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#Retrospectiva2020: Atingida pela quarentena, classe artística precisou ‘se virar nos 30’

Desde março deste ano, o isolamento social tem sido uma das principais medidas de contenção da pandemia do coronavírus. Ao longo de 2020, Mato Grosso do Sul registrou toque de recolher e a proibição de eventos e shows, como forma de tentar evitar o contágio da doença entre a população. “Do dia para a noite” […]

Bruna Vasconcelos Publicado em 24/12/2020, às 14h00 - Atualizado em 25/12/2020, às 07h19

Dandan trabalha no ramo musical desde os 13 anos (Foto: Arquivo Pessoal)
Dandan trabalha no ramo musical desde os 13 anos (Foto: Arquivo Pessoal) - Dandan trabalha no ramo musical desde os 13 anos (Foto: Arquivo Pessoal)

Desde março deste ano, o isolamento social tem sido uma das principais medidas de contenção da pandemia do coronavírus. Ao longo de 2020, Mato Grosso do Sul registrou toque de recolher e a proibição de eventos e shows, como forma de tentar evitar o contágio da doença entre a população. “Do dia para a noite” quem trabalha na área se viu diretamente atingido, sem fonte de renda e precisando se virar nos 30.

Músicos, sonoplastas, produtores e até alguns empresários tiverem sua fonte de renda cessada com o cancelamento dos eventos. Foi um corre-corre para remarcar – sem data definida – os shows. Também houve dor de cabeça para explicar ao público que os organizadores, muitas vezes, não tinham dinheiro em caixa para devolver o valor dos ingressos.

A maré cheia chegou e passou arrastando esses profissionais. Para driblar a ressaca, surgiram as lives. Aos poucos, artistas do país inteiro anunciavam shows ao vivo para levantar fundos para auxiliar seus profissionais e ajudar outras pessoas que também foram atingidas economicamente pela pandemia. Em Mato Grosso do Sul não foi diferente.

#Retrospectiva2020: Atingida pela quarentena, classe artística precisou 'se virar nos 30'

Rafael Rolim, percussionista do Samba10, diz que já imaginava que a área musical seria uma das mais atingidas por se apresentarem, geralmente, em casas noturnas e eventos.

“Assim como os outros artistas, nós tivemos que nos adaptar e entramos no mundo das lives. Fizemos duas lives e com ajuda de alguns parceiros conseguimos ajudar outras pessoas que também sofreram com a pandemia. Na primeira transmissão arrecadamos alimentos e, na segunda live, agasalhos.”

Dandan Nahas, de 39 anos, trabalha desde os 13 no meio artístico e nunca tinha passado por nada parecido. O profissional foi integrante da banda Feitiço Moleque e depois virou produtor de artistas como Victor e Vinícius, Camila Prates e Henrique, Rominho , Jads e Jadson e Hugo e Guilherme. Com vasta experiência no ramo, Dandan não acreditava que o hiato iria ser por todo esses meses.

“Paramos um projeto que estávamos fazendo na época, achando que íamos parar 2 semanas talvez 3 no máximo, mas infelizmente estávamos errados.”

Os primeiros 2 meses de pandemia foram, segundo ele, os mais difíceis por não conseguir produzir nada e, consequentemente, gerar nenhuma renda. O profissional precisou entrar na dança das lives e iniciou a produção de transmissões ao vivo. Ao todo, Dandan produziu 7.

Apesar da esperança de novos tempos durante o próximo ano, o profissional acredita que ainda vai demorar um tempo para a classe voltar a ser o que era antes do dia 15 de março, quando os músicos de Campo Grande cessaram as atividades.

“O mercado da música está dilacerado, muitos já desistiram e viraram motoristas de aplicativo, moto entregadores, autônomos de vários seguimentos. Na flexibilização agora, em setembro pra frente, criamos uma ‘falsa’ esperança. Voltamos a trabalhar com bastantes regras, reinventando formatos de eventos e até mesmo formação das bandas. Aproveito o espaço pra fazer um pedido: que a população, quando tudo isso passar, vá prestigiar os artistas da cidade, frequentar os bares, restaurantes pois nós fomos os primeiros a pararmos e seremos os últimos a voltarmos.”

Jornal Midiamax