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Artista de MS, Alice Yura apresenta exposição individual ‘Acalantar’ em Brasília

A Galeria Karla Osorio apresenta a exposição individual da artista Alice Yura, que estará em cartaz até 13 de junho, na Capital Federal.

Leandro Marques Publicado em 11/05/2021, às 12h12

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Foto: Alice Yura

Em exposição aberta ao público até o dia 13 de junho, a Galeria Karla Osorio, em Brasília, recebe a artista sul-mato-grossense Alice Yura, em sua primeira individual, intitulada "Acalantar". A primeira exposição individual da artista apresenta um conjunto de trabalhos que leva ao público não somente seus trabalhos desenvolvidos recentemente, mas um panorama de sua produção artística, com trabalhos criados desde 2013.

Dessa forma, "Acalantar" se constrói a partir das próprias contradições impostas pelo sistema da arte, uma vez que, partindo de seu processo criativo, a artista elabora seus sentimentos e pensamentos construindo e fundamentando sua subjetividade no campo da experiência poética e estética, há também uma denúncia sobre a inscrição de seu pensamento nesse sistema, uma vez que sua primeira exposição individual ocorre quase uma década depois de iniciar sua produção artística.

Alice Yura retoma a si e à História da Arte para discutir noções de corpo, do gênero e das subjetividades. Ao recriar imagens que, em sua maioria, remetem diretamente à construção de um imaginário feminino, a artista questiona a carga de verdade contida nessas representações e como essas narrativas foram - e ainda são - importantes para a criação de um imaginário que contempla apenas uma única possibilidade.

Em Brasília, exposição "Acalantar", de Alice Yura, poderá ser visitada até o dia 13 de junho. Foto: Paulo Leite


Ao colocar-se como figura central de sua obra, Alice busca olhar para sua própria história, dos elementos e do universo que a cerca. Em seus trabalhos fotográficos, a artista recorre ao uso do autorretrato para refletir condições alegóricas das imagens, desconstruindo assim uma figuração idealizada do feminino e, por consequência, do ser mulher. As pinturas produzidas recentemente, e que a artista apresenta pela primeira vez ao público, também abarcam essa discussão. O cabelo tingido aplicado sobre a tela reafirma os códigos que recaem sobre a ideia de uma
performatividade do feminino.



Essa desconstrução também pode ser pensada em outras camadas, a partir do momento que a artista reflete sobre a própria composição de sua imagem dentro de um imaginário de normatividade, que nunca coube dentro de uma história oficial. Observando a condição do tempo como determinante para sua própria reafirmação enquanto sujeito, Alice abre a discussão sobre a imortalidade da imagem ao passo que vivemos em constante processo de ressignificação da autoimagem.

Ao refletir sobre o tempo na construção da sua própria subjetividade, Alice lida com as dualidades da sua própria existência, seja no campo da arte, seja na vida, devolvendo para o espectador a reflexão sobre o tempo e a história não como um lugar de sedimentação, mas sim de fluidez. Ao retomar para si a construção narrativa da sua própria existência, a artista cria um lugar de acalanto para continuar produzindo noções de futuro.

Obra : Alice Yura


Alice Yura

Para a artista “acalantar” faz alusão a seu processo na arte e ao modo em que ela, mesmo com as  contradições do sistema da arte, ainda produz um efeito de acalanto no mundo e com o mundo. Com isso consegue elaborar seus sentimentos e pensamentos construindo e fundamentando sua subjetividade no campo da  experiência poética e estética”... “Ela é uma mulher trans que encontra na arte um abrigo e um lugar para lutar. Lhe interessam profundamente as relações e os processos de arte e vida, afetos, encontros e, como isso está intimamente ligado à política, cultura, biologia, ao  corpo e a nossa formação de identidade e alteridade. As fronteiras e os tempos a fizeram, estar entre aqui e agora, na busca do amor entre a ordem e o caos”.

Exposição “ACALANTAR”
Mostra individual de Alice Yura
Local: Galeria 4 e 5, Pavilhão II
Visitação: até 13 de junho de 2021.

Jornal Midiamax