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“Seo” Jair, com 79 anos, é um dos responsáveis por deixar pátio da Expogrande nos trinques

Ele é aposentado, mas diz que trabalho ocupa a mente

Carol Alencar Publicado em 15/04/2015, às 09h47

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Ele é aposentado, mas diz que trabalho ocupa a mente

Aos 79 anos o peão Jair Alves Machado, assim que gosta de ser chamado, trabalha há 14 no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande. Desde 2001 “seo” Jair colabora com a realização da Expogrande, que neste ano está em sua 77ª edição, não só ajudando com os animais, mas também na construção civil.

“Eu ajudei a construir dois tatersais e toda parte de baixo do parque”, disse.

Tímido o peão não é de falar muito, mas o trabalho daquele homem gerou curiosidade em mim, que estive no local, fazendo uma pauta sobre as mudanças do parque. Aos poucos, ele foi se abrindo.

Tentando não atrapalhar o trabalho, sentei-me no pavilhão que ele estava forrando de maravalha, uma espécie de madeira usada como cama para os animais. Entre um carrinho e outro, me contava sua vida e como colaborava para a realização da Expogrande. Em frases curtas ele ia contando.

“O gado dos homens são caros, se não faz bem feito eles brigam”, declara. Com a mão tremula o idoso mostrava os sinais da idade. Ele que foi criado em fazenda já é aposentado, mas como a maioria dos brasileiros não consegue viver dignamente com o dinheiro que recebe da aposentadoria. “Dá para viver, só não dá para viver bem”.

Como peão ele disse já ter trabalhado em fazendas do Pantanal e estar acostumado com o ritmo no parque que realiza uma das maiores feiras agropecuárias do Estado. Seo Jair garante que o serviço começa três meses antes da Expogrande e acaba um mês depois.

Com o jeito simples ele diz que nasceu aqui, mas ainda confunde o nome dos estados. “Trabalhei em muita fazenda desse Pantanal a fora. Sou daqui, de Mato Grosso”.

O idoso, que não pensa em parar de trabalhar tão cedo, diz acreditar que o trabalho é muito importante para manter a mente funcionando. No parque tem serviço o ano todo. Durante a exposição ele tem auxílio de mais sete homens para deixar os treze pavilhões prontos para os animais que serão expostos e leiloados durante a feira. 

Trabalhando como peão seo Jair criou os filhos e já tem dois netos. “Sou casado e tenho meus filhos criados com o meu trabalho. Agora meus netos vão vim nos shows e vou mostrar o que fiz”. O homem humilde não queria que tirasse foto dele trabalhando, organizando os pavilhões para os animais. “Quem vai querer vê esse peão sujo?”, indagou.

Convencido de que aquele era um trabalho digno como qualquer outro, o idoso deixou que fosse registrada a sua contribuição para a Expogrande. 

Jornal Midiamax