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Em meio às violências do dia a dia, exposição gratuita propõe reflexões pela paz

Mostra segue em cartaz até 2 de outubro

Guilherme Cavalcante Publicado em 14/09/2016, às 09h12

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Mostra segue em cartaz até 2 de outubro

De que forma podemos disseminar a cultura da paz num contexto em que a sociedade é tão excludente? Como essa cultura pode dialogar, por exemplo, com os modelos econômicos atuais, que fomentam exclusão, discriminação e violência? Esta é uma das respostas que a exposição 'Da Cultura de Violência para a Cultura de Paz', em cartaz no Shopping Norte Sul Plaza, em Campo Grande, quer responder. Produzida pela Soka Gakkai Internacional, a SGI, a mostra quer levar às pessoas reflexões sobre um mundo possível no qual a paz tem um status perene na sociedade. Criada em 2007, a expo já percorreu mais de 250 cidades em todo mundo. Até o dia 2 de outubro, é a vez de Campo Grande deparar-se com as propostas da exposição-documentário.

A ideia da exposição é basicamente promover reflexões acerca de caminhos que nos conduzam ao fim de conflitos e diferenças, tudo isso a partir da problematização da violência tão presente no dia a dia. A estratégia da SGI tem como método a desconstrução. Uma vez que se descortina a violência, entendemos o que leva aquele cenário.

"Ao adotar a Cultura de Paz, empoderamos todos os indivíduos para promover mudanças positivas na sociedade em que cada um vive baseados no respeito mútuo e na valorização da vida. O simples fato de desejar viver com conforto enquanto ignoramos o fato de que outras pessoas estão sofrendo com problemas de moradia, alimentos, saneamento básico, saúde, pobreza e desigualdade social figura a Cultura de Violência", explica o publicitário Rodrigo Vieira, 34 anos, há 20 associado do braço brasileiro da SGI. Nosso desafio é abandonar essa Cultura de Violência, que é silenciosa e encontra na apatia o fio condutor para se instalar na vida das pessoas e levar uma sociedade à degradação de princípios e valores", acrescenta.

Assim, a expo põe em prática os objetivos da SGI, que são chamar a atenção, conscientizar e fazer cada pessoa refletir para promover mudanças profundas. "Acreditamos que devemos criar condições principalmente para os jovens utilizem toda sua energia na criação de valores que sustentem seus objetivos e ideais, que visem não somente suas realizações pessoais, mas uma sociedade que respeite e dignifique o ser humano", afirma Rodrigo.

Exposição quer levar reflexões sobre a paz num contexto de violências (SGI/Divulgação)

A mostra, que reúne 38 painéis que provocam as reflexões, foi idealizada para comemorar o 50º aniversário da Declaração de Apelo à Abolição de Armas Nucleares, que data de 8 de setembro de 1957, por Josei Toda e em resposta ao chamamento de Daisaku Ikeda, atual presidente da SGI, pelo estabelecimento da Década de Ações pela Abolição das Armas Nucleares, apresentado às Nações Unidas em agosto de 2006.

Cada painel reúne fatos e estatísticas que levam a reflexões práticas e fazem o expectador concluir que há, de fato, meios de se alcançar a paz a partir do indivíduo. Até 2 de outubro, a exposição também exibirá filmes temáticos, como 'Um outro modo de ver as coisas', de Daisaku Ikeda, 'Testemunhos de Hiroshima e Nagasaki', que traz relatos de mulheres que sofreram com as explosões atômicas no Japão na Segunda Guerra, e 'Uma revolução silenciosa' que traz histórias de inspiração para uma cultura da paz.

A reflexão que gera a paz

Daisaku Ikeda, atual presidente da SGI (Divulgação/SGI)A fundação da Soka Gakkai Internacional, a propósito, já dialogo de forma intensa com a exposição. Surgida no Japão durante a Segunda Guerra Mundial, em 1930, a SGI atua junto às Nações Unidas no combate a conflitos. O armamento bélico, inclusive, é um dos alvos da entidade, que defende que apenas 6% da verba mundial gasta nesta corrida financiaria as necessidades básicas da população, como moradia, educação e atendimento em saúde.

"A Soka Gakkai foi fundada em 1930 pelo educador Tsunessaburo Makiguti, com o intuito de promover a criação de valores humanos por meio da educação. Isso se deu em 18 de novembro de 1930 com a publicação do livro Soka Kyoikugaku Taikei (Sistema Pedagógico de Criação de Valores). Após sua fundação, várias pessoas sentiram-se atraídas pelas idéias de Makiguti e, passados sete anos, em 1937, foi realizada a cerimônia para oficializar a fundação da organização", relata.

Rodrigo também explica que a experiência do Japão, que passou por duas experiências bélicas, tornou-se símbolo da luta pelo desarmamento nuclear e de todo o tipo de violência contra a vida. "O devastado cenário da segunda guerra mundial, agravado pelas atrocidades causadas com o lançamento das bombas atômicas sob a população de Hiroshima e Nagasaki, fez surgir no Japão o ideal do humanismo Soka que hoje está presente em quase 200 países", destaca.

Para a entidade, as armas nucleares encontram-se no cume da pirâmide da violência. "Conforme a pirâmide se estende para a base, atinge-se o nosso cotidiano. Conflito e desconfiança entre as comunidades, crime, violência e abuso doméstico – tudo isso faz parte da cultura mais ampla da violência", explica o publicitário.

Serviço – A exposição 'Da Cultura de Violência para a Cultura de Paz – transformando o espírito humano' está em exposição no shopping Norte Sul Plaza (Avenida Ernesto Geisel 2300 – Jockeyu Club) até 2 de outubro de 2016, sempre de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 11h às 21h, na Praça de Eventos. Entrada gratuita.

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