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‘Flores de Bálsamo’: curta sobre descendentes de Okinawa no Estado ganha prêmios em Dourados

Documentário "Flores de Bálsamo" é produção independente e foi gravado em Campo Grande

Nathália Rabelo Publicado em 26/11/2021, às 15h30

Documentário "Flores de Bálsamo”
Documentário "Flores de Bálsamo” - (Foto: Lucas Miyahira)

O Brasil tem uma das maiores comunidades japonesas fora do Japão. Desse total, dentre os descendentes de imigrantes japoneses em Campo Grande, estima-se que 70% são de origem okinawana, segundo os dados da Associação Okinawa da Capital. Com uma vasta história que se desenvolveu ao longo de mais de um século, o documentárioFlores de Bálsamo” foi destaque em premiação de Dourados por retratar a riqueza desta cultura por meio da música folclórica.

Os estudantes Lucas Miyahira e Karen Freitas, de 20 anos, e o fotógrafo do Jornal Midiamax Henrique Arakaki, de 24, se uniram em uma produção independente para resgatar as memórias dos descendentes de Okinawa — cidade no Japão — no documentário intitulado “Flores de Bálsamo”.

A produção foi tão aclamada que rendeu dois prêmios, de Melhor Documentário e Melhor Roteiro, na 8ª Mostra Audiovisual de Dourados. O resultado da premiação foi divulgada na quinta-feira (25) em Dourados.

De acordo com o acadêmico Lucas Miyahira, a ideia de abordar o tema surgiu com a descoberta do sanshin — instrumento musical da província japonesa de Okinawa e precursor do shamisen — que pertencia ao seu avô. O instrumento estava guardado em um cômodo da casa dos seus bisavós, momento em que se interessou pela cultura de Okinawa, província de origem dos seus tataravós.

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Comunidade okinawana é rica em cultura (Foto: Henrique Arakaki)

“A música okinawana estava presente na vida deles desde a infância, nas festas das colônias onde viviam, em casa quando ouviam seus pais cantarem e até mesmo no labor diário, quando cantavam trabalhando no campo. Essa experiência me fez refletir sobre a relação que temos com a música, e a sua relação com as memórias afetivas. Então, o propósito do documentário seria o de registrar, além dos relatos sobre a imigração e tradições japonesas, a relação das memórias dos meus bisavós com a música folclórica de Okinawa, que é o que conduz todo o desenrolar da narrativa”, contou o estudante ao Jornal Midiamax.

O filme, assim, foi gravado em Campo Grande na casa dos familiares de Lucas e contou com um relato envolvente sobre a tradição da comunidade. Já as músicas foram gravadas ao lado do professor de sanshin, Crystian Proença. Para Henrique Arakaki, o documentário é uma forma de manter viva a história dos okinawanos.

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Documentário "Flores de Bálsamo” (Foto: Henrique Arakaki)

“Eu estou bem feliz com toda a conquista que está vindo com o documentário, desde o início esperávamos fazer algo tocante para as pessoas. Ele repercutiu muito, ainda mais na colônia Okinawana do Brasil. Temos esses relatos preciosos para salvar nossa própria cultura, dos nossos antepassados de tradições que estão extinguindo no mundo”, disse o fotógrafo ao Jornal Midiamax.

Para Lucas, foi uma forma de, também, conhecer mais sobre a trajetória da família. “Muitos descendentes okinawanos nos relataram que se emocionaram ao se recordar das histórias que ouviam dos pais e avós. E mesmo algumas [pessoas] que não têm contato com a cultura okinawana se identificaram com a relação dos meus bisavós com a música. Penso que essa relação tão sublime entre a música e a memória seja o principal mote do filme”, afirmou.

O documentário “Flores de Bálsamo" foi um produto realizado durante o "II curso de documentário: MS em Imagens e Sons", promovido pelo Museu da Imagem e do Som de Mato Grosso do Sul (MIS), em parceria com a TVE Cultura MS. Criado por Lucas Miyahira, Karen Freitas e Henrique Arakaki, a obra pode ser assistida neste link ou abaixo:

História da comunidade okinawana na Capital

Segundo a Associação Okinawa de Campo Grande, tudo começou há 113 anos, em 1908 com a vinda do navio Kasato Maru, que continha 781 integrantes japoneses. Dentre eles, 325 oriundos da província de Okinawa. Cerca de 20% destes se radicaram em Campo Grande, a partir de 1914, quando a capital ainda pertencia ao estado de Mato Grosso, antes da emancipação de Mato Grosso do Sul.

Estima-se que atualmente dentre os descendentes de imigrantes japoneses em Campo Grande, cerca de 70% são descendentes de okinawanos, atribuindo à capital esta particularidade.

Os okinawanos, então, trouxeram manifestações culturais riquíssimas em termos de história e arte, como dança, música, gastronomia, idioma como o uchinaguchi, festividades, folclore e religiosidade de origem japonesa. Em Campo Grande, a cultura percorre o delicioso sobá, o karatê, instrumento musical sanshin e várias outras manifestações.

Conheça mais sobre a história da comunidade okinawana em Campo Grande neste link.

Jornal Midiamax