Seus pais vieram do país asiático em fuga do genocídio que ocorrera na região na década de 1930. Eles então fixaram residência na cidade, que antes pertencia ao Mato Grosso, e foi neste município que ela e seus irmãos nasceram.

Aos quinze anos, no entanto, mudou-se para São Paulo com os sete irmãos. Por lá, seguiu carreira como atriz e fez grandes novelas, especialmente na TV Globo.