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MS vira epicentro de doença fatal ocasionada por agrotóxicos em livro de ficção

O livro “Corpos Secos” é um romance ficcional sobre uma doença iniciada em MS e que se espalha pelo país

Nathália Rabelo Publicado em 28/04/2021, às 15h09

Livro Corpos Secos foi escrito por quatro autores
Livro Corpos Secos foi escrito por quatro autores - Foto: Divulgação

Você já imaginou se uma doença fatal desenvolvida por agrotóxicos assolasse todo o território brasileiro? É o que conta o livro de ficção “Corpos Secos”. Para narrar a história, os escritores escolheram Mato Grosso do Sul para ser o epicentro inicial de onde se manifestaram os primeiros infectados.

Isso mesmo, o Estado tem um papel de extrema importância dentro da obra dos autores Luisa Geisler, Natalia Borges Polesso, Samir Machado de Machado, todos do Rio Grande do Sul, e Marcelo Ferroni, de São Paulo. Apesar de nenhum deles ser de Mato Grosso do Sul, eles escolheram uma das principais áreas do agronegócio para dar o start na história.

De acordo com a escritora Natalia Borges Polesso, o livro foi lançado em 2020 para contar a história de uma doença desenvolvida através do uso indevido de agrotóxicos que causam reações inesperadas em larvas. No livro, não há indícios de quem foi a primeira vítima da doença, mas que o surto começou no território sul-mato-grossense. A doença se espalha por todo o Brasil e os infectados se transformam nos Corpos Secos, espectros humanos que não possuem mais atividade cerebral, apenas anseio pelo sangue.

Dentro desse ambiente apocalíptico cheio de nuances, perspectivas de diversos personagens e narrativa cativante, existe também uma crítica socioambiental quanto ao uso indevido de agrotóxicos nas lavouras brasileiras. Os autores disseram ao Midiamax que eles pensaram em Mato Grosso do Sul como um dos polos de expansão do agronegócio, com repercussões positivas e negativas.

Por um lado, atividade envolve cada vez mais tecnologia e está sendo bem conduzida para criar menor impacto ambiental possível. Por outro, ainda existe o uso de agrotóxicos não regulados na região, adquiridos de forma ilegal por alguns produtores, além de pesticidas que são nocivos.

“A síndrome do Corpo Seco surge justamente aí: no uso de um agrotóxico sem controle legal, e o impacto imprevisto que ele causa numa determinada cultura de fungos. Ou seja, um desdobramento imprevisível, e que gera as consequências ficcionais exploradas no romance”, comentaram os escritores. O Estado também foi escolhido por estar localizado em uma região estratégica para o romance, uma vez que a epidemia alcançaria as regiões do sul e sudeste, afetando os personagens simultaneamente.

Nenhuma relação com o Covid

Apesar do livro ser lançado em 2020, quando o Covid-19 se espalhou pelo Brasil, o livro foi escrito entre 2018 e 2019, época em que ainda não havia conhecimento sobre a doença. A epidemia de “Corpos Secos” foi pensada para ser uma ficção exploratória e distópica. Contudo, a realidade alcançou a ficção.

“Talvez a mensagem que fique da leitura, é que precisamos cuidar melhor do nosso planeta e termos leis mais coerentes em relação ao uso de recursos, a produção de resíduos, ao uso de pesticidas.... enfim, acho que isso toca muitos pontos bastante atuais”, explicaram os autores.

No primeiro volume, a obra cobriu a parte sul, sudeste e centro-oeste do país. Já a segunda parte está sendo pensada para atingir outros estados. A possível continuação de “Corpos Secos” ainda não tem previsão de lançamento, mas a primeira edição pode ser encontrada na Internet para compra.

Sinopse

Primeiro, o uso de novos agrotóxicos sem os devidos testes. Depois, a reação inesperada com as larvas que eles deveriam dizimar. Não se sabe quem foi o primeiro infectado, apenas que o surto começou no Mato Grosso do Sul. São os chamados corpos secos: espectros humanos que não possuem mais atividade cerebral. Mas seus corpos ainda funcionam e anseiam por sangue. Seis meses depois, há poucos sobreviventes.

Um jovem aparentemente imune à doença está sendo estudado por uma equipe médica e precisa ser protegido a qualquer custo; uma dona de casa vive em uma fazenda no interior do Brasil e se encontra sozinha precisando reagir para sair de seu isolamento; uma criança vê a mãe tentar de tudo para salvar a família e fugir do contágio; uma engenheira de alimentos percebe que seus conhecimentos técnicos talvez não sejam suficientes para explicar o terror que assola o país.

Juntos, eles vão narrar suas jornadas, em busca do último refúgio ao sul do país. Escrito em conjunto por quatro autores, Corpos Secos não é só um thriller, nem um romance-catástrofe. É uma narrativa sobre os limites da maldade humana, e as chances de redenção em meio ao caos.

Livro Corpos Secos (Foto: Divulgação)

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