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“Tamanho do meu sonho”, celebra doceira que expandiu negócio 4 anos após sair da Feirona

Anita, como é conhecida, saiu da Feirona em 2017 após décadas de trabalho. Hoje, ela celebra as conquistas que vieram desde então

Nathália Rabelo Publicado em 15/11/2021, às 09h01

Anita foi a primeira pessoa a montar barraca de doces na Feira Central de Campo Grande, em 1987
Anita foi a primeira pessoa a montar barraca de doces na Feira Central de Campo Grande, em 1987 - (Foto: Leonardo de França/Midiamax)

A Feira Central é uma rota gastronômica indispensável para turistas e moradores de Campo Grande. Espaço consagrado no coração de muitas pessoas pelas manifestações culturais, shows e por vender o tradicional sobá, Maria Eronita Batista, de 54 anos, também fez história na hora de adoçar a vida de muita gente que passava por lá. 

Há 30 anos com uma tradicional barraca de doces no extenso corredor, ela resolveu dar um passo além em 2017, quando saiu de lá para se dedicar inteiramente ao novo espaço “Anita Doces”. Quatro anos depois, ela comemora que o seu maior desejo foi concretizado.

A história de Anita, como é popularmente conhecida ao redor da cidade, começou na Feira Central em 1987. Recém-chegada de Santa Catarina, vender doces foi a atividade que encontrou para se sustentar. Primeiro, vieram os clássicos bombons e, então, os bolos. E detalhe: ela aprendeu a cozinhar tudo sozinha.

“O cliente comprava suas verduras, comia seu sobá e queria adoçar o paladar. Foi quando comecei a vender esses bombons. Depois que as tortas surgiram”, revelou. O negócio cresceu tanto que ela criou uma loja física na antiga casa onde morava. Por muito tempo, a empresária tocou ambos os negócios, até chegar a hora de se despedir de um.

“Eu tive que sair da feira porque meu foco nunca foi um empreendimento grande, então eu não consegui conciliar as duas coisas. Aí chegou um tempo que ficou muito complicado, muito trabalho e eu vi que estava perdendo aquela coisa do gourmet e não era o que eu queria”, afirmou a doceira ao Jornal Midiamax.

Assim, passou a trabalhar no próprio espaço. Os anos se passaram e a pergunta que não quer calar é: após tanto tempo, como está a tradicional boleira de Campo Grande? Aqui, você encontra a resposta.

Anita afirma que não poderia estar mais feliz com a história vivida até então. Afinal, é com a venda de doces que ela consegue viajar, ser dona da própria empresa, pagar os boletos e estar prestes a formar a filha, de 22 anos, em Medicina.

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Anita começou a vender doces na Feira Central para se sustentar (Foto: Leonardo de França/Midiamax)

“Eu fechei a feira com uma dorzinha no coração há quatro anos e foquei só aqui na loja. Está bem gostoso porque eu nunca tive intuito de fazer nada grande. Tenho maior respeito e admiração por quem gosta, mas para mim não. Eu sempre quis isso e meu sonho está realizado. Estar aqui, para mim, não é pequeno e nem grande. É do tamanho do meu sonho”, se emociona.

Os doces de Anita sempre chamaram muita atenção em Campo Grande, mas foi na pandemia que o sabor foi colocado à prova.

Assim como a maioria dos negócios, a doceria de Anita não escapou das dificuldades ocasionadas pela Covid-19. Entre tantas mudanças que precisou adotar, a mais difícil foi se acostumar com a distância.

“Teve uma época da pandemia que foi bem complicado, a gente teve que diminuir e fecharam para o público. A gente não sabia o que estava vindo, o que estava acontecendo. Então, eu cheguei a fechar 15 dias e depois reabri com dois meses sem atendimento ao público, só para viagem, por uma questão de segurança”, recorda.

Apesar de tantas transformações vividas até então, existe uma memória que nunca vai se apagar do coração de Anita: os 30 anos que se dedicou à Feira Central.

Saudade que não acaba

Há quatro anos, Anita se despedia definitivamente da Feirona, onde criou e expandiu a sua marca. Questionada se sente falta do espaço histórico, ela não contém a euforia.

“Eu sou ariana, então a feira foi o meu palco. Aquilo ali para mim era diversão, foi lá que eu comecei e sempre fazendo doce. Comecei com os bombons e aí depois com os bolos”.

Não dá para negar que muita coisa mudou desde então. Por um lado, conquistou vários fãs na região do Cabreúva. Por outro, perdeu contato com outros clientes fiéis que acompanhavam seu trabalho no antigo espaço.

Hoje, Anita afirma que possui mais tempo para descansar aos fins de semana, algo impossível de se fazer quando atuava na Feira.

No entanto, existem coisas que nem o tempo — ou uma pandemia — são capazes de mudar. Independente de onde o Anita está, o carro-chefe da loja continua sendo a torta Morfeu de morango. A receita é tão tradicional que é capaz de unir tempo e espaço na paixão pelo mesmo sabor. 

De onde ela é tão conhecida?

Anita é uma lenda de Campo Grande justamente por ter montado a primeira barraca de doces na Feira Central, 34 anos atrás. Ideia inusitada na época, logo a doceira conquistou sua fiel clientela. 

Desde o primeiro dia na Feirona, Anita afirma que nunca deixou de testar receitas, afinal, a sua “mão boa” para doces é o que faz as sobremesas fazerem tanto sucesso. Não é à toa que a torta Morfeu continua sendo a mais pedida até hoje.

Mais focada do que nunca, agora o objetivo da boleira é continuar o negócio, aproveitar o tempo em família e criar novas receitas que serão lembradas por gerações de admiradores.

Anita é conhecida como uma das boleiras mais tradicionais de Campo Grande (Foto: Leonardo de França/Midiamax)

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