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É possível ter uma boa qualidade de vida convivendo com bruxismo? Doença não tem cura

Desgaste excessivo dos dentes, fratura dental, mobilidade dental, dores no pescoço, músculos da face e dores de cabeça são alguns sintomas

João Ramos Publicado em 09/09/2021, às 09h19

Efeitos secundários de medicamentos ou distúrbios na respiração podem ser algumas consequências
Efeitos secundários de medicamentos ou distúrbios na respiração podem ser algumas consequências

Hábito parafuncional, sem função específica natural do ser humano, que coloca a boca e os ossos da face em posições anormais ou os sobrecarregam, apertando, mordendo com força ou rangendo os dentes, tanto durante a noite quanto de dia, é conhecido por bruxismo — uma doença sem cura.

Conviver com a doença é simples desde que o tratamento seja realizado por um bom profissional e seguido à risca. A prática de movimentos involuntários e inconscientes acomete adultos e crianças e pode estar ligado ao estresse e à ansiedade, atingindo aproximadamente 30% da população mundial, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), e chegando a 40% no Brasil.

Com incidência maior em mulheres, devido ao ápice hormonal, esta condição de ranger os dentes tem causas específicas desconhecidas e, além da associação com o stress, pode ter ligação com condições neurológicas, efeitos secundários de alguns medicamentos ou distúrbios na respiração como a apneia do sono.

Entre os fatores predisponentes ao bruxismo estão: histórico familiar, personalidade, cefaleia, disfunção na ATM (uma articulação temporomandibular que liga o osso do maxilar ao do crânio e que permite a mastigação), além da depressão e ansiedade. Há também fatores que podem potencializar a doença, como o uso de alguns fármacos, cafeína, tabagismo e roer as unhas.

O distúrbio é consequência de algo que não está funcionando bem e os principais sintomas são: desgaste excessivo dos dentes, fratura dental, mobilidade dental, dores na ATM, pescoço, músculos da face e dores de cabeça.

"Para efetuar o tratamento, é primordial diagnosticar quais os fatores responsáveis por essa condição e, para isso, alguns procedimentos são necessários, como avaliação clínica detalhada com um odontólogo que fará uma entrevista, levando em conta o histórico do paciente, relato de terceiros sobre barulhos característicos durante o sono, mais o auxílio de exames complementares", esclarece o dentista Paulo Zahr.

Como tratar?

O tratamento, a partir do diagnóstico, principalmente do noturno, envolve o uso de placas miorrelaxantes, que é um dispositivo interoclusal feito de acrílico e instalado entre os arcos dentais, tendo por objetivo bloquear o contato entre os dentes e, assim, promover uma desprogramação do reflexo neuromuscular que dá origem aos impulsos nervosos, consequentemente amenizando o apertamento e ranger dos dentes. Soma-se ainda o uso de fármacos, analgésicos e relaxantes musculares, bem como a toxina botulínica — um botox aplicado nos músculos mandibulares que participam do apertamento —, acupuntura e fisioterapia.

Segundo o Dr. Paulo, a dica para identificar o quanto antes o problema é se atentar às dores: tê-las com frequência não é normal e é preciso procurar ajuda médica se o incômodo persistir por dias. "Como a dor de cabeça, por exemplo, pode estar atrelada a várias causas, o bruxismo passa despercebido durante muito tempo entre as pessoas, levando a consequências ainda maiores, como o desgaste dentário, perdas ósseas e dores cada vez mais severas", diz o cirurgião.

"Conviver com o distúrbio, embora a princípio possa parecer desanimador, é completamente possível e os tratamentos que existem hoje em dia disponíveis dão conta de devolver a qualidade de vida, afastando as dores e o constante incômodo do ranger dos dentes", finaliza Paulo.

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