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Nas ruas da Capital, população comenta gestos de corrupção comuns entre brasileiros

Campanha da CGU faz sucesso nas redes sociais ao mostrar a 'corrupção nossa de cada dia'. Em Campo Grande, a reportagem foi às ruas perguntar: você é corrupto?

Arquivo Publicado em 13/02/2014, às 17h00

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Campanha da CGU faz sucesso nas redes sociais ao mostrar a ‘corrupção nossa de cada dia’. Em Campo Grande, a reportagem foi às ruas perguntar: você é corrupto?

Em qualquer roda que for pronunciada a palavra corrupção logo a conversa vai descambar para a política e não vão faltar pessoas que gritam aos quatro ventos que político fulano é ladrão, que beltrano fez isso e que sicrano aquilo. Mas, qual é o nosso papel diante de tudo isso? Como cada cidadão contribui para acabar com a corrupção no Brasil, ou até mesmo para perpetuá-la?

Pode parecer exagero, mas uma campanha da Controladoria Geral da União (CGU) que viralizou no Facebook mostra que o buraco é muito mais embaixo e que apenas atitudes consideradas por muitos como aceitáveis também são atos corruptos.

A ideia da campanha (da imagem ilustrada na matéria) é exatamente mostrar as pessoas que é preciso todos se ligarem que pequenas atos ilícitos são tão graves quanto os grandes, o que muda é o poder que cada um tem na mão, a atitude, no fim é a mesma.

O publicitário Nicanor Benites, de 67 anos, acredita que furar fila, dar troco errado, falsificar atestados médicos, como outras atitudes imorais é tão grave quanto roubar uma dinheirama de recursos públicos.

Para ele, o que muda é a chance que cada um tem de enfiar a grana no bolso. “É praticamente a mesma coisa. Começa tudo por aí. Roubar muito ou roubar pouco não tem diferença. Quem pode mais rouba mais. O crime é o mesmo”, salienta.

A vendedora ambulante Neusa Maria dos Santos, de 54 anos, que há 32 anos trabalha pelas ruas de Campo Grande concorda. “Lógico que é a mesma coisa. Devolver um troco errado. Enganar. Tentar subornar. É tudo igual. Já recebi nota de R$ 100, como se fosse de R$ 2. Devolvi na hora. Não tem essa, não”, pontua.

Neusa Maria lembra que infelizmente muita gente tem a cultura de querer ganhar vantagem e não consegue ver que no fim o comportamento é o mesmo. “Tem coisa que não é só corrupção, é sacanagem mesmo. Sem-vergonhice”, diz.

O estudante de Miranda Jonathan de Almeida, de 19 anos, já não vê as coisas da mesma forma. Ele acredita que pequenos atos ilícitos não podem ser comparados a roubalheira dos políticos, porque quando se trata de dinheiro público muitas pessoas são afetadas. O que não ocorre em casos isolados.

De Terenos, a estudante Mariana dos Reis, de 18 anos, diz que não pensa muito sobre o assunto, já que para ela, agir de forma correta é automático. “Aprendi o que é certo e faço assim”, diz, mas confessa que quando pequena fez coisas erradas como colar em prova e hoje já não faz mais.

A campanha pode ser visualizada na fanpage da CGU, acesse por aqui.

Na luta por mais transparência

Entrou em vigor no último dia 29 a lei que responsabiliza a pessoa jurídica por atos lesivos à administração pública nacional e estrangeira (Lei nº 12.846/2012). Chamada informalmente de Lei Anticorrupção, esse é mais um grande passo no combate à corrupção no Brasil, pois pune de forma severa um dos grandes responsáveis e que, até então, só era atingido de forma indireta: o corruptor.

Pela nova lei, as empresas poderão ser punidas com multas de até 20% do seu faturamento bruto ou R$ 60 milhões, quando não for possível calculá-lo. Na esfera judicial, as sanções incluem o perdimento dos bens e até a dissolução compulsória da empresa.

Além do componente punitivo como instrumento inibidor da corrupção, a lei inova ao estabelecer incentivos para a conduta ética e íntegra por parte das empresas. Aquelas que comprovadamente investirem em boas práticas, especialmente nas transações com o setor público, caso venham a ser responsabilizadas, podem ter a multa reduzida substancialmente. (Com informações de O Globo)

Jornal Midiamax