Forçadas a sair de casa por conta de conflitos, violência e perseguições, a estimativa é que ao menos 100 milhões de pessoas tenham se tornado refugiadas neste ano de 2022, principalmente após a guerra na Ucrânia, conforme a ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados). Com os direitos humanos violados, são os projetos voluntários que, na maioria das vezes, trazem um pouco de conforto. 

É o caso da ajuda humanitária da FSF (Fraternidade sem Fronteiras), de Campo Grande, que possui dois projetos e acolhe cerca de 4 mil refugiados no Brasil e na África. Nestes locais, são feitas ao menos 30 atividades cotidianas para tentar amenizar um pouco o sofrimento destas pessoas. 

Casas construídas para projeto voluntário. Foto: FSF/Divulgação

O primeiro deles, um “coração que acolhe”, ocorre no estado de Roraima, região norte do Brasil. Iniciado em outubro de 2017, foi criado após aumento significativo do fluxo migratório da Venezuela, entrando de forma ilegal e legal, por aquela região, em território brasileiro. 

No entanto, ao chegar, viviam em  situação de vulnerabilidade, sem casa e sem comida, nas ruas, principalmente, de Pacaraima e Boa Vista, onde estão as frentes de atuação do projeto.

Desta forma, foram criados três Centros de Acolhimento em Boa Vista, um Centro de Referência e Capacitação em Pacaraima e o Setor de Interiorização que atua nos dois municípios. São cerca de 5 mil refugiados e migrantes, indígenas e até brasileiros que já foram atendidos pelo projeto.

Venezuelanos estão trabalhando em frigorífico de MS

Venezuelanos uniformizados e preparados para recomeçar “nova vida”. (Foto Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

O Jornal Midiamax recentemente mostrou, com exclusividade, a chegada de dezenas de venezuelanos em Mato Grosso do Sul.

Instalados no município de Rochedo, a 84 quilômetros de Campo Grande, eles formam uma espécie de colônia e estão trabalhando, em sua maioria, em um frigorífico da cidade.

Muitos já conseguiram inclusive trazer parentes e disseram que pretendem fixar moradia, construir carreira e viver em paz até que tenham condições de voltar à terra natal.  

Projeto na África tem de escola a oficinas profissionalizantes

O segundo é o “Nação Ubuntu”, no Malawi, continente africano. Iniciado em 2018, a Fraternidade sem Fronteiras instalou a estrutura do projeto com um centro de acolhimento, além de escola, creche, casas, lavouras, salas para oficinas profissionalizantes, capacitação profissional e oportunidade laboral. 

Em quatro anos, são quase 500 pessoas atuando, entre colaboradores e voluntários. Neste caso, são ao menos mil pessoas acolhidas, por mês, com mais de 10 mil refeições servidas diariamente. 

Pessoas atendidas pelo projeto. Foto: FSF/Divulgação

Na Escola Ubuntu, por exemplo, a partir de agosto, quando retoma o ano letivo, serão 500 crianças matriculadas que receberão uniformes, materiais escolares e duas refeições. Atualmente, duas creches foram construídas para atender os bebês de até 3 anos dos acolhidos. Cada uma recebe até 60 bebês. Um terceiro espaço está em fase de finalização.

Sobre a Fraternidade sem Fronteiras

A ONG (Organização Não Governamental) Fraternidade sem Fronteiras possui sede em Campo Grande e atuação brasileira e internacional, com atuação em oito países, considerados inclusive “um dos mais pobres do planeta”. São ao todo 74 polos de trabalho, mantidos com doações e “apadrinhamentos”.