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‘Não é sentença de morte’: Para quem enfrentou o câncer de mama, esperança é fundamental

No Outubro Rosa, paciente relembra luta contra a doença e reforça importância do diagnóstico precoce

Mylena Rocha Publicado em 10/10/2021, às 08h15

"Eu saí do chão. Eu pensei: ‘Está brincando comigo?'", relata.
"Eu saí do chão. Eu pensei: ‘Está brincando comigo?'", relata. - Arquivo Pessoal

Chega a ser difícil de acreditar, mas houve um breve momento em que o sorriso de Hercione Cardoso Christianini se apagou. Conhecida pela simpatia e por estar sempre com o astral nas alturas, ela se viu sem chão ao descobrir o diagnóstico para câncer de mama em Campo Grande. Na época, ela trabalhava em uma cantina e achou que sua expectativa de vida terminava ali. Quatro anos depois do diagnóstico, ela vê a situação de uma forma muito diferente. “O câncer não é uma sentença de morte”, reforça. 

A luta contra o câncer não foi fácil. Hercione passou por cirurgia, radio e quimioterapia até conseguir se considerar curada. Mesmo livre do câncer, as visitas ao médico são frequentes e ela continua tomando cuidados com a saúde e fazendo uso de medicamentos. Mesmo assim, ela garante que não tem do que reclamar. Em toda campanha de Outubro Rosa, ela faz questão de participar e ajudar a conscientizar sobre o diagnóstico precoce. “Me falaram que eu tive, mas eu não digo que tive [o câncer] não”, brinca. 

O diagnóstico da doença veio quando Hercione menos esperava. Ela acordava para um dia comum, mas a data ficou marcada em sua memória. “Eu tinha uma cantina. Antes de sair para trabalhar, eu me levantei e tomei banho. Era madrugada ainda, mas quando eu passei a mão no seio, senti o nódulo. Fiquei preocupada, pensei ‘isso não me pertence’”, relembra. 

Depois de perceber o nódulo, ela passou pelo médico de rotina e foi encaminhada para um especialista. Foi aí que a ficha caiu. “Eu saí do chão. Eu pensei: ‘Está brincando comigo? Eu nunca matei, roubei, estou trabalhando honestamente, sempre fiz tudo certo. Começou meu drama ali’”. 

Contudo, o período de negação durou pouco para a paciente. Hercione preferiu manter a alegria de sempre, não só para si mesma, mas também para passar confiança para a família de que ela conseguiria enfrentar o câncer. Ela relata que a presença da família foi essencial para conseguir enfrentar a doença. 

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Apoio da família no tratamento foi fundamental. (Foto: Arquivo Pessoal)

Sua mãe, mesmo idosa, não saiu do seu lado nas sessões de rádio e quimio. O marido e o filho também deram todo o apoio. Hercione agradece toda a equipe do HCAA (Hospital do Câncer Alfredo Abrão), onde fez o tratamento. “Muita gente me ajudou. Hoje faz quatro anos que passei por isso, mas ainda recebo todo o carinho da equipe quando vou pegar minha medicação”, ressalta. 

Durante o tratamento, Hercione conta que, felizmente, não precisou ficar internada ou parar de trabalhar. Enquanto muitos pacientes chegam a vomitar durante as sessões de radio e quimioterapia, ela garante que não teve sintomas tão intensos. 

Mesmo se esforçando para se manter positiva durante o tratamento, ela conta que não foi fácil. O momento mais difícil foi quando precisou raspar os cabelos. “O câncer me marcou muito pelo cabelo. Antes de começar a cair, eu fui no salão e pedi pra raspar. Já ia cair mesmo, mas eu não queria ver”, afirma. 

Com as sessões de radio e quimioterapia, os exames mostraram que o câncer já não estava presente no corpo de Hercione. Depois de toda a luta, ela reforça a importância de fazer o diagnóstico o quanto antes, assim como ela fez. Além disso, ressalta que o câncer não é uma sentença. Ao contrário, pode representar até mesmo um renascimento. 

“O câncer não é uma sentença de morte. É luta, fé e esperança. Foi muito importante o apoio da família, do médico, dos amigos e do hospital. Não tem mais o que falar, é o que eu sinto”, conclui. 

Exames gratuitos

O Hospital do Câncer está oferecendo mamografias gratuitas durante o Outubro Rosa. Para ter acesso aos exames, as mulheres interessadas podem comparecer ao Hospital durante a manhã, a partir das 7 horas, ou durante a tarde, a partir das 13 horas, para pegar a senha. Com a senha em mãos, o exame será feito no mesmo dia. No local, está a Carreta Sesc Mulher, na missão solidária de multiplicar a prevenção com a queda na realização dos exames preventivos em função da pandemia. 

Os exames gratuitos seguem até o dia 29 de outubro, com exceção dos finais de semana e feriados. As interessadas devem comparecer com RG, CPF e Cartão SUS. Serão 40 mamografias por dia para mulheres de 40 a 65 anos em Campo Grande. O hospital informou que serão distribuídas 20 senhas pela manhã e 20 durante a tarde. 

As mulheres de 25 a 64 anos podem fazer o exame papanicolau gratuitamente. Serão 80 exames por dia, com 40 senhas distribuídas pela manhã e 40 senhas durante a tarde. Para fazer o exame, as mulheres não podem estar no período menstrual e precisam estar há 48 horas sem relação sexual. O exame é recomendado somente para quem já iniciou a vida sexual. O Hospital do Câncer fica na rua Marechal Rondon, nº 1053, em Campo Grande. 

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