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La Película: Ainda na semana do Dia da Mulher, filmes dão poder e voz a elas

Lista indica produções com mulheres que mudaram suas vidas

Daiane Libero Publicado em 10/03/2016, às 12h41

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Lista indica produções com mulheres que mudaram suas vidas

Nesta terça-feira (8) comemoramos o Dia Internacional da Mulher, mas sem muito o que comemorar, já que as mulheres ainda passam por diversas situações de preconceito, medo, abuso, salários menores e diversas outras desigualdades. Mas nada melhor do que utilizar o cinema como ferramenta justamente para desconstruir essa ideia de que as mulheres são inferiores. 

No cinema, elas estão presentes em diversas camadas de produção, e suas histórias (reais ou inventadas) encantam, dão força e voz a várias espectadoras. Por isso separamos uma lista com cinco filmes que têm em comum essa grandeza de ser mulher. Histórias de batalhas, de amizade, de superação ou de empoderamento. Confira nossas indicações. 

Terra Fria (2005)
Baseado em uma história real, o filme “Terra Fria” narra o drama de Josey Aimes, uma mulher que tem a ousadia de abandonar o marido que a espancava para procurar um emprego e sustentar sozinha seus dois filhos. Para conseguir chefiar essa família, ela resolve trabalhar numa mineradora de ferro no interior do estado de Minnesota, nos Estados Unidos. Depois de ser abusada pelo marido, começa a sofrer assédio moral e sexual dos homens da mina, que possuem o mesmo comportamento com as mulheres que ali trabalham. Os abusos cometidos pelos colegas vão desde os comentários maliciosos e brincadeiras sexuais rabiscadas nas paredes e ditas nos intervalos de almoço até as investidas sexuais de seus superiores. As reclamações de Josey não têm eco e a única resposta que ela recebe é que peça demissão caso não esteja gostando do trabalho. Josey decide então entrar com uma ação judicial contra a empresa. Foi a primeira ação coletiva por assédio sexual dos Estados Unidos, um marco histórico que influenciou outros processos judiciais e lutas feministas no país e no mundo.

A Cor Púrpura (1985)
Em 1906, em uma pequena cidade da Georgia, sul dos Estados Unidos, uma adolescente é violentada pelo próprio pai e torna-se mãe de duas crianças. Cada vez mais calada e solitária, ela passa a compartilhar sua tristeza em cartas. Uma sobrevivente de abuso sexual e moral, Celie (Whoopi Goldberg, em sua estreia no cinema) escreve cartas a Deus e à sua irmã Nettie (Akosua Busia), narrando tudo o que ela tem de suportar. Através de todas as suas dificuldades, Celie encontra sua voz e encontra a força para levantar-se para o marido opressivo. Whoopi Goldberg foi indicada ao Oscar de melhor atriz por este filme em 1985. Baseado no livro de Alice Walker, A Cor Púrpura recebeu 11 indicações e é considerado um clássico do cinema. 

Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento (2000)
Filme que rendeu uma estatueta do Oscar à Julia Roberts apresenta a história de Erin, mãe de três filhos, sem dinheiro e sem formação escolar. Por um acaso e por seu jeito insistente acaba trabalhando num escritório de advocacia, e descobrindo um caso de envenenamento de toda uma cidadezinha por mercúrio. Lutando para fazer o que é certo, ela se redescobre como pessoa e muda a imagem que todos têm ao redor dela. As batalhas de Erin são as mesmas de muitas mulheres. 

Tomboy (2012)
A sinopse desse filme francês, que é de uma sensibilidade ímpar, já é mostrada apenas no nome do longa. Escrito e dirigido pela francesa Céline Sciamma, mostra a história da pequena Laure. Sua mãe está grávida e ela vive em um lar tranqüilo com a irmã menor e o pai carinhoso. O enredo começa quando a família se muda para um novo condomínio em uma nova cidade. Diante de uma nova escola e novos amigos, Laure conhece Lisa, uma menina, e sem saber direito a razão, se apresenta como Mickael. Seus cabelos curtos e seu rosto limpo acabam por definir todo o resto: a mentira vira a ponte comportamental da personagem, que, para a nova turma, é um menino. A partir de então surge um afeto imenso entre Laure e Lisa. Laure tenta, a partir daí, comportar-se como um menino.

Que Horas Ela Volta? (2015)
O plot de “Que Horas Ela Volta?”, da cineasta Anna Muylaert, é de uma simplicidade muito tenra. Val, interpretada por Regina Casé, é a empregada doméstica e babá submissa, que largou a filha Jéssica em outro estado para cuidar de Fabinho, o filho mimado, em São Paulo. O conflito acontece quando Jéssica, dez anos depois, vai até São Paulo para prestar vestibular na mesma faculdade que Fabinho, e já que Val não tem casa, se hospeda com a mãe na dos patrões. A teia de castas que se estendia sobre a casa subjetivamente começa a ruir pois Jéssica é nada mais do que livre. Ela não se considera como “cidadã de segunda categoria” por ser filha de Val, a empregada. O longa foi a sugestão brasileira ao Oscar 2016, mas não passou na seleção. 

Jornal Midiamax