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Para ‘forasteiros’, adaptação foi difícil, mas MS se tornou lar

Costumes e hábitos sul-mato-grossenses até causam estranhamento no início, mas Estado oferece inúmeros encantos

Mylena Rocha Publicado em 11/10/2021, às 08h11

Guilherme, Leticia e Fernando são apenas alguns exemplos dos milhares de 'forasteiros' que acabaram se apaixonando pelo Estado.
Guilherme, Leticia e Fernando são apenas alguns exemplos dos milhares de 'forasteiros' que acabaram se apaixonando pelo Estado. - Arquivo Pessoal

Uma paixão, uma aprovação na universidade, uma oportunidade de trabalho. São vários os motivos que trazem ‘forasteiros’ de diversas regiões do país para Mato Grosso do Sul. Enquanto alguns se mudam para cá por obra do acaso, outros viam como oportunidade para melhorar a qualidade de vida. As histórias são diversas, mas o que todos têm em comum é que acabaram encontrando no Mato Grosso do Sul um lar. 

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Guilherme conta que já não se vê morando em outro lugar. (Foto: Arquivo Pessoal)

O jornalista Guilherme Cavalcante é um exemplo de quem veio para MS e hoje já não se imagina vivendo longe daqui. Ele deixou o Ceará e se mudou há mais de uma década. Na época, ele estava em um relacionamento e ainda não sabia muito do que iria encontrar. 

No começo tudo era diferente, a começar pelos hábitos locais. “Tudo era muito estranho, costumes, esse lance de mandioca com churrasco, eram coisas que me deixavam receoso. Algumas expressões que eu falava também não eram entendidas”, relata. 

Aos poucos, Guilherme foi se adaptando, mas foi só oito anos depois da mudança que ele se deu conta de que seu lar já não era mais o Ceará. Em 2017, ele fazia uma pesquisa para o documentário Hino - Glória e Tradição de Uma Gente Audaz, quando ouviu uma gravação de Sonhos Guaranis, com Almir Sater e Tetê Espíndola. “Eu me emocionei com a voz da Tetê e mergulhei na letra da música. Acho que isso foi sintomático de que eu estava em casa”.

Com o fim do relacionamento que o trouxe para Mato Grosso do Sul, o jornalista conta que poderia ir para qualquer lugar, inclusive voltar para seu Estado. Contudo, ele decidiu ficar e fixar suas raízes por aqui. No Mato Grosso do Sul, Guilherme realizou sonhos: comprou sua própria casa e iniciou um novo relacionamento, quando ficou noivo. “Não me vejo fora de MS”, diz. 

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Leticia se mudou para o MS em 2014 após aprovação na Universidade Federal. (Foto: Arquivo Pessoal)

Na época ainda uma estudante que tinha acabado de terminar o ensino médio, Leticia Bueno também não sabia o que esperar de Mato Grosso do Sul. Em 2014, ela tinha acabado de ser aprovada no curso de Jornalismo na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) quando se mudou e trazia na bagagem apenas a esperança de se formar. 

A jornalista conta que, por ser da região metropolitana de São Paulo, ainda tinha uma vida muito atrelada à metrópole e uma visão estereotipada de MS. No começo, encontrou algumas dificuldades para se adaptar, mas já guarda o Estado no coração. 

“Senti uma certa resistência dos campo-grandenses, mas depois de um tempo aqui, já me sinto parte da cidade e do Estado, sempre gritando 'do Sul!!!' quando alguém me pergunta se moro no Mato Grosso”, brinca.

Hábitos que pareciam estranhos acabaram sendo adotados. O tereré parecia inusitado, mas com o calor de Mato Grosso do Sul, passou a fazer todo o sentido. O churrasco sul-mato-grossense também chamava a atenção. “Um costume que estranhei foi o churrasco sem pão francês, mas com mandioca cozida, ou mesmo o grande consumo de mandioca cozida no geral. Passada a estranheza, tomei gosto pela mandioca cozida no churrasco! Hoje em dia, já considero como um hábito incorporado, sinto falta se não tiver”. 

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Fernando veio para MS há 20 anos e constituiu a família por aqui. (Foto: Arquivo Pessoal)

O empresário Fernando Klein, de 50 anos, tem uma história diferente sobre a mudança para Mato Grosso do Sul. Enquanto alguns se mudam sem saber o que esperar, Fernando já sabia o que iria encontrar e, melhor ainda, ansiava por isso. A vontade de se mudar para MS veio depois de algumas viagens com a esposa. 

Paulistano, filho de paulistanos e com toda a família na região sudeste, ele confessa que a vida corrida em São Paulo nunca o atraiu. “Durante a faculdade, conheci minha esposa, natural de Campo Grande. Durante vários anos, viemos ao Estado nas férias, somente a passeio, até que, em julho de 2001, durante uma dessas viagens surgiu a oportunidade de mudança de ares”, afirma. 

A rotina de Fernando envolvia muitas viagens e poucas oportunidades de evolução na carreira. Foi aí que ele decidiu se mudar para Campo Grande, uma chance de conciliar mais tempo com a família e uma oportunidade melhor no trabalho. Para ele, a decisão era óbvia, mas muitos o questionaram.

“Ao longo dos anos, amigos e parentes me perguntavam por que sair de SP para MS e a resposta foi ficando cada vez mais fácil: por opção de qualidade de vida”.

Já são 20 anos em Mato Grosso do Sul e o empresário garante que não tem do que se arrepender. Por aqui, ele abriu seu próprio negócio e a esposa se formou, agora atuando como professora. Fernando ainda reforça a simpatia dos moradores de MS. 

“Para um paulistano (solitário, como diz Zeca Baleiro), receber e ser recebido nas casas e nas fazendas como se fosse amigo de longa data, sempre foi um grande alento. Mudamos há 20 anos para Campo Grande, assim, já sou quase tão sul-mato-grossense quanto paulista, o que muito me orgulha”.

Natureza é vantagem bônus

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Guilherme passou a conhecer ainda mais o MS após começar a pedalar. (Foto: Arquivo Pessoal). 

Para quem encontrou no Mato Grosso do Sul um lar, os belos cenários são uma vantagem a mais. O empresário Fernando conta que teve a oportunidade de conhecer todas as cidades de MS por conta do trabalho e destaca a exuberância natural. “Para um amante da natureza como eu, essa diversidade natural tem sido um grande privilégio”. 

A jornalista Leticia também se encantou pelas belezas de MS. Por conta do trabalho, ela já havia visitado com algumas cidades do interior e também na região pantaneira, como Corumbá. Contudo, só recentemente teve a oportunidade de visitar Bonito e conhecer um dos pontos mais visitados pelos turistas no Estado. 

A natureza também fez Guilherme se apaixonar ainda mais pelo MS. Após adquirir o hábito de pedalar, começou a buscar novos pontos turísticos e se surpreendeu. Ele reforça que não teria conseguido adquirir a paixão pelo esporte se não fosse pelos cenários que encontra pelo caminho. 

“Adoro fazer trekking, pedalar em trilha, rapel em cachoeira. Toda vez que vou a São Gabriel [do Oeste], pedalo pela lavoura até chegar à Cachoeira de Los Pagos. É incrível. É uma coisa que me deixa feliz só de pensar que existe, falo mesmo”.

Leticia conheceu as belezas de bonito recentemente. (Foto: Arquivo Pessoal)
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