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Por que as pessoas não são felizes? Os riscos de adoecer na pandemia e como contorná-los

Veja algumas orientações que podem ajudar as pessoas a lidarem com doenças emocionais que apareceram ou se acentuaram durante esse período

João Ramos Publicado em 01/05/2021, às 08h00

Segundo especialista, o ser humano é movido pelo prazer, em alguns momentos, e pela fuga da dor em outros, e as duas coisas estão completamente relacionadas
Segundo especialista, o ser humano é movido pelo prazer, em alguns momentos, e pela fuga da dor em outros, e as duas coisas estão completamente relacionadas - (Reprodução)

Um dos maiores desafios em tempos de pandemia é saber como lidar com tantas informações, incertezas, notícias negativas e medos, que já existiam ou foram desenvolvidos ao longo do período de quarentena.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% dos brasileiros já tinham algum transtorno de ansiedade - como Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), estresse pós-traumático, fobias e ataques de pânico, entre outros - e, com as mudanças causadas pela pandemia, os casos de ansiedade aumentaram em 80% entre os brasileiros, de acordo com um estudo da UERJ.

“Nossa vida funciona como um pêndulo, entre o negativo e o positivo, e o pior é que somos empurrados, constantemente, para o negativo, seja pelos amigos alarmistas e pessimistas ou pelos grupos de WhatsApp, com tantas fake news e brigas políticas. Vivemos, infelizmente, em uma polarização agressiva dos dois lados, no qual o ódio é constante”, explica Mauricio Patrocinio, especialista em felicidade e relacionamentos interpessoais, autor do livro “Por que as pessoas não são felizes?”, empresário e palestrante. “O resultado desse negativismo é um risco enorme de desenvolvermos várias doenças, principalmente as emocionais, como depressão, ansiedade e pânico”, completa.

Tristeza acentuada pela pandemia pode ser ainda mais prejudicial (Reprodução)

Para neutralizar o lado negativo, é importante alimentar o outro lado, no caso, o positivo. Para isso, Mauricio aconselha que as pessoas se desconectem um pouco do exagero da negatividade e não fiquem o dia todo em frente à TV ou no celular vendo notícias sobre a Covid-19, apenas meia hora por dia, para ficar ciente do que está acontecendo, já é o suficiente.

Preservar suas vontades e procurar hobbies que as ajudem a passar o tempo, de uma forma leve e descontraída, também é muito importante. “Crie regras ou saia de grupos tóxicos, se afaste de pessoas negativas, pessimistas, alarmistas; trate a vida com responsabilidade, mas não se entregue à negatividade. Alimente-se de coisas positivas e edificantes, como bons livros, músicas, filmes de quase todos os gêneros, exceto os de terror ou catástrofes. A sua energia será consequência dessa alimentação”, ressalta o especialista.

De acordo com Patrocínio, o ser humano é movido pelo prazer, em alguns momentos, e pela fuga da dor em outros, e as duas coisas estão completamente relacionadas. “Ninguém imaginava, após nossa sociedade ter sido colocada em uma era do imediatismo por tantas décadas, chegando ao ápice mais recentemente, com a presença da tecnologia em nossas vidas, que teríamos que reaprender tudo. Os mais jovens, talvez, aprender pela primeira vez”, comenta.

Cada um tem sua forma de fugir da dor (Reprodução)

A vida mudou e é preciso se adaptar. Antes, todos podiam sair, se divertir, ficar expostos às novidades, lugares, restaurantes, viagens, festas, badalações de todos os tipos. Se antes a sociedade já não estava em sua zona de conforto, agora ela é colocada na zona do caos. Hoje, tudo tem que ser reaprendido.

“Então, tente fazer isso da forma mais assertiva possível e use sempre o pensamento positivo à seu favor. Assuma o controle de sua vida, senão a negatividade tomará conta de você e, se alimentando com ela, certamente consequências ruins você terá. Lute por bons hábitos, mesmo que seja desafiador, até que você consiga fazer isso de forma espontânea e seu corpo e sua mente percebam que isso faz bem para você”, finaliza.

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