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Greve no Metrô: Alckmin tem lista com mais 300 demissões

Apesar da ameaça de os metroviários retomarem a paralisação das linhas por causa da demissão confirmada de 42 funcionários, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), assegurou que a capital paulista terá metrô nesta quinta-feira, na abertura da Copa do Mundo. “Nós teremos tanto o Metrô quanto a CPTM (os trens)”, ressaltou. “É difícil, […]

Arquivo Publicado em 11/06/2014, às 13h11

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Apesar da ameaça de os metroviários retomarem a paralisação das linhas por causa da demissão confirmada de 42 funcionários, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), assegurou que a capital paulista terá metrô nesta quinta-feira, na abertura da Copa do Mundo. “Nós teremos tanto o Metrô quanto a CPTM (os trens)”, ressaltou. “É difícil, aliás, você ter um estádio (como a Arena Corinthians) que tenha, na porta, uma linha de metrô, a 3 (Vermelha), e uma linha de trem, que é a linha 11 da CPTM.” Se problemas ocorrerem, o governo já preparou uma lista, que teria sido apresentada a líderes sindicais, com até 300 funcionários que participaram da greve e podem também ser demitidos. As informações foram publicadas no jornal O Estado de S. Paulo.


Integrantes do Sindicato dos Metroviários analisam a ameaça como um plano de contenção de uma nova greve. O Metrô atualmente tem um quadro com 9,5 mil funcionários – 7,5 mil são operadores, supervisores, pessoal ligado à manutenção e condutores. Assim, o governo não teme falta de pessoas capazes de conduzir os trens, mesmo se tiver de demitir 300 funcionários.


Na terça-feira, Alckmin voltou a ressaltar que as demissões não serão revistas – 42 metroviários foram mandados embora por justa causa. O argumento foi de que cometeram “abusos” durante os protestos. “Nenhum grevista foi demitido. As demissões ocorridas foram em razão de outros fatos graves, como invasão de estação, depredação, vandalismo”, disse o governador, após discursar na abertura do Fórum Empresarial América Latina Global, no Auditório Ibirapuera, pela manhã.


O governador afirmou também que a discussão trabalhista com os metroviários se encerrou com o dissídio e não haverá novas negociações. “Ficou muito superior à inflação (o reajuste salarial), com ganhos reais que dificilmente uma categoria teve.” E ressaltou que “o governo do Estado tem o dever de garantir a 5 milhões de pessoas que querem trabalhar e precisam do metrô”. Alckmin lembrou ainda que a greve foi considerada “ilegal” e “abusiva” pela Justiça no domingo e “decisão judicial se cumpre”. “Espero que (o Metrô) não pare (amanhã). Não tem nenhum sentido. Seria um enorme oportunismo, exatamente no dia da abertura da Copa, fazer greve”, disse.


O Sindicato dos Metroviários aposta na possibilidade de uma audiência de conciliação hoje no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). A expectativa é que a Justiça solicite ao governo Geraldo


Alckmin o cancelamento das demissões. No entanto, até o início da noite de terça o TRT não havia recebido nenhum pedido formal de audiência. “A categoria está indignada com as demissões, existe uma revolta com a atitude do governador”, afirmou o presidente da entidade, Altino de Melo Prazeres. Segundo ele, os demitidos foram escolhidos como parte de uma “retaliação política” de Alckmin, pois todos têm participação ativa nas ações sindicais.


O presidente da entidade também disse que recorrerá das multas impostas pelo TRT à entidade e ao sindicato dos engenheiros do Metrô pelos cinco dias de paralisação, que somariam R$ 900 mil. Ontem, o TRT chegou a pedir o bloqueio das contas bancárias do sindicato. O motivo seria garantir o pagamento das multas.

Jornal Midiamax