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Com mística e febre dos acessórios digitais, relojoeiros se tornam raros em Campo Grande

Seja para quem busca olhar a hora de forma prática ou quem usa como símbolo de status, o relógio é um acessório indispensável do pulso, mas na era digital, está cada vez mais difícil encontrar quem faça manutenção nos acessórios tradicionais. Em Campo Grande, esses profissionais estão cada vez mais raros e alguns dos mais […]

Ranziel Oliveira Publicado em 20/12/2020, às 07h48 - Atualizado às 13h31

(Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax)
(Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax) - (Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax)

Seja para quem busca olhar a hora de forma prática ou quem usa como símbolo de status, o relógio é um acessório indispensável do pulso, mas na era digital, está cada vez mais difícil encontrar quem faça manutenção nos acessórios tradicionais. Em Campo Grande, esses profissionais estão cada vez mais raros e alguns dos mais antigos da cidade podem ser encontrados em galerias de lojas na Rua 14 de Julho.

Com um empreendimento que passou de pai para filha, Simone da Silva, de 48 anos, é proprietária de uma relojoaria com mais de 40 anos de tradição, no mesmo endereço. “Comecei a trabalhar aqui com 8 anos. É um trabalho minucioso, em todos os serviços você trabalha com a confiança do cliente”, disse ela.

A proprietária conta que a maioria dos clientes busca o serviço uma vez no ano, pelo fato do acessório não requerer manutenção frequente. Os relógios analógicos são divididos em duas categorias, corda manual e corda automática, podendo apresentar um atraso de até 5 minutos por mês. Já o digital, movido por pilha, pode apresentar um atraso de um segundo ao ano, mas sem a mesma resistência.  “Os relógios mecânicos tem a vida útil 10 vezes maior do que os de pilha”, explicou.

Combustível de avião

Com mística e febre dos acessórios digitais, relojoeiros se tornam raros em Campo Grande
(Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax)

A mística por traz da manutenção de um relógio é tão sofisticada que combustível de avião é utilizada para a limpeza das peças. A profissional recomendado  que a cada cinco anos o aparelho passe por uma troca de lubrificante. “É como se fosse o óleo de motor de um carro, cada relógio tem um tipo de lubrificante”, detalhou Simone.

No seu estabelecimento, entre a imensa gama de serviços, os mais procurados são os de manutenção rápida: troca de pilha a partir de  R$ 15, substituição de pino a partir de R$ 2, e ajuste de pulseira partindo da casa dos R$15.

Além de funcional, Simone explica que o relógio é um símbolo cultural, utilizado como marco em datas importantes. “ 70% dos nossos clientes são do público masculino, o relógio é a joia do homem. Quando era de um avô, como pressente de formatura ou no primeiro salário, ele é associado com datas importantes”, finalizou.

Falta no mercado

Para quem é relojoeiro desde os 16 anos, as alterações no setor ficam cada dia mias visíveis percebendo a dificuldade dos clientes em encontrar mão de obra, e a falta de oferta do mercado. “Não existe mais uma escola técnica de relojoeiro. Ouço muito as pessoas, alguns andam muito outros andam pouco procurando técnicos, principalmente para relógios de marca”, afirmou Joel Moreira, de 64 anos.

Trabalhando com várias marcas de relógio, Joel explica que a lista de preços e serviços é extensa e variável: Partindo de serviços mais simples como troca de pino a partir de R$ 8,00, troca de pilha a partir de R$ 16,00, e a manutenção de um Rolex partindo de R$ 3 a 4 mil.

Com mística e febre dos acessórios digitais, relojoeiros se tornam raros em Campo Grande
Galeria na 14 de Julho é reduto de relojoeiros no Centro (Foto: Leonardo de França, Midiamax)
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