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'Bora marcar?' sai do papel, povo de Aquidauana não fura e mostra que vai mesmo a 'reencontrão'

Turma de 1974 a 1977 da Escola Cândido Mariano conseguiu se reunir na cidade com o empenho de todos

João Ramos Publicado em 21/11/2021, às 10h30

Reencontro marcante só aconteceu devido ao esforço e à vontade de se ver de novo
Reencontro marcante só aconteceu devido ao esforço e à vontade de se ver de novo - (Fotos: Arquivo Pessoal)

Se pra quem mora na mesma cidade um simples "bora marcar?" pode parecer tão descompromissado e impossível por diversos fatores, o empenho de ex-alunos da Escola Estadual Cândido Mariano, espalhados pelo Brasil, dá um tapa na cara da sociedade que posterga e procrastina reencontros com pessoas especiais.

Movidos pela saudade de uma época que marcou suas vidas, 31 ex-alunos conseguiram se reunir em Aquidauana, município onde a escola está localizada, para compartilhar lembranças e tudo que aconteceu ao longo das últimas quatro décadas. Tradicional, a Cândido Mariano é cheia de história, e essa inesquecível turma, que conviveu de 1974 a 1977, faz parte dela. A aposentada Ercília Lemos, uma das organizadoras do reencontro, detalhou ao Jornal Midiamax como tudo aconteceu.

"Começou quando um dos nossos amigos, que mora em Dourados, ligou para nossa amiga Shiley Fava, que mora em São Paulo, e era da nossa turma", relatou. Eles trocaram ideia e pensaram em organizar um encontro da antiga e marcante classe.

Imediatamente, os colegas ligaram para Ercilia, que vive em Aquidauana até hoje. "Temos uma foto que tiramos na frente da antiga escola, numa aula de educação artística, com a professora Marina. Tiramos na escadaria da escola, e, a partir dessa foto, montamos um grupo de zap e fomos chamando as pessoas que conhecemos daquela época", explica.

"Um foi chamando o outro, o outro lembrava de outro, e assim nós conseguimos reunir 31 pessoas. Alguns nós não achamos, procuramos, procuramos, mas não achamos. Mas depois que juntamos esses 31 ex-alunos, começamos a trocar ideia sobre o nosso encontro", afirma.

Canecas personalizadas com a afirmação "Amigos para sempre" (Foto: Arquivo Pessoal)

Com a pandemia, o grupo precisou cancelar todos os planos. "Mas continuamos conversando e amadurecendo a ideia. Agora, depois de todo esse tempo, eu fiquei aqui em Aquidauana como a organizadora, vendo os locais, vendo onde nós íamos fazer as canecas de lembrança, onde nós íamos fazer as camisetas, enfim, tudo que tinha que fazer aqui em Aquidauana eu fiz", conta Ercilia.

Ela diz que a equipe nomeou a coordenação de alguns alunos e sempre contou com o apoio de alguns deles. Nesse tempo, faziam as reuniões online para decidir tudo, tomando todas as decisões em comissão. Até que chegou o grande dia, ou melhor, o grande final de semana: nos dias 13 e 14 de novembro.

Reunião em sítio foi muito especial (Foto: Arquivo Pessoal)

"Nós fizemos o primeiro momento lá na Escola Estadual Cândido Mariano, fizemos homenagens para a professora Zilda Monteiro de Oliveira, que era nossa diretora na época, para Marina Oshiro, que foi nossa professora, e para a professora Soninha Oshiro, que foi professora de matemática durante os 4 anos: na 5ª, 6ª, 7ª e 8ª série, e também para a diretora atual da escola, professora Nilda Fátima", diz a ex-aluna.

Os veteranos plantaram uma muda de ipê e até colocaram uma placa no prédio. Depois, foram ao antigo local onde a escola funcionava na década de 1970, hoje ocupado pela Polícia Militar de Aquidauana. "Refizemos a nossa fotografia, do ontem e do hoje, e depois fomos para um Sítio e ficamos lá no sábado e no domingo", comenta.

Antes e depois da turma de Aquidauana (Fotos: Arquivo Pessoal)

"Muita nostalgia, muita risada... matamos saudade, contamos histórias... À noite, no sábado, nós fizemos o baile da saudade e ouvimos músicas da nossa época. Enfim, foi um reencontro maravilhoso, só fortalecemos as nossas amizades", narra Ercilia.

"Cada história que nós contávamos, coisas que aconteceram conosco naquela época... foi muito bom, e já saímos pensando no próximo encontro. Esse encontro só foi realizado porque todos estavam ansiosos para se reencontrar. Formamos um grupo, e desse grupo nós fizemos o nosso tudo acontecer", finaliza.

Reencontro foi eternizado em placa na escola (Fotos: Arquivo Pessoal)
Jornal Midiamax