Dança como jabuti: Coronavírus acaba com bailões e amantes do chamamé revelam perspectivas para o pós-pandemia

Clubes de dança fecharam as portas e lives mantêm o segmento ativo
| 26/04/2021
- 15:58
Dança como jabuti: Coronavírus acaba com bailões e amantes do chamamé revelam perspectivas para o pós-pandemia
Grupo Canto da Terra se apresentando com Marlon Maciel em 2019 - (Arquivo Pessoal)

Salões lotados, música ao vivo, chamamé de raiz, vanerão tradicional, chapéu, bota e muita dança. O ambiente dos clubes de bailão foi extinto desde o início da pandemia no Brasil, em março de 2020, e o panorama atual não oferece a ninguém uma certeza em relação ao fim do distanciamento social provocado pelo coronavírus.

Amâncio Cabrera, tradicional nesses , tem expectativa de esperança, apesar de vários clubes terem fechado. "Eu acredito que não vão acabar essas culturas tradicionais. As pessoas que gostam de dançar estão esperando a volta dos bailes assim que todos forem imunizados. Está muito difícil pra nós músicos depois da pandemia", desabafa o cantor em depoimento ao MidiaMAIS.

Tem muita gente com saudade do esfrega esfrega e da boa música regional, mas além da saudade, há a necessidade de quem vive disso. "Nós somos os primeiros a torcer para que a cultura do nosso Estado, principalmente no ramo em que atuo, com a música, e bailes, se restabeleça o quanto antes", declara o cantor Marlon Maciel em entrevista ao Jornal Midiamax.

marlon - Dança como jabuti: Coronavírus acaba com bailões e amantes do chamamé revelam perspectivas para o pós-pandemia
Marlon Maciel é figura carimbada dos bailões de Campo Grande (Arquivo Pessoal)

 

Já tem mais de um ano que os salões não abrem as portas e o setor precisa se manter de um jeito ou de outro. Seria o fim dos tradicionais bailes de chamamé e vanerão? "Creio que não, porque isso faz parte de nossas raízes e da nossa cultura. Acredito, na verdade, talvez, em algumas mudanças nas formas e locais das nossas apresentações", diz o músico.

"Quem é amante mesmo de curtir uma apresentação musical, seja ela onde for, está morrendo de saudades. Sou parte desse termômetro porque recebo mensagens constantemente dos amigos e fãs que estão contando as horas para tal", revela Marlon.

E é verdade, é sim senhor!

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Leiziane no meio dos pais (Arquivo pessoal)

 

Leiziane Almeida Coelho, de 23 anos, é jovem mas tem uma longa história com os bailes típicos de Mato Grosso do Sul. Desde muito nova foi acostumada a frequentar as casas de dança mais tradicionais.

Sem bailões para riscar o pé no chão, os sentimentos de Leizi são de saudade e vontade que essa situação acabe de uma vez. "Sinto falta principalmente das festas tradicionais do Clube Taboca, onde acontecia os bailes e a tradicional laçada por três dias consecutivos", afirma ao Jornal Midiamax.

"Não vejo a hora de reencontrar colegas, amigos... Degustar as comidas típicas que tem nesses eventos, ouvir e dançar bastante para matar as saudades de dançar um vanerão, chamamé...", conta Leiziane, que tem curtido lives dos músicos regionais durante a quarentena.

Portas fechadas

Em julho de 2018, o Via Park, um dos clubes que mais bombava na Capital, fechou as portas. Bem antes da pandemia. "Até hoje desconheço o real motivo", diz Marlon sobre o encerramento das atividades no local.

O Clube da Amizade, também dos mais tradicionais, encerrou as atividades em abril de 2020, logo no início da quarentena no ano passado. "Já há algum tempo eu tinha conhecimento que a proprietária tinha intenção de vender a propriedade e com esta crise acabou realmente fechando", relata Marlon.

Mas quanto a outros salões, ele tem certeza que havendo a possibilidade de realização de bailes e eventos, surgirão novos lugares. "Até porque nosso povo é festeiro, alegre e baileiro. Hoje ainda está paralisado por causa da pandemia, mas temos o Rancho do Tio Léo em Campo Grande, posso citar como um dos exemplos, que tem um espaço maravilhoso para eventos e a turma baileira tem prestigiado muito. É um local certo que poderá ser um ponto novamente de encontros, shows e bailões", conclui o cantor.

 

 

 

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