NO MUSEU: exposições do Marco mostram vivências, massacres e reflexões

Na segunda matéria da série No Museu, fomos visitar o Marco, lugar certo para os apreciadores da boa arte
| 17/05/2015
- 13:30
NO MUSEU: exposições do Marco mostram vivências, massacres e reflexões

Na segunda matéria da série No Museu, fomos visitar o Marco, lugar certo para os apreciadores da boa arte

Em homenagem ao Dia do Museu, comemorado nesta segunda-feira (18) a equipe do MidiaMais resolveu fazer uma visitinha aos vários museus espalhado por Campo Grande. Na segunda matéria da série No Museu, fomos visitar o Marco (Museu de Arte Contemporânea), lugar certo para os apreciadores da boa arte.

Hoje o museu está localizado no Parque das Nações Indígenas nos altos na Avenida Afonso Pena, mas não foi sempre assim, não. Inaugurada em 2003 a nova sede projetada pelo arquiteto Emmanuel de Oliveira, começou a ser construída em 1993 e foi concluída em julho de 2002, porém sua existência se dá desde 1991 e sua primeira sede ficava na Avenida Calógeras.

Cercado pelo verde do parque, o museu atrai olhares de pessoas de todas as idades e locais. Com um acervo próprio de 1700 obras que registram o percurso das artes plásticas em Mato Grosso do Sul do princípio aos dias atuais, o museu nos fez viajar e refletir através de obras que retratam vivências e reflexões sobre a sociedade.

Na primeira sala que entramos encontramos mais que obras de arte, mas a história de experiências pessoais vividas pela artista bonitense Buga. Pensando nos seus tempos de infância no Pantanal a artista decidiu que homenagearia a Comitiva Pantaneira em forma de arte.

É impossível não notar a delicadeza nos traços. Na exposição intitulada “Comitiva Contemporânea”, a argila ganha forma em um trabalho milimetricamente pensando e desenvolvido que nos transporta para estradas e campos sul-mato-grossenses.

A segunda sala nos levou a uma reflexão sobre o nosso dia-a-dia. A exposição “Sublimação” do artista plástico Wagner Thomaz, resgata fragmentos de uma memória urbana em ruínas. Thomaz retrata o que muitas vezes, por causa da correria diária nos passa despercebido, o quanto Campo Grande mudou durante esses anos e o que continua do mesmo jeito e nem demos conta.

O artista mostra através de fotografias as construções abandonadas na Capital, destacando o quanto a rotina limita a nossa visão ao ponto de não enxergarmos o que acontece ao nosso redor. A mostra permite vislumbrar quanto Campo Grande se modificou ao longo de seus 115 anos por variadas intervenções arquitetônicas.

Você já ouviu falar em xilogravura? É uma técnica de origem chinesa de gravura na qual se utiliza madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado. É um processo muito parecido com um carimbo. E foi isso que encontramos na próxima sala.

Na mostra, “Colagens Musicais” do artista carioca André de Miranda, encontramos várias gravuras e colagens que são os resultados de sua pesquisa e sua incessante busca pelo aprimoramento da xilogravura, utilizada durante seus quarenta anos de atividade profissional. O artista se utiliza de trechos recortados e colados de suas próprias xilogravuras e as aplica com papéis coloridos e partituras, recriando sinfonias e verdadeiras composições visuais.

E por fim na sala reservada ao acervo próprio do museu encontramos a amostra “Terra”, de Sebastião Salgado. A exposição leva o nome do livro publicado por Sebastião em 1997 pela Companhia das Letras com textos de José Saramago e canções de Chico Buarque que reúne 109 fotografias em preto e branco em que o fotógrafo retrata a condição de vida de trabalhadores rurais, sem terra, mendigos, grupos socialmente excluídos e marginalizados no Brasil.

As fotografias de Sebastião Salgado em cartaz nesta primeira temporada narram em fotografias, entre outros conflitos, o massacre de Eldorado dos Carajás (Pará, 1996) em que 155 soldados da polícia militarizada abriram fogo contra uma manifestação de camponeses em protesto aos graves problemas dos trabalhadores do campo e ao atraso legal de expropriação de terras.

Impossível não se deslumbrar com cada detalhe, a cada passo que dávamos nos surpreendíamos mais com cada exposição. E pra quem pensa que apreciar obra de arte e visitar museu é coisa de gente velha está completamente enganado. Todos os dias o Marco recebe a visita de diversas escolas, fato que segundo a coordenadora do museu Maisa Barros é de extrema importância.

“A educação cultural tem que começar desde criança. Desde pequeno deve-se despertar o interesse da criança”, ressalta Maisa. A coordenadora acredita que a visita ao museu deve ser atividade obrigatória para toda e qualquer idade, pois dessa forma é possível “elevar os espírito e conhecimentos”.

O Marco abre quatro temporadas por ano e cada temporada as quatro salas recebem novas exposições. O objetivo é fazer com que o público que vai ao museu ver uma exposição específica também possa apreciar as obras de outros artistas daqui do Estado, do Brasil e até da fronteira como Bolívia e Paraguai.

As obras são escolhidas através de edital que sempre são abertos em outubro e encerram em janeiro. Em fevereiro um grupo de professores e críticos de arte se reúnem para selecionar os artistas que vão compor a agenda do ano. Cada exposição tem duração de seis meses.

E pra você que ainda não conhece o Marco, Maisa deixa o convite. “Eu sempre costumo dizer que quando uma pessoa viaja a primeira coisa que ela quer conhecer é um museu. Por isso deixo os o convite à população de Campo Grande que venha conhecer o Marco, pois ele não deixa nada a perder para outros. No Marco sempre vai ter algo que a pessoa vai gostar”.

O Marco (Museu de Arte Contemporânea) está localizado na Rua Antônio Maria Coelho, nº 6.000 – Parque das Nações Indígenas. O horário de funcionamento é terça a sexta das 12h às 18h, aos sábados, domingos  e feriados o museu abre das 14h às 18h. Visitações de escolas podem ser agendadas pelo telefone 3326-7449.

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