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Luto e dor: Covid levou irmão, mãe e pai de Cássia em menos de 1 mês

Irmãos que ficaram, agora se unem para superar as perdas

João Ramos Publicado em 30/05/2021, às 10h00

Cássia com o pai, a mãe, e o irmão Cássio
Cássia com o pai, a mãe, e o irmão Cássio - (Arquivo Pessoal)

Imprevisível e letal, a Covid-19 tem ceifado famílias, chegando muitas vezes a vitimar membros em sequência. Desoladora, a situação afeta e destrói por dentro aqueles que ficaram, e que do dia para a noite são obrigados a conviver com várias ausências praticamente de uma só vez.

A triste realidade atingiu Cássia Leite, de 37 anos. Ela perdeu a mãe e o irmão em menos de 10 dias, e um mês depois quem faleceu foi o pai. Todos vítimas da Covid.

Cássio Alexandre, o irmão mais velho, tinha um restaurante em Campo Grande. A mãe, Inez Aparecida, trabalhava com ele no estabelecimento. O coronavírus levou o filho aos 40 e a mãe aos 61 anos. Demorou menos de um mês para que João Carlos Leite, de 62 anos, pai de Cássia e Cássio, e marido de Inez, também fosse vitimado pela Covid. 

Cássio foi o primeiro, e faleceu em 21 de abril. Inez partiu no dia 29 do mesmo mês. Já o feirante João Carlos deixou este mundo esta semana, em 26 de maio.

Cássio deixa a mulher, Jéssica, e o filho de 5 anos, Pedro (Arquivo Pessoal)

Quando ainda tentava superar o luto pela perda da mãe e do irmão, uma atrás da outra, Cássia foi obrigada a lidar também com a ausência repentina de seu pai. Desolada, ela chegou a fazer uma vaquinha para conseguir arrecadações e arcar com os custos funerários do pai.

De forma imprevisível e assustadora, a doença as vezes chega e leva muita gente próxima de uma vez só. E morrer custa caro, pois não são nada baratos os procedimentos que envolvem a morte. Assim, quando muitas partidas acontecem em sequência, o bolso também pesa. Além da dor imensurável pelo falecimento de pessoas amadas, existe a possível dificuldade de custear os protocolos após as perdas.

Independente disso, as questões mais importantes envolvem a saudade e o vazio para quem fica. É como dizem: na vida, pra tudo se dá um jeito, menos para a morte.

Perder os pais e o irmão em tão pouco tempo deixa feridas abertas para a campo-grandense (Arquivo Pessoal)

"Foram três perdas muito doloridas. O legado maior que minha mãe e meu pai deixaram é o amor. Minha mãe sempre foi uma mulher preocupada com os outros, com qualquer pessoa. Foram pessoas ótimas. Todos eram muito muito amados mesmo. E o que fica é o grande amor que eles nos ensinaram a ter um com o outro", diz Cássia em depoimento ao Jornal Midiamax.

João Carlos e Inez deixam três filhos. Além de Cássia, Joahnn Marynez Leite, de 39 anos, e João Matheus Ferreira, de 22, terão que conviver com a saudade diária.

Joahnn, João e Cássia (Arquivo Pessoal)
Jornal Midiamax