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Após 4 anos, Hangar anuncia fechamento e deixa frequentadores em ‘clima de luto’

Casa chegou a trazer mais de 40 atrações à cidade

Guilherme Cavalcante Publicado em 22/01/2016, às 09h00

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Casa chegou a trazer mais de 40 atrações à cidade

A notícia que pegou muita gente de surpresa nesta quinta-feira (21): o Hangar Live Music, casa de shows na região do Jardim Paulista, anunciou por meio do Facebook que fechou as portas, assim, sem por em panos quentes, sem fazer festa de despedida, e dias após uma das festas mais bacanas da casa, a Disk 90, que lotou o espaço e divertiu centenas.

Quer dizer, o fechamento da casa não é por motivo financeiro ou falta de público. Em quatro anos de existência, o Hangar conseguiu conquistar sua clientela, apostando sempre em artistas independentes. E é por isso que a notícia foi recebida com tristeza por alguns. E para piorar a situação, na prática, isso tudo significa que em Campo Grande há menos um local para se divertir, ao menos para aqueles que querem fugir da rota sertaneja que domina a Avenida Afonso Pena, por exemplo.

Mas, não dá para dizer que não foi bom curtir esses tempão no Hangar. Foram pelo menos 40 atrações do país inteiro, uma média de uma por mês, dentre elas grandes nomes nacionais e bandas independentes que começavam a despontar na cena musical. E sempre o público estava lá para curtir a noite e tomar cerveja gelada, rever amigos e dançar como se ninguém estivesse vendo.

"Não aconteceu nada demais, nossa relação com a noite de Campo Grande é excelente. O lance é que já são quatro anos, é tempo suficiente para manter um projeto desses. Eu não diria que cansaço é a palavra correta, mas é mais ou menos isso. Cumprimos nossa parte e posso dizer com certeza que foram quatro anos muito legais", conta o produtor cultural Thiago Coutinho, um dos sócios à frente do Hangar.

Só lembrança boa

Infelizmente, os produtores do Hangar não planejam festa de despedida. Inclusive, os eventos já agendados foram remanejados para outros lugares da cidade. Quem quiser matar a saudade vai ter que recorrer às fotos ou à memória. "Não vai ter despedida, até porque a casa foi vendida, vai continuar fazendo show, mas para outro segmento", destaca Thiago. O que fica de consolo é que ele continuará com produções culturais. "A qualidade dos eventos do Hangar vão existir em qualquer evento cuja produção leve meu nome, mas tenho que deixar claro agora que eles vão ser bem menos frequentes", destaca.

E mesmo encerrando aqui a casa, o que se levará são as boas experiências pelas quais tanto produção como os frequentadores passaram na Rua Trindade. "Eu que sempre fui roqueiro aprendi muita coisa, conheci muita coisa, pude trazer gente muito legal para cá. Pode ter certeza de que isso foi muito gratificante", conta.

Só para exemplificar, no currículo da casa estão shows de Marcelo Jeneci, Forfun,Vespas Mandarinas, Ratos de Porão, Cachorro Grande e A Banda Mais Bonita da Cidade, esta, a que mais chamou a atenção da casa. "Foi um show surpreendente, o intercâmbio com a banda começou bem antes deles chegarem aqui. E a interação deles com o público foi algo que eu nunca tinha visto, tinha cumplicidade ali. Foi lindo", afirma Thiago.

Lembranças que certamente ficarão num lugar privilegiado da nossa memória.

Jornal Midiamax