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Pagamento de vigilantes que fizeram segurança no Carnaval de Corumbá gera confusão

Empresa com sede em Eldorado teria atrasado repasse à equipe de trabalho convocada em Campo Grande

Midiamax Publicado em 19/02/2015, às 21h02

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Empresa com sede em Eldorado teria atrasado repasse à equipe de trabalho convocada em Campo Grande

A MG Segurança, empresa de Vigilância e Segurança de eventos, sediada em Eldorado, a 438 quilômetros da Capital, é acusada de irregularidades na contratação de profissionais free-lancer (autônomos) que trabalharam no suporte ao Carnaval de rua em Corumbá, distante 428 quilômetros de Campo Grande. Parte do efetivo de 150 homens que a empresa disponibilizou para a Segurança dos quatro dias de festividade foi recrutada na Capital, com promessa de estadia e alimentação por conta da MG, além de uma diária de R$ 80,00. Do grupo, que embarcou no dia 12 para trabalhar na Cidade Branca, metade protestou em frente a uma casa no Santo Amaro cobrando pagamentos e reclamando em coro das condições de trabalho, acompanhada pelo sindicato da categoria.

“Não são companheiros afiliados do sindicato na maioria, até por serem em significativa parcela desempregados, que aceitaram inclusive essa oportunidade de trabalho por conta da necessidade. Mesmo assim, por se tratar de trabalhadores, pais de família e ser do setor estamos acompanhando. Pelo que vimos houve em todo processo diversas inconformidades e desrespeito com os recrutados de lá de Corumbá e principalmente com os daqui que viajaram”, relata o presidente do Sindicato dos Empregados em Empresa de Segurança e Vigilância Patrimonial, Eletrônica, Transporte de Valores e Escolta Armada de Mato Grosso do Sul (Sesvig-MS), Celso Adriano Gomes da Rocha, que acompanhou os pagamentos da MG a 20 vigilantes contratados de Campo Grande, que ocorreu em uma casa na Rua Duque Estrada, 169, no Santo Amaro. 

O grupo de vigilantes dissidentes da excursão de trabalho precisou ficar na frente da casa por cerca de duas horas e meia, até que a empresa começasse a fazer os acertos dentro da casa, que não é sede oficial da MG. Dentro da residência, além de representantes da empresa, todos identificados como também free-lancers, havia, conforme o Midiamax identificou uma outra parte do efetivo contratado pela empresa em Campo Grande, que fazia entre as 14 horas e as 17 horas desta quinta-feira (19), uma espécie de escolta aos pagamentos. 

O clima ficou tão tenso, com o impedimento da entrada do presidente do Sesvig-MS, Celso Adriano, que o dirigente sindical chegou a solicitar a Polícia Militar para comparecer o local. Dentro da casa os pagamentos da MG a cada autônomo era feito com descontos do que colaborador teria gasto de consumação na pousada, que a empresa designou os trabalhadores de Campo Grande, apenas no segundo dia de estadia em Corumbá. 

“Não há um critério sobre essa cobrança e muito menos há legalidade nessa vinculação do pagamento ao trabalhador já vir com o desconto do que teria sido gasto na pousada. A estadia e a alimentação dos colaboradores que viajaram daqui para Corumbá são de responsabilidade da empresa, que só definiu o local de hospedagem no segundo dia. Não há uma comprovação oficial desse consumo e o detalhamento desses valores exigidos. Além disso, a forma como eles estão acertando com os trabalhadores apresenta irregularidades, dentro de um lugar que não representa a empresa, por pessoas que aparentam não ter ligação empregatícia com a MG e ainda colocando cada funcionário sob a pressão de cacetetes e várias pessoas na hora de receber”, explica o advogado do sindicato da categoria, Thiago Vargas Gusmão, que esteve no lugar. 

Terror

A versão do lado dos 20 colaboradores que questionam a MG explica uma condição inadequada de trabalho, com alojamentos com mofo, móveis em estado precário, ausência de intervalos para alimentação e informalidade na contratação. “Nunca passei por isso, aceitei por estar de férias e procurar uma renda. Trabalhei com o joelho machucado, pedi assistência médica e ignoraram”, conta o líder dos descontentes, o vigilante Ralrinkir, apelidado de Paulista.
“Desempregado há oito meses, deixei minha família aqui para tentar ganhar algum dinheiro e eles atrasam, fazem a gente ter que se expor em instalações precárias e teve 13 da nossa equipe que foram obrigados a ficar em um quarto, dormindo no chão, uma menina tendo que dividir espaço com vários homens, tomando banho de caneca”, desabafa Giovane Maicon, recrutado na Capital para o trabalho em Corumbá. 

A defesa

Pela MG Segurança, o Midiamax conversou com a coordenadora da operação no Carnaval de Corumbá, Angélica Rodrigues. Dentro da casa, onde posteriormente começaram a ser feitos os pagamentos, ela mostrou à reportagem um papel com a listagem das dívidas dos vigilantes embarcados em Campo Grande para atuar em Corumbá. O débito com a Pousada Corumbá Hostel, de acordo com controle divulgado seria de aproximadamente R$ 1.000,00, a maioria do montante com a compra de bebida alcoólica. 
A reportagem entrou em contato com administradora do hotel, Veralúcia Mendes, que confirmou o valor e disse que dependia do desconto da MG nos pagamentos para receber a dívida. Segundo ela a forma da quitação estava acordada com os vigilantes, que afirmavam não terem dinheiro para quitar a conta no check-out do estabelecimento. A empresa de Segurança também deve R$ 4.700,00 ao Hostel, referentes à hospedagem dos vigilantes, valor que conforme Angélica não será descontado dos colaboradores. 

O Midiamax não conseguiu falar com a Prefeitura de Corumbá, que foi a contratante da MG por meio de licitação. A empresa de Eldorado teria a maioria de seus serviços voltados para o setor público em Corumbá e Naviraí, de acordo com o que a reportagem apurou. 

Jornal Midiamax