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Com pacotes que chegam a R$ 165, streaming coletivo vira moda com vaquinha em Campo Grande

Dividir os valores das plataformas garante maior variedade de conteúdo, dizem jovens

Mariane Chianezi Publicado em 17/10/2021, às 07h44

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Leonardo de França, Midiamax

Aguardar semanas por um novo episódio de série ou esperar por ‘um século’ até aquele filme estar disponível para alugar em lojas virtuais ficou no passado, pois a era dos streamings chegou para ficar.

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Imagem: Midiamax

Com uma variedade de plataformas, assinar uma conta nas mais populares pode chegar a R$ 165 e, para deixar a mensalidade mais barata, a vaquinha, por meio das contas compartilhadas, virou moda em Campo Grande.

Para se ter ideia, o investimento mensal para ter acesso aos streamings mais famosos no país — Netflix, Prime Video, Globoplay, Disney Plus e HBO Max — fica entre R$ 103 e 165, variando conforme o pacote de assinatura escolhido.

O jeito de driblar os valores e ter acesso a todos os catálogos é por meio do ‘jeitinho brasileiro’, na coletividade. Para amenizar o impacto no bolso, Natália Ortega divide os principais streamings com os amigos e, como benefício, tem acesso aos conteúdos 'a rodo' das plataformas. 

"O primeiro que tive acesso foi a Netflix. Tinha assinado sozinha, era mais barato no começo. Aí vieram os primeiros reajustes e decidi dividir com uma amiga para pagar metade. Depois começaram a surgir esses outros streamings, mais caros e várias coisas legais disponíveis. Pensei: 'agora vou ter que dar um jeito, porque não dá para pagar tudo sozinha'. Foi o jeito", disse. 

Natália tem acesso à Netflix, Prime Video, HBO Maz, Disney+, Globoplay, Star+ e Paramont. Uffa! Tudo isso, ela conta que, se pagasse sozinha, ficaria em torno de R$ 200. Mas como faz o 'esquema' compartilhado nos valores, paga R$ 70 em tudo. 

"Vale muito a pena, porque eu tenho acesso a vários conteúdos novos, lançamentos que saem do cinema e até filmes que estão simultâneos em cartaz. É o famoso jeitinho brasileiro, né?", pontuou a estudante.

Se a estudante tem vários streamings coletivos, o profissional de educação física, Felipe de Sá, compartilha 15 streamings. Isso mesmo, quinze. Entre plataformas de filmes, séries e de esportes. Ele explica que o valor da mensalidade do ‘combão’ gira em torno de R$ 150 e se fosse pagar individualmente não sairia por menos de R$ 300.

“As contas estão divididas entre amigos, familiares e até a ex entra nessa. A divisão ocorre em virtude do preço ser um pouco elevado, saindo mais em conta pra todos que participam da divisão. E já que o streaming permite a gente usar duas, três, quatro e até cinco telas, então, vamos aproveitar”, brincou.

Mas conta compartilhada pode?

O compartilhamento das contas não é totalmente proibido, mas algumas plataformas têm testado ferramentas para rastrear o IP de acesso dos usuários, dificultando, por exemplo, que pessoas que moram em casas diferentes acessem uma mesma conta de assinatura.

Plataformas de streaming de música, por exemplo, como o Spotify, têm o pacote ‘família’ para cinco perfis e apenas pessoas que confirmarem morarem no mesmo endereço do titular da conta podem acessar.

Nos Estados Unidos, a Netflix já exibe um aviso quando o acesso é feito de uma casa diferente do dono da conta. Por enquanto, o alerta é passível de ser ignorado, mas é possível que em um futuro breve as empresas adotem métodos para evitar o compartilhamento. Não há informações se a empresa vai adotar o método no Brasil, segundo o portal Metrópoles.

Apesar das vaquinhas para dividir as contas ameaçarem os lucros das empresas, nem todas estão dispostas a entrar em conflito com os usuários. O perfil da HBO chegou a responder uma dúvida de influenciadora no Twitter, que perguntava sobre o compartilhamento de contas.

Reprodução/Twitter

A Disney também já deu a entender que está disposta a tolerar certa quantidade de compartilhamento de contas. A empresa diz que espera e acredita no bom senso de seus assinantes, que vão compartilhar a sua conta apenas com a sua família ou membros da sua residência. Apesar disso, segundo o Guia do Usuário, “o serviço possui mecanismos capazes de detectar comportamentos inadequados que, se interpretados como fraude, podem resultar em suspensão ou cancelamento da conta”.

O Prime Video agora suporta até seis perfis em uma mesma conta de usuário, sendo o principal e mais cinco, cada um com histórico de visualização diferente e acesso a conteúdos diferenciados. Já o Globoplay, permite o compartilhamento da assinatura apenas para usuários residentes na mesma casa. No serviço da emissora carioca, cada convidado tem a sua própria senha e e-mail para acesso.

Jornal Midiamax