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Silêncio de atletas sobre “lei antigay” não abala ativistas em Sochi

Uma campanha para atrair atenção para as leis antigay da Rússia não tem conseguido ganhar força entre os atletas olímpicos, que até o momento evitaram dizer ou fazer qualquer coisa para protestar contra as medidas. Mas os organizadores do movimento afirmam que não estão desmotivados, e acreditam que alguns atletas ainda podem se pronunciar antes […]

Arquivo Publicado em 15/02/2014, às 15h34

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Uma campanha para atrair atenção para as leis antigay da Rússia não tem conseguido ganhar força entre os atletas olímpicos, que até o momento evitaram dizer ou fazer qualquer coisa para protestar contra as medidas. Mas os organizadores do movimento afirmam que não estão desmotivados, e acreditam que alguns atletas ainda podem se pronunciar antes do fim dos Jogos Olímpicos de Sochi.

“Nós achamos que as vozes dos atletas ainda são importantes nesse debate”, diz Andre Banks, diretor executivo do AllOut, um dos grupos protestando contra as leis. “Mas no fim das contas, depende do atleta encontrar o momento certo para se expressar”.

Com metade da Olimpíada transcorrida, nenhum atleta encontrou esse momento ainda, e o problema dos direitos dos gays ficou em segundo plano nos Jogos. Mas Banks espera que um ou mais atletas tomarão uma posição pública em Sochi.

O AllOut e seu grupo aliado Athlete Ally queriam que os atletas exibissem o logo P6, para atrair atenção ao Princípio 6 da Cartilha Olímpica, que afirma que discriminação de qualquer forma não é compatível com o movimento olímpico. Eles também esperavam que os atletas se pronunciariam contra as leis russas que proíbem a “propaganda gay” de atingirem crianças e adolescentes.

Manifestantes em várias cidades pelo mundo atacaram grandes patrocinadores da Olimpíada nos dias antes dos Jogos de Inverno começarem, pedindo que eles se pronunciassem contra as leis. Isso fez com que vários patrocinadores americanos divulgassem declarações dizendo-se contra a intolerância e a discriminação, ainda que nenhum tenha mencionado diretamente as leis russas.

Hudson Taylor, o fundador e diretor executivo da Athlete Ally, também negou estar desmotivado pelo silêncio quase total dos atletas sobre o tema. “Eu tenho certeza de que há atletas competindo atualmente que não vão deixar esses Jogos passarem sem se pronunciar. De minha parte, estarei assistindo ao resto da Olimpíada com grande ansiedade e expectativa”, disse ele.

Uma atleta abertamente homossexual já perdeu a chance de se pronunciar no pódio. Daniela Iraschko-Storlz, da Áustria, que se casou com sua parceira Isabel Stolz no ano passado, não falou sobre as leis antigay depois de ser medalhista de prata, terça-feira, no salto de esqui.

Daniela disse antes de ganhar a medalha que os protestos contra as leis da Rússia não valiam a pena, porque “ninguém se importa”. “Eu sei que a Rússia dará os passos certos no futuro, então deveríamos dar tempo a eles”, afirmou.

Banks diz que sua organização está tomando outras ações para chamar atenção aos problemas dos gays durante a Olimpíada, incluindo um pedido para o Comitê Olímpico Internacional impedir países de participarem nos Jogos a menos que provem que não discriminam os gays.

Ainda assim, ele gostaria de ver um atleta campeão dizer alguma coisa antes do fim do evento. Ele mencionou especificamente a snowboarder australiana Belle Brockhoff, que é homossexual e já se manifestou anteriormente contra as leis antigay. Brockhoff vai competir no snowboard cross neste domingo, mas não é considerada candidata a medalhas.

“Ter alguém fazendo uma declaração no pódio seria muito animador. Estamos torcendo muito por ela”, disse Banks.

Jornal Midiamax