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Cuba é protagonista de manifestações pró e contra governo na Venezuela

Opositores venezuelanos se manifestaram neste domingo em Caracas e outras cidades, desta vez pedindo o fim da suposta ingerência de Cuba na Venezuela, respondida pelo presidente, Nicolás Maduro, com uma manifestação paralela pró-governo e com a decisão de aumentar a cooperação com a ilha “em todos os níveis”. “Repudio toda a campanha nazista fascista desenvolvida […]

Arquivo Publicado em 17/03/2014, às 01h59

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Opositores venezuelanos se manifestaram neste domingo em Caracas e outras cidades, desta vez pedindo o fim da suposta ingerência de Cuba na Venezuela, respondida pelo presidente, Nicolás Maduro, com uma manifestação paralela pró-governo e com a decisão de aumentar a cooperação com a ilha “em todos os níveis”.

“Repudio toda a campanha nazista fascista desenvolvida pela direita troglodita contra o povo cubano”, discursou Maduro em um discurso de apoio ao governo no centro de Caracas, transmitido em cadeia de rádio e televisão.

A manifestação da oposição foi convocada no leste de Caracas pela deputada María Corina Machado, o principal rosto feminino da oposição, que exigiu “a expulsão” de cubanos que compõem o governo e garantiu que (a oposição) vai “libertar” o país e especialmente as Forças Armadas do comando atribuído aos militares vindos da ilha.

“Vamos libertar a Venezuela e vamos libertar a Força Armada Nacional da humilhante presença dos funcionários cubanos e de militares cubanos”, ressaltou Machado sem falar nomes.

A opositora falou para uma multidão que estava em uma das entradas da base área da Carlota, no leste da capital venezuelana, diante de um dispositivo de militares que acompanhava o evento.

Os distúrbios voltaram a acontecer no bairro de Altamira, no município de Chacao, que Maduro ordenou que não volte a ser ocupado “pelos violentos”, vários deles presos após confrontos com a polícia.

“Neste mês de luta tiramos a máscara de Maduro e o mundo inteiro o chama por seu nome, de ‘ditador'”, ressaltou Machado pouco antes dos novos incidentes.

Maduro, que lançou vivas ao povo cubano e aos irmãos Fidel e Raúl Castro, atacou Machado e os dirigentes da oposição Leopoldo López e Henrique Capriles.

“A Chukilosa (Machado) anda alvoroçando, o Chukiloco (López) está preso e o Chukiluki (Capriles) quer dialogar”, disse, referindo-se pejorativamente a cada um deles.

Capriles realmente afirmou neste domingo estar disposto a ter um debate com o governo, mas que isso depende de Maduro, e esclareceu que não tem contatos diretos com o executivo.

“Os contatos não são meus”, esclareceu Capriles à Agência Efe ao lembrar que o governador de Lara, o opositor Henry Falcon, outra dos líderes da oposição, está na Comissão de Paz criada por Maduro para tentar superar a situação de conflito no país.

“Estou disposto a debater e acho que o país completo estaria atento e gostaria de ver um debate entre o governo e a oposição, essa é minha visão”, explicou o líder opositor em entrevista à televisão.

Maduro rebateu: “Se vem com respeito, eu o recebo, mas se vem pagar de fanfarrão, nada. Com respeito ou que não venha, caramba!”, exclamou.

Após isso, acusou Capriles de ser “um covarde que não tem caráter, mas uma dupla moral”, que só condena “em privado as barricadas” levantadas depois de Machado e López pedirem à população “a saída de Maduro nas ruas”.

Detido há um mês em uma prisão militar, desde o início dos protestos contra Maduro, López disse que o diálogo proposto por Maduro é “teatral” e que com esse discurso só procura amparar sua gestão.

“Acredito em um diálogo que nos permita avançar rumo a uma saída. Não acredito em um diálogo teatral, que só sirva de fachada para dar estabilidade ao regime corrupto, ineficiente e antidemocrático de Maduro”, disse em entrevista do jornal “El Universal”.

O líder do partido Vontade Popular se entregou à polícia no último dia 18, após ser acusado de incitar a violência no início dos protestos contra Maduro, em 12 de fevereiro e que até hoje já tirou cerca de 30 vidas.

Depois de tentar em vão visitar a López na prisão militar, o presidente do partido democrata-cristão Copei, Roberto Enríquez, denunciou que ele e o vice-presidente do agrupamento, Enrique Naime, foram agredido por soldados do exército.

Jornal Midiamax