‘Surpresa muito triste’, diz diretora do Metrópoles após exposição sobre Klara Castanho

Diretora foi criticada nas redes sociais; internautas pedem demissão de colunista após exposição da atriz
| 26/06/2022
- 09:02
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Klara Castanho foi vítima de estupro, que resultou em gravidez. Foto: Reprodução | Redes Sociais.

No final da noite deste sábado (25), a diretora de redação do portal Metrópoles, Lilian Tahan, se pronunciou sobre a exposição e violação do processo de Klara Castanho. “Surpresa muito triste”, escreveu nas redes sociais, onde foi cobrada sobre providências em relação ao colunista que escreveu o artigo sobre a jovem de 21 anos, que foi vítima de estupro.

“Estive fora do ar por algumas horas. Ao voltar, uma surpresa muito triste. Expusemos de forma inaceitável os dados de uma mulher vítima de violência brutal. A matéria foi retira do ar”, publicou Lilian no Twitter. Na plataforma, os internautas questionaram o ‘sumiço’ da diretora do Metrópoles e apontaram a diretora de redação como ‘responsável’ e ‘cúmplice de um crime hediondo’.

Entre os internautas, a Eliana Alves Cruz destacou que o responsável pela violação do processo de Klara não foi demitido. “Dormi e acordei sem um texto decente de desculpas às pessoas atingidas e sem a notícia da demissão do carniceiro colunista”, criticou à diretora. “Apostam no cruel esquecimento tão normal no Brasil”, lamentou Eliana.

Exposição

A atriz Klara Castanho sofreu exposição feita pelo colunista , do Metrópoles, que compartilhou a história em partes da gestação da global sem citar nomes. No entanto, o assunto tomou tamanha proporção que a própria vítima se pronunciou, relatando de forma profunda a dor e circunstâncias da gestação, fruto de um estupro vivido pela jovem.

“Fui estuprada. Relembrar esse episódio traz uma sensação de morte, porque algo morreu em mim. Não estava na minha cidade, não estava perto da minha família nem dos meus amigos”, relatou. A atriz ainda tentava superar a violência que sofreu, quando o sigilo foi quebrado pelo colunista.

“Tive a ilusão de que se eu fingisse que isso não aconteceu, talvez eu esquecesse, superasse. Mas não foi o que aconteceu”, escreveu Klara. A global disse que tomou pílula do dia seguinte e fez exames após o estupro, no entanto começou a passar mal meses depois. “Foi um choque, meu mundo caiu. Meu ciclo menstrual estava normal, meu corpo também. Eu não tinha ganhado peso nem barriga”, relembrou sobre a descoberta da gravidez.

A gestação foi descoberta nas últimas semanas, assim a atriz — que poderia ter realizado aborto legal segundo a legislação brasileira — decidiu ter a criança e coloca-lá para adoção. “Passei por todos os trâmites: psicóloga, ministério público, juíza, audiência - todas as etapas obrigatórias”, explicou sobre a decisão. No entanto, ao acordar após o parto, Klara disse que foi ameaçada por profissionais da saúde, que afirmaram que poderiam vazar a história.

“Quando cheguei no quarto, já havia mensagens do colunista, com todas as informações. Ele só não sabia do estupro”, relatou sobre o momento que ainda estava com anestesia. A atriz disse que foi procurada por outro colunista depois e explicou a situação da violência, assim como para o outro.

“Bom, agora, a notícia se tornou pública, e com ela vieram mil informações erradas e ilações mentirosas e cruéis. Vocês não têm noção da dor que eu sinto. Tudo o que fiz foi pensando em resguardar a vida e o futuro da criança”, compartilhou a jovem.

Colunista

Após as cobranças e posicionamento de Klara Castanho, Léo Dias se pronunciou em post do Instagram — que foi removido logo após. Em publicação da UOL, trecho que havia sido compartilhado pelo colunista diz que “a decisão entre tornar público ou deixar em silêncio algumas pautas envolve mais do que a ética ou a fofoca, nos traz a oportunidade de repensar o sofrimento silenciado por mães, por vítimas de abuso e crianças”.

Ele ainda afirmou que “já sabia há muito tempo” da história de Klara. Após a declaração por um tweet da diretora do Metrópoles, Léo compartilhou nas redes sociais o posicionamento de Lilian, que informou ter tirado do ar o artigo assinado por ele.

Logo após, o colunista voltou à atividade normal das redes sociais, compartilhando artigos sobre outros famosos e até tentando engajamento nas redes sociais. Léo até compartilhou que estava ‘com duas das três matérias mais lidas do Metrópoles”.

Cobrança para diretora

Os internautas estão bombardeando desde a noite de sábado (25) as redes sociais de Lilian, cobrando a demissão de Léo Dias. “Lilian isso foi CRIME, o minimo que o @Metropoles tinha que fazer, era demitir e tirar coluna do Leo Dias do ar. ERA O MINIMO”, escreveu um deles após a diretora compartilhar o tweet.

“Fofoca não é jornalismo. Só que isso aí não foi nem fofoca, nem jornalismo. Foi uma série de crimes, a começar de quem vazou no hospital”, destacou outro internauta no perfil da diretora do Metrópoles.

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