Em meio à crise, peritos trabalham no local da queda do MH17

Um grupo de mais de 60 analistas holandeses e australianos, acompanhado por observadores da OSCE, chegaram nesta sexta-feira ao local onde, há duas semanas, o avião da Malaysia Airlines caiu com 298 pessoas a bordo. Os analistas, pelo segundo dia consecutivo, puderam chegar ao epicentro da tragédia – em campo aberto junto à cidade de […]
| 01/08/2014
- 16:59
Em meio à crise, peritos trabalham no local da queda do MH17

Um grupo de mais de 60 analistas holandeses e australianos, acompanhado por observadores da OSCE, chegaram nesta sexta-feira ao local onde, há duas semanas, o avião da Malaysia Airlines caiu com 298 pessoas a bordo.

Os analistas, pelo segundo dia consecutivo, puderam chegar ao epicentro da tragédia – em campo aberto junto à cidade de Grabovo, na região rebelde de Donetsk – por uma rota segura que encontraram ontem após várias tentativas fracassadas.

“Especialistas holandeses e australianos chegaram ao local onde o avião caiu” para realizar trabalhos de busca, declarou o ministério holandês do Interior e da Justiça em um comunicado.

Os separatistas pró-russos, que controlam parcialmente o amplo território em que ficaram espalhados os destroços do avião acidentado, asseguraram hoje que destroços e restos mortais ainda se encontram na região.

“Um grande fragmento da fuselagem está junto à cidade de Petropavlovka. Não o levantamos à espera da chegada dos analistas, mas sabemos que pode haver corpos debaixo”, disse um porta-voz dos insurgentes à agência russa “RIA Nóvosti”.

Um pequeno grupo de especialistas holandeses e australianos conseguiu chegar na quinta-feira ao local onde o Boeing da Malaysia Airlines caiu, onde ainda há restos humanos e do avião, mais de duas semanas após o drama que deixou 298 mortos no dia 17 de julho. Para isso, utilizaram um itinerário muito mais longo.

Na quinta-feira, em um encontro em Minsk entre representantes ucranianos, separatistas e russos sob a supervisão da OSCE, as diferentes partes acordaram garantir um acesso seguro aos investigadores internacionais, indicou a OSCE em um comunicado. Outro encontro está previsto na próxima semana, acrescentou.

Uma missão de policiais armados holandeses e australianos, que pode chegar a um máximo de 950 efetivos, também deve começar a se mobilizar nesta sexta-feira para proteger a zona, onde os destroços do avião se encontram.

Até o momento, os serviços de resgate ucranianos e os milicianos resgataram 282 corpos e fragmentos de corpos, enquanto outras 16 vítimas da catástrofe ainda não foram localizadas.

Emboscadas e mortes na região

As forças ucranianas reiniciaram as operações contra os separatistas pró-russos depois de suspendê-las na quinta-feira para contribuir com a investigação internacional sobre a tragédia aérea, que também provocou a adoção de sanções ocidentais contra a Rússia, acusada de armar os rebeldes.

Pelo menos dez paraquedistas ucranianos figuram entre as 14 vítimas de uma emboscada na madrugada desta sexta-feira dos rebeldes perto de Shajtarsk, a 25 quilômetros do local do acidente, indicou o Estado-Maior ucraniano. “Ainda é preciso identificar quatro corpos”, declarou à AFP um porta-voz.

“Atualmente, as ações militares estão em uma fase ativa”, indicou Olexi Dmytrashkivski, porta-voz do Estado-Maior. “Mas não ocorrem combates na zona onde o Boeing caiu. Hoje, um grupo de especialistas internacionais prosseguirá seu trabalho”, acrescentou.

As caixas-pretas foram enviadas ao Reino Unido para terem seu conteúdo analisado. Segundo Kiev, as primeiras constatações apontaram uma forte explosão característica de um míssil de fragmentação, embora os investigadores não tenham confirmado esta informação.

O ex-presidente ucraniano Leonid Kushma, que representa Kiev nas negociações, afirmou que os rebeldes pró-russos, que controlam a zona onde o avião caiu, afirmaram que entregariam os objetos pessoais dos falecidos. As duas partes se comprometeram a libertar 20 prisioneiros cada uma, acrescentou em uma entrevista à agência Interfax-Ucrania.

Em um comunicado, o Estado-Maior apontou avanços em sua ofensiva lançada no início de julho, em especial em alguns redutos pró-russos, como as cidades de Donetsk e Lugansk, e na zona fronteiriça com a Rússia.

“As forças ucranianas libertaram a localidade de Novyi Svit”, 25 km ao sul de Donetsk, que conta com 8.000 habitantes, indicou a mesma fonte, acrescentando que a aviação russa violou o espaço aéreo ucraniano.

Em Lugansk, os combates deixaram cinco mortos, entre eles um menor, e nove feridos civis em 24 horas, segundo as autoridades municipais. Em Donetsk, a prefeitura indicou que um passageiro de um micro-ônibus morreu na noite de quinta-feira por uma explosão produzida por um disparo de artilharia.

Os combates deixaram mais de 1.100 mortos, segundo as Nações Unidas, sem contar as vítimas do avião, e significaram um duro golpe para as relações entre os países ocidentais e Moscou.

A Rússia, cuja economia encontra-se à beira da recessão, minimizou a importância das últimas sanções ocidentais contra setores chave como finanças, defesa e energia, e advertiu que estas medidas poderiam se voltar contra os interesses de Europa e Estados Unidos.

O opositor russo e ex-campeão mundial de xadrez Garry Kasparov lamentou que os países ocidentais tenham esperado tanto tempo para reagir a Putin.

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