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Em busca da satisfação, irmãs vendem chinelos em Campo Grande: 'muita perseverança'

"Além de ser algo que gosto muito, é extremamente necessário no dia a dia das pessoas", diz Maria, que teve a ideia do negócio

João Ramos Publicado em 20/10/2021, às 08h30

Maria e Esther abriram a Maê em 2017 e estão se reerguendo com o recuo da pandemia
Maria e Esther abriram a Maê em 2017 e estão se reerguendo com o recuo da pandemia - (Fotos: Arquivo Pessoal)

Trabalhar com algo que traga felicidade é uma das principais metas estabelecidas por pessoas que não se encontram em seus convencionais ambientes corporativos. Na busca da satisfação em exercer uma atividade remunerada, o empreendedorismo desponta como aposta de muitos. Investir em um trabalho que lhe faça feliz é investir no próprio bem-estar.

Moradora de Campo Grande, Maria Vilamaior Benites, de 39 anos, seguiu por esse caminho. Ela trabalhava há 10 anos em uma loja de porte nacional e ocupava uma excelente posição. Mas, percebeu a tempo que não era aquilo o que gostaria. "Sempre trabalhei com registro em carteira, mas também sempre tive vontade de trabalhar em algo meu. Gostaria de fazer algo que me desse satisfação, que se parecesse com o meu perfil", conta ela ao MidiaMAIS.

O fato de ter um estilo casual e gostar muito de chinelos, especialmente depois de eles terem se tornado peça de moda, foi fundamental para a montagem do negócio próprio. "Hoje é comum você ver as pessoas passeando no shopping, indo às compras, curtindo seu lazer, com esse acessório tão indispensável. Assim, surgiu a ideia de trabalhar nesse nicho. Além de ser algo que gosto muito, é extremamente necessário no dia a dia das pessoas", revela Maria.

E assim, estava escolhido o trabalho. "Passei a fazer pesquisas sobre como era possível produzir, o que eu precisaria para tanto, como era o mercado de chinelos aqui em Campo Grande e MS como um todo. E resolvi finalmente dar esse passo. Em 2017, eu trabalhava de carteira assinada em uma loja de porte nacional. Tinha 10 anos nessa empresa e estava numa excelente posição. Porém, a vontade de trabalhar por conta, e a necessidade que estava sentindo de ter mais tempo com a minha filha, hoje com 18 anos, falaram mais alto", conta ela à reportagem.

(Foto: Arquivo Pessoal)

O negócio abriu portas para uma parceria familiar. Maria conversou com a irmã, Esther Vilamaior Benites, de 44 anos, e contou toda a ideia de vender chinelos. "Resolvemos dar esse passo juntas, adquirimos todo o maquinário e matéria-prima necessária pra iniciar, e abrimos a 'Chinelos Maê Personalizados' como sócias, em 2017", conta.

Segundo ela, a proposta é fabricar e personalizar chinelos com a mesma qualidade dos que são usados no dia a dia. "Não utilizamos matéria-prima comum aos chinelos personalizados, que com pouco tempo de uso começa a ceder e baixar. Fabricamos para lembranças de eventos e para venda individual, para uso no dia a dia. O material utilizado é o mesmo para ambos", pontua a empresária.

"Com isso, fomos ganhando a confiança dos clientes, recebendo indicações de quem já havia encomendado e nosso negócio foi expandindo. Hoje, já atendemos várias cidades do interior", afirma.

Sonho interrompido

Juntas, as irmãs estavam planejando abrir um espaço físico, mas a pandemia adiou esse sonho. 2020 iniciou maravilhoso para o negócio das duas, janeiro e fevereiro estavam sendo os melhores meses desde 2017. Porém, como aconteceu para a maioria dos empreendimentos, em nível mundial, a pandemia acabou acertando em cheio e reduzindo próximo a zero o número de pedidos de chinelos.

"A maior parcela de nossas encomendas vem para atender a eventos e esses foram os primeiros a serem paralisados. Nos mantivemos firmes, com a esperança de que tudo voltaria a fluir e permanecemos nessa crença. De fato, o céu voltou a se abrir para o nosso negócio nesse segundo semestre de 2021", comenta, esperançosa.

Produções recentes do Pantanal e do dia dos professores (Foto: Arquivo Pessoal)

"Perseverança e garra"

O nome da empresa, "Maê", surgiu da junção do nome das irmãs Maria e Esther. "Foi pensado por uma segunda irmã nossa, a Miriam, que, num domingo, quando estávamos reunidos com nossos pais, sugeriu a ideia e nós gostamos muito", conta Maria.

Infelizmente, devido à baixa demanda dos últimos dois anos de pandemia, elas não estão conseguindo viver apenas do trabalho com os chinelos. Maria atua paralelamente como corretora de imóveis, mas a luta persiste. "Nós estamos expandindo os horizontes e entrando no mercado de camisetas personalizadas também. Quem sabe, muito em breve, estaremos fazendo nossa grande e tão esperada inauguração, que será regada por muita perseverança e garra", finaliza.

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