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Ramadan: entenda o que é e como ficam as celebrações na mesquita de Campo Grande

Nono mês do calendário islâmico, o Ramadan é considerado um mês sagrado para a religião com a prática de jejum, orações e autorreflexão

Nathália Rabelo Publicado em 13/04/2021, às 18h42

Ramadan começa nesta terça-feira para a cultura islâmica
Ramadan começa nesta terça-feira para a cultura islâmica - Foto: Reprodução/Pexels

O Ramadan começa oficialmente nesta terça-feira (13) e segue o dia 12 de maio para os islâmicos. Considerado o nono mês do calendário islâmico, é a época mais sagrada do ano para os muçulmanos, uma vez que intensificam os cultos religiosos e praticam o jejum de 29 a 30 dias. Como Campo Grande tem uma comunidade islâmica bem atuante, o Midiamax foi atrás para descobrir como essa data afeta na vida dos seguidores e, também, como serão as cerimônias na mesquita em período de pandemia.

Salem Armando Al Akra, 59 anos, é o atual responsável pelas orações na Mesquita Luz da Fé, localizada na região do Vila Planalto na Capital. Como o local está sem um líder religioso oficial – uma vez que o próximo teólogo não chegou do Egito por conta da pandemia – Salem realiza os trabalhos voluntariamente. Segundo ele, todas as orações serão realizadas em tempo reduzido, principalmente a da noite, que é a mais importante nesse período.

Assim, a mesquita abre para as orações (que no total são 5 por dia), no período da madrugada, por volta das 04h40, e à noite a partir das 19h30. São realizadas apenas 2 das 5 orações na mesquita em dias úteis por conta do comércio. Além do mais, a capacidade de pessoas dentro do ambiente está reduzida a 50%. Veja a demais medidas que estão sendo seguidas:

  • Obrigatória a retirada de sapatos antes de entrar no espaço;
  • Disponibilização de álcool em gel na porta;
  • Uso de máscara obrigatório

A mesquita também aconselha que pessoas do grupo de risco evitem comparecerem presencialmente e rezem em casa.

Qual o significado do Ramadan

O Ramadan é um mês sagrado para a cultura muçulmana, sendo a celebração islâmica mais conhecida por, também, intensificar a prática da generosidade e reflexões sobre as próprias ações. De acordo com a tradição religiosa, este foi o período em que o Profeta Muhammad começou a receber as revelações do Alcorão – livro sagrado Islã – enquanto meditava na caverna de Hirá, em Meca. 

“Ramadan é o nono mês do calendário lunar e o mês mais importante para os muçulmanos, porque foi nele que o Alcorão foi revelado. Além disso, o Ramadan é o 4° pilar do islã e é considerado o mês do perdão. Nesse mês nós treinamos a empatia, paciência e também é nessa época que mais praticamos a caridade”, explicou Nur Mohamad Ali El Akra, 21 anos, sobrinha de Salem Armando Al Akra.

Durante o mês, algumas práticas são acrescentadas na rotina do muçulmano. Nas orações, por exemplo, eles fazem a oração de oração Tarawih após a da noite, em congregação. Outros rituais também estão ligados ao físico e espiritual, como o jejum, em que eles se abdicam de comer ou beber qualquer tipo de coisa, mesmo água, desde a madrugada até o pôr do sol.

 “Evitamos hábitos que possam nós levar a pecar. E em relação a adoração a Deus, nós realizamos as 5 orações obrigatórias e algumas outras voluntarias e fazemos a leitura do Alcorão diariamente”, contou Nur Mohamad.

Jejum – a relação do corpo com o espírito

Sálua Omais, 41 anos, é psicóloga e integrante da comunidade islâmica de Campo Grande. Ela contou ao Midiamax que a importância do Ramadan está relacionada à autorreflexão, onde existe a busca por maneiras de melhorar as intensões e os comportamentos com as pessoas ao redor. Questionada sobre a relação do jejum com esse momento de procura pessoal, ela explica que se privar das coisas te faz ser mais grato pelo o que tem.

“A medida que o ser humano fica privado de comer e beber, faz com que as pessoas sintam como que as pessoas mais necessitadas sentem. A dor e a necessidade ajudam a sensibilizar mais a gente e, principalmente, gera muita gratidão pelo o que a gente tem”, disse.

A rotina da psicóloga também vai contar com algumas alterações, como a privação de alimento, de bebida e orações com mais intensidade no período da noite. É no mês abençoado também que os islâmicos são mais devotos aos cultos, caridade e ações filantrópicas.

Outra coisa que mudou também é a maneira como ela vai frequentar as cerimônias religiosas do Ramadan neste ano. Devido à pandemia do Covid-19, Sálua Omais trocou a mesquita pelo ambiente doméstico. E a Internet está sendo a sua grande aliada. Com informações passadas pelo WhatsApp, transmissões ao vivo de orações em grandes mesquitas do país, citação do Alcorão online e palestras direcionadas ao público infantil, a psicóloga conta com um grande apoio digital para continuar com a tradição.

“Cada membro da comunidade está fazendo da sua forma e a gente tem as autoridades, os líderes religiosos oficiais que fazem as orações, e quem quiser acompanha-los é só ouvir pela Internet. Essa é a facilidade que estamos tendo no momento”, comentou Sálua.

Comunidade Islâmica de Campo Grande

Campo Grande conta com a maior comunidade muçulmana da região Centro-Oeste. Os primeiros árabes – principalmente sírios e libaneses – que se instalarem na cidade chegaram em meados da década de 1970, atraídos pelo crescimento da cidade. Mas foi em 1982 que a comunidade foi formada, onde habitava várias famílias muçulmanas na Capital.

Depois, a Mesquita Luz da Fé foi inaugurada em 1989 atraindo cada vez mais muçulmanos. Atualmente, espaço conta com amplos ambientes para que os religiosos façam suas orações diárias.

Jornal Midiamax