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Simplória, casa no centro resiste ao tempo com jardim de rosas e estátua de boas-vindas

Proprietário é artista plástico e tem inúmeras pinturas de suas rosetas

Carol Alencar Publicado em 16/06/2015, às 09h05

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Proprietário é artista plástico e tem inúmeras pinturas de suas rosetas

A procura constante da equipe do MidiaMAIS em encontrar o dono daquela casinha, no Bairro Amambaí foi, até que enfim, válida. Foram mais de três semanas insistindo até que, num domingo ensolarado, conseguimos encontrá-lo. Aos 40 anos, o psicólogo Flávio Taveira mora há 25 naquela humilde residência. Ele nos recebeu com um sorrisão no rosto e abriu o portão já falando de seu jardim.

Na verdade, a casinha que estamos falando, nos chamou a atenção, justamente pela sua simplicidade e claro, pelo jardim que tem. A primeira vista, percebemos uma casa bem cuidada, simplória e com muitos pés de rosas. “São mais de 80  roseiras que plantei”, confirmou nosso entrevistado que as define como ‘sintetizador da beleza na terra’.

“Vejo Deus todo dia quando olho para o meu jardim…assim me sinto mais próximo dele e me mantenho feliz; para mim, a felicidade é ter paz de espírito e viver de maneira simples”, diz Flávio, que é o responsável por cuidar de todo o rosário que tem.

A casa é da família de Flávio. Foi comprada pelo seu pai em 1972, mas só depois de 20 anos, em 1992, que ele se mudou para lá. Ela fica há uma quadra da Avenida Fernando Corrêa da Costa e três da Avenida Afonso Pena. Resiste à expansão imobiliária que perpetua na cidade. Não tem cerca, nem alarme mas tem, os clássicos caquinhos de vidro que provavelmente vai machucar quem se atrever a entrar sem ser convidado

“Logo que cheguei aqui só tinha mato ao redor, nada de vizinhança e, fui eu quem idealizou a frente e colocou aquelas estátuas de cabeça de abacaxi na entrada do portãozão”, conta.

Segundo ele, as estátuas semelhantes a coroa de abacaxi, são inspirações da cultura americana e dão boas- vindas a quem chega ao local.  Ainda no portão, um sino de bronze substituía a campainha. Claro, não existe mais, roubaram.

No jardim, outra estátua se consagra. Flávio disse que teve a ideia de colocá-la em destaque justamente por trazer a paz para o lar. “Estátua me traz uma tranquilidade, só de ver ela no jardim eu fico calmo, fora que, ela dá um tom artístico a uma decoração”, explica.

Os caminhos de roseiras, que servem de sombra ou substitui a garagem da residência, são frutos de inspiração para o dono. Além de psicólogo, Flávio é formado em Artes pela Faculdade de Belas Artes da UFRJ. Logo que entramos na sala da casinha, encontramos várias pinturas das rosas de seu jardim emolduradas na parede e também, estantes recheadas com livros e vasos chineses.

“Gosto muito de arte, morei por vários anos no Rio e trouxe várias coisas que me lembram o tempo que vivi por lá, era uma beleza”, recorda.

Além de sua própria arte, o interior da casa é repleto de outras antiguidades. O que mais nos chamou a atenção foram as inúmeras cristaleiras e relógios de parede que ele tem. “Coleciono várias coisas, gosto de ter a casa cheia, mesmo que seja de objetos, uma vez que meus pais já se foram e não tive irmãos, me preencho de objetos de arte”, diz nosso colecionador nato.

Ao lado dele, uma amiga de infância acompanhava a entrevista. Áurea de Jesus, 50 anos, conhece o amigo e a casinha que nos encantou, desde quando ele se mudou pra lá. “Ajudei-o a construir esse lago, que era cheio de peixes e carpas… e em festinhas que dávamos, ligávamos a fonte e até aquela casinha japonesa que fica próximo, ficava lindo”, conta a melhor amiga.

Além de antiguidades, a casa é decorada com várias fotos e artigos do Elvis Presley. O motivo? Flávio atua nas horas vagas como cover do Elvis Presley. “Eu adoro cantar e sempre tô fazendo o Elvis em eventos que me contratam”, conta o cover mostrando as inúmeras fotos.

Sobre vender a propriedade que tem, Flávio diz que até poderia aceitar uma boa proposta, mas se valer muito a pena. “Já cuidei demais da minha casa, hoje como não paro muito aqui, talvez aceitaria uma boa oferta….quem sabe assim, consigo me desprender e ir morar em São Paulo, que é um sonho ainda a realizar nessa vida”. 

Jornal Midiamax