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Investigações emperram e prejuízo do Gisa pode sobrar para cofres públicos

União quer dinheiro de volta, enquanto MPE e MPF não apontam responsáveis

Midiamax Publicado em 23/01/2015, às 12h41 - Atualizado em 13/07/2020, às 10h52

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União quer dinheiro de volta, enquanto MPE e MPF não apontam responsáveis

Não fosse o Ministério da Saúde e a CGU (Controladoria Geral da União), o escândalo Gisa  – sistema para marcação de consultas médicas por telefone que custou quase R$ 9 milhões durante o segundo mandato de Nelsinho Trad (PMDB), mas nunca funcionou – em Mato Grosso do Sul seria mais um caso sem solução. Até agora, não se sabe por que motivo, o MPE (Ministério Público Estadual) e o MPF (Ministério Público Federal) em Mato Grosso do Sul não se manifestaram sobre o desvio milionário de dinheiro da saúde em Campo Grande.

A primeira a se manifestar foi a CGU. Ela apontou improbidade administrativa e tráfico de influência do deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM), secretário de Saúde na gestão de Nelsinho. Segundo relatório, o demista recebeu passagens para o exterior pagas por empresas ligadas ao escândalo do Gisa.

Além disso, as viagens revelariam ligações suspeitas entre o ex-secretário de Saúde e uma empresa que foi subcontratada pela vencedora da licitação meses depois das viagens internacionais.
A CGU enviou o relatório para o MPF em Mato Grosso do Sul, que até agora nada fez para punir os envolvidos.

Situação foi ainda pior ocorre no MPE, que, mesmo com o relatório da CGU, arquivou denúncia feita pela CPI da Saúde na Assembleia Legislativa. A Promotoria chegou a abrir inquérito para “apurar suposta prática de ato de improbidade administrativa exposta no Relatório Final da Comissão Parlamentar de Inquérito da Saúde”, mas depois arquivou, negando punição à lista de envolvidos, que incluía Naim Alfredo Beydoun, Leandro Mazina, Silvia Raquel Bambokian, Maria Cristina Abrão Nachif, João Yamaura, Bertholdo Figueiró, José Carlos Dorsa e Adalberto Siufi.

Já o MPF ainda não apresentou resultado em relação ao caso. Apenas informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o procurador responsável solicitou mais informações à CGU e está analisando os autos. “O inquérito ainda não foi concluído. Por isso ainda não há processo na Justiça Federal”, respondeu a fonte oficial.

Continua

O relatório do CGU levou o Ministério da Saúde a rescindir, no começo deste mês, o convênio com a Prefeitura de Campo Grande, firmado para “Modernização da Gestão para Implementação de Ações de Regulação”, que culminou na elaboração do Gisa (Gerenciamento de Informações Integradas da Saúde), via contratação da empresa Telemídia Technology. Além de finalizar o contrato, o ministério deu 30 dias para o município devolver o dinheiro.

Sem definição por parte de autoridades constituídas para investigar e punir eventuais culpados, corre-se o risco de o prejuízo ficar para os cofres do município. Os prefeitos que passaram desde que o sistema foi lançado se negam a assumir responsabilidades em relação ao assunto.

Trad, que contratou o Gisa, culpa Alcides Bernal (PP), alegando que ele não deu continuidade ao projeto. Já o pepista quer que Nelsinho responda à Polícia Federal, afirmando que o sistema nunca existiu.

Gilmar Olarte (PP), por sua vez, prefere se eximir da responsabilidade como prefeito e jogar o problema para a Secretaria da Saúde. Enquanto isso, a empresa – assim como o dinheiro – sumiu de Campo Grande e sequer o telefone da sede em São Paulo é atendido.

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