Geral

Traumatizada com cesárea, campo-grandense luta para ter segundo filho com parto normal

Lílian Machado Bresolin, de 35 anos, é mãe de Luigi e Lara. Ele tem 5 anos e ela 1 ano e 4 meses. Quando Luigi nasceu, Lílian pensava em ter o filho de parto normal, mas a médica a convenceu que a melhor opção era a cesárea. Com uma recuperação difícil e dolorosa, ela viu […]

Arquivo Publicado em 07/08/2014, às 13h58

None
1897890604.jpg

Lílian Machado Bresolin, de 35 anos, é mãe de Luigi e Lara. Ele tem 5 anos e ela 1 ano e 4 meses. Quando Luigi nasceu, Lílian pensava em ter o filho de parto normal, mas a médica a convenceu que a melhor opção era a cesárea. Com uma recuperação difícil e dolorosa, ela viu que a opção era melhor, na verdade, para a médica e não para ela. E que a partir dali se engravidasse novamente não faria outra cesárea.

E foi assim quando soube que estava grávida de Lara. “Tive uma cesárea muito difícil. A recuperação foi dolorosa. Os pontos inflamaram e eu fiquei 45 dias trocando curativos. Tive que usar absorvente diário nos pontos por causa do tanto de pus que saía”, conta.

O trauma a fez procurar outra forma de ter Lara, senão a preferida dos médicos. “Quando fiquei grávida pela segunda vez só sabia que não queria que fosse cesárea”, diz, contando que foi ler mais sobre parto normal e acabou descobrindo o parto natural. “Fui pesquisar. Lia tudo sobre o assunto, até que descobri sobre o parto natural e vi que era o que eu queria fazer”, conta.

Ela diz que ao obter mais informações foi procurar um grupo que atua na área de parto humanizado e começou a se preparar para ter Lara de forma natural, sem intervenções. Conversou com a médica, a mesma que fez seu primeiro parto, e aparentemente estava tudo certo. Até chegar a data de Lara vir ao mundo.

“No dia que a bolsa estourou a minha doula tinha acabado de sair daqui de casa. Aí fui para o hospital para ter a bebê lá. Ao chegar a médica já me disse que era para eu me trocar e pôr o avental, aqueles de cirurgia”, conta.

“Aí de repente me deu um estalo e liguei para minha doula e ela falou não vai ainda, me espera que estou chegando. Quando ela chegou eles já estavam me encaminhando para a cesárea. A médica tentou me convencer de todas as formas de desistir e fazer a cirurgia. Disse até que o bebê entraria em sofrimento porque a bolsa havia estourado já há uma hora e que não poderia esperar ele querer nascer”, emenda.

“Como eu me neguei a fazer a cirurgia, ela disse que não esperaria e que não iria mais me atender. Aí ligamos para outra médica, que é mais aberta ao parto humanizado e ela me disse que não poderia vir naquela hora, mas que de manhã faria o parto comigo. Então fui para outro hospital”, conta, lembrando que a primeira médica a fez assinar um termo que se negou a fazer a cesárea e que deixa o hospital por conta própria.

“Ela quis me pressionar, e se a Fernanda (doula) não estivesse comigo eu teria desistido”, diz.

O parto

O parto, conta, foi maravilhoso. Totalmente diferente de quando teve Luigi. “Lembro que ela nasceu e já a colocaram nos meus braços. Ainda com o cordão umbilical, que minha mãe cortou. Ela nem chorou. Nasceu tranquila, na hora que escolheu. Já com o Luigi não. Ele não queria nascer. O médico empurrava minha barriga, fazia força para ele vir. Quando veio ao mundo, saiu assustado, chorando. Com a Lara foi mágico”, diz.

Resistência

Fernanda Leite, de 35 anos, doula da Papo de Gaia – Assessoria a Gestante & Família, conta que é comum os médicos resistirem ao parto humanizado. A profissão que quer dizer aquela que serve, em grego, é antiga e suas funções eram atribuídas para as mulheres (familiares ou da comunidade) que davam força, apoio e encorajavam a gestante no momento do parto e pós-parto.

Hoje, essas mulheres dão uma assistência mais ampla e seguem diretrizes da OMS (Organização Mundial de Saúde) para atuarem. “Fazemos cursos especializados e seguimos normas para trabalhar”, conta.

Mas pouco a pouco, Fernanda conta, que as doulas têm conquistado seus espaços ao lado das gestantes e mostrado que podem oferecer conhecimento e suporte para gestação e parto. “A orienta e assiste a gestante em todos os momentos que envolvem a gravidez: pré-parto, parto e pós-parto, compartilhando informações, oferecendo conforto, segurança, suporte emocional e físico. Ela caminha ao lado da gestante, encorajando-a e fortalecendo-a para as descobertas, desafios e transformações”, afirma.

Pré-natal e pós-parto

O acompanhamento, que funciona como um pré-natal, começa no período da gestação, como explica Fernanda. “Levo diversas informações para a gestante, com base na Medicina Baseada em Evidências – MBE, sobre que é essa gestação para ela emocionalmente, no corpo dela; preparando-a para o momento do parto. Auxilio na construção do seu plano de parto (um documento no qual ela vai expressar como ela quer que o parto dela seja realizado), tudo isso sempre trabalhando a confiança e segurança que a mulher tem que ter em sua capacidade de ter o bebê”.

A escolha do tipo de parto é uma etapa muito importante, o papel da doula é mostrar as implicações de cada método, para que a grávida reflita e escolha a maneira pela qual ela quer que a criança nasça. “Pra ela poder escolher ela precisa conhecer, não existe escolha sem conhecimento. Procuro informar a respeito dos tipos de partos que existem: parto na água, parto natural, normal, cesárea. Conhecendo o parto escolhido ela entenderá todo o processo e estará mais preparada fisicamente e psicologicamente”, diz a doula.

O acompanhamento da doula continua no momento mais especial e emocionante da gestação: o nascimento do bebê. Nesta fase ela fica ao lado da futura mãe já no começo do trabalho de parto, confortando-a com suporte físico por meio de massagens, movimentações, orientação de posições, banhos, além de suporte emocional, encorajando-a de forma carinhosa, tudo para auxiliar o trabalho de parto e tentar evitar as dores e desconfortos.

Jornal Midiamax