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Colegas de quarto não se acertam sobre educação de pets e adestrador dá dicas para conciliar ‘guarda’

Uma das donas desabafou o ocorrido na página "Segredos UFMS" e dividiu opiniões dos estudantes

Nathália Rabelo Publicado em 17/09/2021, às 08h00

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Foto: Reprodução

Uma publicação inusitada na página do Facebook "Segredos UFMS" chamou atenção na quarta-feira (16). Segundo o desabafo postado no perfil, duas colegas de quarto estariam se desentendendo sobre qual tipo de educação dar aos pets, desavença recorrente que pode afetar a vida de amigos e casais que compartilham a guarda dos bichinhos.

A publicação dividiu várias opiniões, por isso fomos atrás de um profissional para dar um veredito. Mas afinal, cachorro precisa ter limites? E como equilibrar a guarda compartilhada de pets quando duas opiniões são tão diferentes?

Primeiro, vamos olhar o relato completo que a jovem [anônima] postou no "Segredos UFMS":

“Adotei um doguinho com uma amiga minha, porém temos muitas divergências a respeito da educação do mesmo. Exemplos: eu acredito que o cachorro precisa ser corrigido quando faz algo errado (fere pessoas, (mordidas extremamente forte, arranhões e etc). Eu entendo que ele está brincando e, não quero que o animalzinho pare de brincar, mas ele precisa saber que há limites, não?

Minha amiga discorda e, fica extremamente chateada (do tipo que chega a brigar) se eu chamo atenção do dog.  Assim que adotamos o cachorrinho, compramos casinha, ração, água, tudoo... Ela, por ficar mais em casa do que eu (eu trabalho), acostumou o dog a dormir com ela, no quarto dela, com a porta fechada.

Algo que eu não concordo.

Por fim, o cachorro vai fazer quase 1 ano e não consegue entender o que é "Não" ou o que é "Para". Nem mesmo as visitas escapam.  Eu tento corrigir ou falar algo sobre isso, porém minha amiga discorda veementemente. Estou preocupada com o bem estar do meu pet, e também, queria saber como lidar com toda essa situação.

Agradeço desde já.”

Foto: Reprodução/Facebook

O relato, no entanto, dividiu opiniões de internautas. “A melhor coisa é colocar limites saudáveis e ser firme. Conversar com seu cachorrinho, chamar a atenção de formas de boas, mas firmes”, disse um.

Já outra pessoa falou que o melhor a se fazer é entrar em um acordo. “É complicado, pois precisa da compreensão da amiga também, vocês precisam entrar em um acordo na educação do cachorro”. Outros, no entanto, ficaram revoltados:

“Sua amiga não sabe de animais, provavelmente b**** nenhuma de cães e quer dar pitacos?! Manda ela estudar o comportamento dos cães, depois ela volta e fala alguma coisa!”

“Divórcio com guarda compartilhada”; “Oche, o cachorro dorme na cama dela e vc ta com ciúmes?”; “Colega, é só uma pequena noção do que é uma guarda compartilhada. Força!”. Esses foram só mais alguns inúmeros comentários que bombaram na página.

Mas, então, como agir nesses casos? O adestrador de animais Edson Jorge trabalha na área há 25 anos e já vivenciou muita coisa ao longo desse tempo. Para ele, é importante que as amigas — e todas as pessoas que cuidam de pets juntas — entrem em um consenso para que a convivência não seja afetada.

Uma boa dica é impor quais tipos de atitudes cada dono nega ou permite que o cachorro faça dentro de casa. Depois, chegar a um equilíbrio. No entanto, Edson adverte: todo pet precisa de limites, desde que ensinados com moderação.

Dessa forma, é importante que os donos ensinem o que é certo e errado a partir dos quatro meses de idade. Para isso, é preciso ser firme e consistente. Gritar ou bater nos pets está fora de cogitação, até porque poderia enquadrar como maus-tratos aos animais (e nenhum deles merece isso, né?).

“Cachorro não raciocina, mas assimila tudo o que você mostra para ele o que tem que fazer. Na hora que você fala ‘não, ele tem que entender o ‘não’”, comenta o adestrador. Confira mais dicas de como treinar o seu doguinho em casa e sempre com muito respeito com ele e com as pessoas ao redor:

  • Ter paciência;
  • Começar a adestrar em casa a partir dos 4 meses;
  • Uma das maneiras de falar “não” para o cachorro, é tirar ele de perto de você quando ele faz algo errado e mostrar que você não quer mais brincar com ele.

Edson destaca também a importância do exercício para os animais, algo a ser levado muito em conta na rotina dos donos antes de ter um animal. “O cachorro tem bastante energia e tem que ter espaço para eles. Além de ter um espaço, ter um horário pra levar ele para gastar energia é fundamental. Se você não fizer isso, o cachorro vai estressar”.

  • O cachorro de porte pequeno é mais fácil porque tem menos chance de machucar, mas precisa colocar limite para tudo também.
  • Se o cachorro fizer xixi, por exemplo, tem que falar que não pode fazer aquilo em determinado lugar.
  • Se ele entrar dentro de casa sem a sua permissão, coloca ele de novo lá fora e verbaliza os limites que pode, ou não, ultrapassar.
  • Colocar coleira no cachorro no começo do treinamento.

O tempo de treinamento varia de acordo com o temperamento e personalidade do cachorro. O próprio dono vai entendendo a dinâmica do animal. “O cachorro não é igual computador que você armazena algo ali e já gravou. Tem que fazer no dia a dia pra ele entender, ele vai assimilando. Conforme a quantidade que você for colocando limite, ele vai entender o que não pode fazer”, finaliza Edson.

Jornal Midiamax