Através de quantas vidas se constrói uma história? E o que carregamos daqueles que vieram antes de nós? Foi na busca por essas respostas que o advogado criminalista campo-grandense Carlos Magno Couto, 60, intercalou a rotina das argumentações jurídicas com a pesquisa sobre suas origens.

A escrita literária não é novidade na vida de Carlos Magno Couto. Cronista recorrente na imprensa de MS, o advogado já presenteava leitores com trechos valorosos de suas vivências. Agora, após grande imersão, seu trabalho resulta na publicação da obra “Couto, de Lisboa à Capitania de Mato Grosso desde 1781”, publicado pela Life Editora, e que narra detalhes e curiosidades de mais de dois séculos de história familiar.

A longa e secular história se mescla com os caminhos percorridos para a edificação do presente dos sul-mato-grossenses. Isso porque a pesquisa familiar traz um recorte cronológico desde quando os tataravós do autor, Firmino Ferreira de Couto e Feliciana Ferreira do Couto, chegaram do além-mar à Capitania de Mato Grosso em 1781 até o firmamento de suas raízes no Brasil.

Na história recente, já no desbravar do Sertão Brasileiro, a obra também retrata a vida de Benedito de Campos Couto – o Coronel Couto – pai de Carlos Magno e reconhecido pela atuação frente às forças policias na parte sul do antigo Mato Grosso, que hoje corresponde ao território do estado criado em 1977.

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O advogado Carlos Magno Couto | Foto: Divulgação

O ano de 2022, vale ressaltar, marca 50 anos da morte trágica do coronel, ocorrida em 20 de julho de 1972. “Nasci no dia 15 de junho de 1962, de pais que se amaram para sempre. No dia 20 de julho de 1972, aos 10 anos de idade fiquei marcado por uma adversidade, por uma enorme tragédia, quando balas bandoleiras mataram meu pai”, diz, antes de anunciar nova data significativa. “No dia 16 de julho de 1978, renasci, ao encontrar nos sertões da Euclides da Cunha, no então, Mato Grosso, uma garota de Ipanema, que se tornou mãe de meus 4 filhos”, acrescenta o advogado, que no último dia 15 de junho completou 60 anos.

Os Couto de Portugal

A busca pelas origens contou com uma grande travessia, em Portugal. Lá, a pesquisa genealógica o direcionou às cidades de Lisboa, Algarve e Sagres – foi no Velho Mundo, portanto, que a última letra de “Couto, de Lisboa à Capitania de Mato Grosso desde 1781” foi escrita.

“Diante do mar português, de onde meus ancestrais paternos vieram, (…) parto para novos descobrimentos ao lado de parentes e amigos, vivos ou mortos, que sempre foram, ainda que não soubessem, o alicerce e o fundamento daquele menino que achava que também havia sido ferido de morte pelas mesmas balas assassinas que mataram seu pai, que morreu de pé, naquela tocaia fatal”.

Couto ainda anuncia outra obra, com a perspectiva de também tradicional família de MS, da qual faz parte sua genitora. “Após 60 dias aproximadamente, [entrego] um outro pequeno livro denominado “Guizzo Nostrum” de Selva ao Mato Grosso”.

Assim como está habituado a fazer nas peças jurídicas, o advogado Carlos Magno Couto ainda completa a defesa de sua busca com citação à “jurisprudência” incontestável, citando o autor português José Saramago, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1998. “O que extingue a vida e os seus sinais não é a morte, mas o esquecimento”, conclui. (Colaborou Graziela Rezende)