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Paixão em quadrinhos: curso traz dicas, truques e manhas para quem quer produzir HQs

O curso abordará os processos dw produção, edição e distribuição de quadrinhos

Mikaele Teodoro Publicado em 16/07/2015, às 09h54

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O curso abordará os processos dw produção, edição e distribuição de quadrinhos

Do primeiro HQ ele se lembra bem. “Era um X-Men 71 empurrado por um amigo meu. Eu sentei e devorei, quando terminei só perguntei: já tem o próximo?”. Ali começava a história de amor entre o então garoto e os quadrinhos. Hoje, com 34 anos, Magno Mustang se orgulha de ter abandonado os “trabalhos normais”, como define, para se dedicar à XD Comic Shop, uma das poucas lojas especializadas em HQs de Campo Grande.  

Como ele, milhares de crianças, adolescentes e adultos têm descoberto o efervescente universo dos quadrinhos. Para se encantar é só ler o primeiro. “Não tem segredo”, diz. Desde 2012, Magno mantém o site Diplomacia Nerd e também um canal no YouTube onde dá palpites e dicas sobre quadrinhos, jogos e todos os artigos e interesses, que não são poucos, do “universo nerd.”

Satisfeito com os passos que já deu a caminho de se tornar uma das referências do assunto em Mato Grosso do Sul, Magno nos revela que além dos planos de produzir o seu próprio HQ – que já está em fase de realização em parceria com uma quadrinista paulistana – a ideia é criar um selo para editar os trabalhos que já surgem por aqui.

“É um sonho que temos. Seria muito bacana poder reunir pessoas que produzem seu próprio material por aqui e viabilizar essa distribuição”, conta. Candidatos a parceiros não faltarão. Em uma palestra oferecida pelo roteirista e editor S. Lobo, na noite desta quarta-feira (15), cerca de 30 aspirantes a quadrinistas compareceram.

A maioria deles buscava respostas para as mesmas perguntas: “Como bancar a própria publicação?”, “Como e quando é a hora de começar a produzir?”. Para os dois principais questionamentos a resposta foi: “Quanto mais gente produzindo, melhor. Melhor para o mercado que se forma, melhor para o público que terá mais opção e qualidade. Não tem um momento para começar”, explicou o autor de “Copacabana” que acaba de ter a segunda edição publicada.

Impulsionado por esse crescente número de apaixonados, a produção nacional de quadrinhos encontra-se em pleno “boom”. Nos últimos anos, várias editoras foram criadas e diversos eventos voltados ao segmento brotaram pelo país. Um mercado aberto e em pleno crescimento.

“É um mercado que está muito aberto e as pessoas tem dificuldade de entender que isso representa uma liberdade muito grande de criação. Não há engessamento como em mercados mais tradicionais. Isso tem que ser usado a nosso favor”, afirma.

S.Lobo é apaixonado por histórias em quadrinhos desde a infância, mas apenas aos 33 anos decidiu deixar o ofício de publicitário para mergulhar nas histórias em quadrinho. Não parou mais. Desde então, ele passou por diversas funções dentro da cadeia de produção dos trabalhos até se dedicar à criação de seu projeto autoral que só foi lançado em 1998. “É muito trabalhoso.”

Trabalho que as acadêmicas de jornalismo, Fernanda Palheta, Juliana Barros e Juliane Garcez têm descoberto na prática. Como projeto de conclusão de curso as estudantes desenvolvem um livro-reportagem em quadrinhos sobre a questão indígena do Estado. A linguagem da narrativa foi escolhida pensado, não só na originalidade, mas também na possibilidade de aliar diálogos a traços realistas e principalmente para aproveitar o talento de Juliane para o desenho.

“Estamos em fase de pesquisa. Buscando referências, mas já produzimos algumas coisas como teste e o resultado foi bem lega”, explica Fernanda ao se derreter diante dos traços da amiga.  

Curso de quadrinhos

A partir desta quinta-feira (16), S. Lobo oferece quatro dias de oficinas em que abordará o os processos da produção, edição e distribuição de quadrinhos, além de apresentar o poder didático da linguagem dos HQs.

Em 1999, S. Lobo ganhou o primeiro lugar no Salão Carioca do Humor, com o quadrinho “Bingulu, o Homem mais Engraçado do Mundo”. Em 2003, fundou a revista de bolso Mosh!, que teve 12 edições e conquistou quatro prêmios HQ MIX. Comandou as editoras Desiderata e Barba Negra e foi diretor de duas edições do Rio Comicon. Publicou em francês o quadrinho “Copacabana”, com desenhos de Odyr Bernardi. Atualmente, é um dos responsáveis pela web-série “Quadrinho para Barbados”, dirigida ao público adulto. Mais informações na página do evento no Facebook.

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