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1º grupo indígena de rap do Brasil, Brô MC’s conquista 10 mil seguidores

Das aldeias Jaguapirú e Bororó, que ficam na cidade de Dourados, eles misturam português e guarani para falar de seu cotidiano e já fazem parceria com Alok

Nathália Rabelo Publicado em 13/07/2021, às 16h20

Brô MC's
Brô MC's - Foto: Reprodução

Você já ouviu falar no grupo musical Brô MC’s? Se ainda não, então está na hora de conhecer. Diretamente de Dourados, uma das principais cidades de Mato Grosso do Sul, é a primeira banda de rap indígena do Brasil. Formado por quatro amigos indígenas que tinham o sonho de falar sobre o cotidiano de cada um, foi na música que eles encontraram a voz para conversar com todo o país. E na segunda-feira (12), comemoraram os 12 anos da banda da melhor forma possível: alcançando os tão sonhados 10 mil seguidores nas redes sociais.

Cada vez mais suas composições estão ficando conhecidas. Para você, leitor, ter uma ideia, o perfil oficial do Brô MC’s lançou uma campanha ontem para conquistar 10 mil seguidores e ter acesso a facilidades oferecidas pelo Instagram. Hoje (13), eles já ultrapassaram esse número e contam com 10,1 mil followers.

E não para por aí, ontem mesmo eles mostrara os batidores de uma parceria musical com ninguém menos do que o Alok, um dos principais DJs da atualidade no mundo.

“Somos o primeiro grupo de rap indígena do Brasil. Nossa luta é usada nas nossas rimas, flechas lançadas com originalidade e coragem”, disseram. Os cantores ainda ressaltam que eles têm a missão de informar através da arte e, claro, com muita música boa.

Onde tudo começou

Bruno Veron, Clemersom Batista, Kelvin Peixoto e Charlie Peixoto são quatro jovens indígenas das etnias Kaiowá e Guarani das Aldeias Jaguapiru e Bororó, localizadas na cidade de Dourados, região oeste de MS.

Eles iniciaram a carreira em 2009 ignorando preconceitos e objeções para serem reconhecidos no espaço do rap brasileiro, mas isso não impediu que eles cantassem sobre o cotidiano e a vida nas aldeias. Foi essa abordagem, inclusive, que deu ao grupo maior repercussão. As letras falam sobre a luta pela terra, a questão da identidade indígena, problemas como o consumo de álcool e drogas e também altos índices de suicídio na aldeia.

“Minha fala é forte e está comigo / Falo a verdade, não quero ser que nem você / Canto vários temas e isso que venho mostrando / Voz indígena é a voz de agora”, diz a tradução da letra de “Koangagua”, cantada em guarani. Os vídeos, inclusive, têm legenda para o público entender o significado das canções.

Bruno Veron, um dos integrantes do grupo, conversou com o Midiamax em 2018. Na época, ele disse que começou a cantar escondido. “Quando eles [lideranças indígenas] viram que as letras falavam da nossa realidade, eles nos apoiaram. Agora até crianças e jovens nos apoiam”, relata o músico.

Com passagens pelo Festival de Berlim com a música “Terra Vermelha” na curta-metragem “E Busca da Terra Sem Males”, e também na série “Guateka”, o Brô MC’s está conquistando cada vez mais público ao redor do Brasil e levando a realidade indígena a mais espaços através da arte.

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