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Vila Mamona exalta mulher negra e fecha com brilho o desfile do Grupo Especial em Corumbá

Com vestimentas femininas, a Comissão de Frente representou a pujança da mulher negra

Diego Alves Publicado em 17/02/2015, às 23h12

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Com vestimentas femininas, a Comissão de Frente representou a pujança da mulher negra

Mostrando mais uma vez a força da comunidade,  a Vila Mamona fechou com chave de ouro o desfile das escolas de samba do Grupo Especial de Corumbá. Já passava das 03h da madrugada desta terça-feira e o público que ficou até o fim, viu um desfile empolgante. Os 900 componentes mostraram animação e cantando o samba, entoaram a força da mulher negra, enredo que credenciou a  Vila a entrar na disputa pelo título de 2015.

Com vestimentas femininas, a Comissão de Frente representou a pujança da mulher negra. A águia, símbolo da escola, veio no carro abre-alas e fez o movimento de abrir e fechar as asas. As baianas representaram Iemanjá, Iansã, Oxum e Nanã, sendo cada fileira remetendo a uma Orixá, com as cores Azul, Amarelo, Vermelho e Violeta. Os quilombos, símbolo da resistência da raça negra durante o período da escravidão foram o tema das fantasias do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Salgadinho e Ângela Arruda.

Os 110 ritmistas, comandados pelo mestre Edinho, representaram os Guerreiros de Nzinga e mostraram força, ritmo e muita garra da agremiação. A rainha da bateria, Cartilene Diniz, mostrou samba no pé. O segundo carro alegórico representou  o Navio Negreiro e retratou a chegada de um povo que não perdeu suas raízes africanas, apesar de toda a opressão causada pelos ferros dos grilhões.

Grandes mulheres negras estiveram representadas nas alas, tais como Teresa de Benguela, líder quilombola; Escrava Anastásia, curandeira que realizava milagres; Xica da Silva, ex-escrava que escandalizou Diamantina com suas extravagâncias; Clementina de Jesus, compositora de sambas; Jovelina Pérola Negra, que ajudou a consolidar o pagode como estilo musical do país e Dona Ivone Lara, compositora.

História

Fundado em 1981, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Vila Mamona, segunda escola com mais títulos do carnaval corumbaense, traz em seu pavilhão as cores verde, branco e vermelho. Uma das mais tradicionais escolas de samba e com uma sequência de 14 títulos consecutivos, amarga um jejum de 10 anos sem a premiação máxima do carnaval de Corumbá e vem de dois rebaixamentos, em 2011 e 2013. Foi campeã do Grupo de Acesso em 2014 com o enredo que falava sobre o cinema: “A Vila faz da avenida a calçada da 7ª arte”, que garantiu seu retorno ao Grupo Especial deste ano.

Com o enredo defendido este ano, “O brilho da noite, estrelas negras do nosso Brasil”, o diretor de harmonia, José Maria, disse ao Diário Corumbaense que a Vila vem de um processo de resgate de sua história no carnaval. “A comunidade mamonense se dedicou e tenho certeza que vamos conseguir um bom resultado”, afirmou.A apuração oficial dos desfiles das escolas de samba dos Grupos de Acesso e Especial é nesta quarta-feira, às 16h, na avenida General Rondon. Antes, ao meio-dia, este Diário realiza no Espaço M, do Hotel Nacional, a entrega das placas douradas aos ganhadores do Esplendor do Samba.

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