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Escritora sul-mato-grossense lança livro ‘Maria d’Apparecida negroluminosa voz’

Mazé Torquato Chotil lança nesta quarta-feira (4) o livro 'Maria d'Apparecida negroluminosa voz'. A produção pode ser adquirida na pré-venda

Carlos Yukio Publicado em 03/11/2020, às 11h39 - Atualizado às 11h41

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Sul-mato-grossense, Mazé Torquato Chotil lança Maria d'Apparecida negroluminosa voz

A escritora, doutora e jornalista sul-mato-grossense Mazé Torquato Chotil, direto de Paris, lança nesta quarta-feira (4) o livro ‘Maria d’Apparecida negroluminosa voz’, sobre a cantora lírica brasileira. A produção já pode ser adquirida na pré-venda do site da Editora Alameda. Para obter Frete grátis, basta utilizar o cupom APPFRETEGRATIS ao finalizar da compra.

O livro conta a história da protagonista Maria d’Apparecida, mulher negra que foi levada por sua voz à cidade de Paris, onde foi modelo, amante e musa de artista plástico. Conhecida internacionalmente como “a Maria Callas afro-brasileira” e ativa até a década de 1990, foi distinguida, na França, com homenagens e láureas oficiais importantes, mas duramente hostilizada no Brasil, não obtendo em vida o reconhecimento em seu próprio país sobre a grandiosidade de sua obra.

Negroluminosa voz a de Maria d’Apparecida (1926-2017), que arrebatou os palcos mais disputados da música lírica europeia antes de alcançar o do Rio de Janeiro. Em 1965, quando Maria Callas não pôde cantar Carmen, a mezzo-soprano negra brasileira a substituiu. Só integrando, como estrela, uma companhia de prestígio europeia foi chamada a cantar no Theatro Municipal.

Nem por isso deixou de enfrentar o racismo, expresso agora não como veto, mas com pequenos gestos de um cotidiano cruel, como a recusa em massageá-la ou em aplicarem-lhe uma medicação. Por quase uma década após esse momento de glória, D’Apparecida circulou nos
meios mundiais do canto com grande destaque. Um acidente interrompeu sua carreira lírica e a colocou na posição de cantora de Música Popular Brasileira e autora de um disco com Baden Powell. Foi quando mais vendeu LPs.

Maria d’Apparecida foi também a musa de um grande pintor, o surrealista Félix Labisse, com quem manteve um longo relacionamento amoroso. Era amiga da esposa de Labisse, que se lembrou dela no testamento. Se tudo correr bem, estarão um dia os três
na mesma tumba.

Filha de uma empregada doméstica engravidada pelo patrão, Maria d’Apparecida nos faz lembrar das crueldades de classe e de raça sobre as quais se assenta a sociedade brasileira. Suas conquistas se deram superando essa injustiça estrutural, e lembrá-las é uma forma ao mesmo tempo de reconhecer seu talento gigantesco e de denunciar nossas raízes mais venenosas. Morreu em 2017 em Paris, esquecida do público.

Sobre a autora

Mazé Torquato Chotil é jornalista, pesquisadora e doutora em ciência da informação e da comunicação pela Universidade de Paris VIII. Nascida em Glória de Dourados (MS), vive em Paris desde 1985. É autora de José Ibrahim: o líder da primeira grande greve que afrontou a ditadura, Trabalhadores exilados: a saga de brasileiros forçados a partir (1964-1985), Lembranças do sitio, Lembranças da Vila, Minha aventura na colonização do Oeste e Minha Paris brasileira. Em língua francesa é autora de L’Exil ouvrier e Ouvrières chez Bidermann: une histoire, des vies.


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