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'Eu vivi com uma pessoa iluminada', diz filho de Arlindo Namour sobre legado do pai em MS

Apaixonado por vinho, viagens, música e literatura, fotógrafo eternizou histórias dentro e fora das suas lentes

Nathália Rabelo Publicado em 29/07/2021, às 16h14

Arlindo Namour Filho, Arlindo Namour e Alexandre Namour. Eles trabalharam juntos por mais de 18 anos com fotografia na Capital
Arlindo Namour Filho, Arlindo Namour e Alexandre Namour. Eles trabalharam juntos por mais de 18 anos com fotografia na Capital - Foto: Arquivo Pessoal

Referência em casamentos, o renomado fotógrafo sul-mato-grossenseArlindo Namour faleceu na quarta-feira (28) após sofrer um ataque cardíaco em decorrência da Covid-19. Famoso por eternizar a vida das pessoas através das suas lentes, ele também foi responsável por uma caminhada cheia de conquistas, em que o seu principal legado era o amor pela vida.

Arlindo Namour Filho, um dos três filhos de Namour, contou ao jornal Midiamax que os momentos em que viveu com o pai são inesquecíveis. Foi ao lado do mais velho que ele aprendeu os principais ensinamentos da vida, como respeito, otimismo e honestidade. Culto desde sempre, o fotógrafo foi o principal impulsionador para que os filhos crescessem em um ambiente que instigava a criatividade.

“Quando a gente morava em uma casa, eu era criança e ele tinha uma sala que se chamava “Sala de Som”. Ele tinha os LPs dele, discos de vinil, adorava som, tinha uma biblioteca. Eu aprendi a ler nessa biblioteca dele. Eu lia, comentava com ele, ele me ensinava. A gente sempre teve esse intercambio muito forte”, comenta Arlindo Filho.

Ele e um dos irmãos, Alexandre Namour, começaram a trabalhar com o pai aos 14 anos de idade e ficaram por mais de 18 anos na fotografia. Hoje, aos 44 anos, Arlindo reconhece o quanto o seu pai foi a sua principal inspiração até ele conseguir caminhar por conta própria no mesmo segmento.

“Meu pai sempre foi uma pessoa inovadora, não se acomodava, sempre estava em busca do novo. E na fotografia isso foi determinante. A gente ficou com um trabalho bem reconhecido em Campo Grande durante mais de 25 e 30 anos. E meu pai sempre buscava novidades, formas diferentes de ver as coisas, de enxergar e isso dava muita referência no mercado”.

Amante de vinhos, viagens, músicas e literatura, Arlindo Namour é descrito como uma pessoa encantadora. Todo mundo que conhecia, se apaixonava por ele.

“Eu sabia que ele tinha amigos, pessoas que gostavam dele, mas não sabia que eram tantas e fico muito feliz em ter esse feedback das pessoas, esse carinho e saber que eu vivi com uma pessoa iluminada. Foi um presente viver com um pai como ele, que me ensinou tanta coisa e que foi tão querido, além de ser um artista muito sensível”, diz o filho.

Inspiração para toda a vida

A fotógrafa Regina Lázara da Costa, conhecida como Regina Aoki, de 55 anos, também não esconde a profunda admiração que tem por Arlindo Namour, tanto pelo lado profissional quanto pessoal.

Eles se conheceram em 1998 e, desde então, a mulher tem ele como uma referência de um grande fotógrafo que fez e criou história em Mato Grosso do Sul.

“Seu jeito alegre, sua forma suave de falar e principalmente suas fotos, atraíam minha atenção e admiração pelo seu trabalho, pois na época eu estava começando a fotografar profissionalmente. Dentre os profissionais que tive contato, tinha-o como modelo e ele foi inspiração no início da minha carreira”, recorda Regina.

Ela disse ainda que ficou muito triste com a notícia do falecimento de Arlindo, mas que deseja a toda a família um momento de conforto e paz.

Falecimento de Arlindo Namour

Arlindo Namour, de 73 anos, faleceu na manha de quarta-feira (28) após ter, segundo a família, um ataque cardíaco em decorrência da Covid-19. Arlindo pegou Covid junto da esposa, com quem se tratava em casa. Segundo alguns amigos, no último final de semana, ele apresentou piora e teve de ser internado. Na sequência, foi intubado e faleceu pela manhã.

“Ele era diabético e tinha apneia, o que teria dificultado muito a sua recuperação”, explicou Marisa Machado, amiga de décadas.

Namour atuava como fotógrafo há mais de 50 anos, sendo um dos pioneiros em Mato Grosso do Sul, principalmente em casamentos. Ele deixa três filhos e esposa. O velório foi realizado nesta quinta-feira (29), em local não divulgado pela família.

Jornal Midiamax